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Thom Yorke: vocalista do Radiohead sobre o impacto do Nirvana, "agora sim!"

by Brunelson
6 de ago.
9 min de leitura

Atualizado: 7 de ago.


Thom Yorke, vocalista do RADIOHEAD, sobre o impacto do NIRVANA: "Eu me lembro de quando ouvi o disco 'Nevermind' pela 1ª vez e pensei: 'Agora sim!'"


Ele falou sobre o impacto que o NIRVANA teve sobre o RADIOHEAD, refletindo também sobre a turnê de retorno da banda em 2025. 


Yorke foi homenageado com o prêmio Academy Fellowship na 71ª edição do Ivor Novello Awards, em Londres, que celebra a arte, o impacto cultural e a importância duradoura das canções e composições para o cinema.


Após ser apresentado no palco, Yorke fez um discurso emocionado de agradecimento, no qual defendeu um tratamento melhor para os artistas por parte da indústria. 


Depois da cerimônia, quando foi entrevistado pelo canal britânico da BBC, ele foi questionado sobre as aclamadas datas da turnê de 2025 do RADIOHEAD – seus primeiros shows desde 2018 – com o vocalista descrevendo essa experiência como “avassaladora”.


“Estou muito, muito feliz por termos feito isso, mas se você tivesse me perguntado antes, eu não teria percebido”, disse Yorke. “Eu ficava pensando antes daquela turnê começar: ‘Cara, preciso entrar em forma e isso está me matando! É muito trabalho!’”


“Houve alguns momentos que realmente ficaram na memória e nos sentimos tão parte daquilo quanto o público. Honestamente, a 1ª noite em Madri e caminhar pela multidão, foi simplesmente extraordinária. A 1ª noite em Berlim, que foi em uma segunda-feira - o que já é uma loucura para todo mundo - e ver mais de 20 mil pessoas enlouquecendo, foi tipo: ‘Nunca vou esquecer esse momento’. Foi muito legal, cara”.



Questionado se voltaria a fazer uma turnê com a banda em breve – depois que o guitarrista Ed O'Brien compartilhou que o RADIOHEAD planejava fazer "20 shows por ano em um continente diferente a partir de 2027" – ele respondeu timidamente: "Sim, talvez".



Mudando de assunto, Yorke descreveu a composição de suas músicas como: "Uma forma de se comunicar quando não há outras maneiras de se comunicar" e "como um verme no meu cérebro cavando um buraco, e eu tenho que tirá-lo de lá, senão o desgraçado vai viver lá para sempre".


Ao falar sobre seu discurso de agradecimento na cerimônia, Yorke explicou como o estado atual da indústria musical é: "Muito semelhante a outros cenários onde essa era está chegando ao fim. Todos eles ganharam bilhões e agora acham que, com a tecnologia, podem de alguma forma substituir a necessidade da interação humana e que existe algo melhor por aí, quando claramente não existe”.


"Acho muito interessante que as mesmas pessoas que fizeram tudo isso agora estejam especulando sobre esses catálogos antigos como se fossem objetos de valor, como pinturas de Picasso guardadas em um cofre e sem perceber que todo o seu modelo econômico vai ruir, a menos que façam um pouco da antiga redistribuição. Com pouco dinheiro, você pode apoiar um artista de quem realmente gosta e acompanhá-lo nos primeiros anos de sua carreira".


Ao relembrar a ascensão da banda à fama no início dos anos 90, Yorke recordou quando o RADIOHEAD foi contratado pela grande gravadora, a EMI Records: “Um dos momentos estranhos que me marcou na minha vida peculiar, foi conhecer o cara que era o chefe da EMI Records na época. Ele olhou para mim depois que assinamos o contrato, apertou minha mão e disse: ‘Você vai longe, não tenho a menor dúvida disso. Se precisar de alguma coisa, me avise, e eu falo sério’. E eu respondi: ‘Obrigado. Tudo o que precisamos é de uma van, dinheiro para comprar equipamentos e que você nos deixe em paz por uns 02 anos para resolvermos nossas coisas’. E ele respondeu: ‘Tudo bem’. E foi o que fizemos, e no final daqueles 02 anos lançamos a música ‘Creep’ e decolamos” (1º disco, "Pablo Honey", 1993).


"Aí a gravadora veio e nos falou: 'Ok, então, agora precisamos de outra canção no estilo 'Creep'", e na verdade nós pensamos: 'Não, não precisamos'. Depois eles nos disseram: 'Ok, então, agora precisamos de outro álbum como 'The Bends'" (2º disco, 1995), mas não, não precisávamos. Aí eles disseram: 'Vocês precisam de outro álbum como 'OK Computer'" (3º disco, 1997), e nós respondemos: 'Ok, tchau e até mais'. A gravadora só nos deu muita folga graças à nossa equipe de gestão, que lutava por nós o tempo todo".


“Com pouco apoio, você realmente consegue deixar as pessoas crescerem e encontrarem seu próprio caminho”, complementou Yorke. “Ficaria feliz em estar enganado, mas sei que a forma como a indústria musical está estruturada atualmente é muito míope. Não faz muito sentido, sabe? A verdade é que você só aprende com seus erros, mas hoje em dia, você comete um erro e está acabado”.




Yorke disse que continua "orgulhoso" de tudo o que o RADIOHEAD fez, mas que o mundo da música deveria pensar mais no presente e no futuro, em vez de se obcecar com o passado: “No mundo real, as pessoas precisam sentir que um artista novo surge a cada 02 anos. Eu me lembro de quando ouvi o disco ‘Nevermind’ do NIRVANA pela 1ª vez e pensei: ‘Agora sim!’ De vez em quando isso acontece, sabe? E é disso que estou falando”.


Yorke acrescentou sobre o seu prêmio recebido na noite: “O Ivor Awards é uma prova interessante da importância que as pessoas atribuem à música. Pra mim, isso é chocante por 02 motivos: que as pessoas queiram me dar um prêmio e que elas se sintam assim... Isto é ótimo”.


O vocalista do RADIOHEAD finalizou: "Pra mim, acho que cada geração precisa encontrar sua própria linguagem. As pessoas que estão acumulando todo esse dinheiro deveriam ter a sensibilidade de perceber que deveriam estar apoiando isso - se realmente se importam com a música. Chega de conversa fiada. Queremos uma contabilidade transparente, paguem o artista e não me venham com mais conversa fiada".


Com Thom Yorke recebendo o prêmio Ivors Academy Fellowship, ele seguiu os passos de vencedores anteriores como Bruce Springsteen, U2, Paul McCartney e muitos outros.




























































































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