Eddie Vedder: o gênero musical que ele não curtia na adolescência
by Brunelson
há 11 minutos
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Embora muitos artistas surgidos na era grunge quisessem mudar o status quo e mostrar às pessoas o que era possível fazer sem um spray de cabelo para representar o hair metal dos anos 80, o vocalista do PEARL JAM, Eddie Vedder, sempre esteve disposto a aprender com praticamente todas as estrelas do rock que encontrava. Ele sabia que ninguém estava preparado para a fama e não havia lição melhor para se tornar uma estrela do rock do que se perder em meio a uma coleção de discos.
Afinal, é assim que todos os bons compositores funcionam. Veja Bruce Springsteen, por exemplo. Ele foi conhecido por anos como o maior astro do rock and roll, um verdadeiro exemplo de autenticidade, e ainda assim, ao ouvir o álbum "Darkness on The Edge of Town" (4º disco, 1978), você percebe alguém atormentado por muitas dúvidas e tentando de tudo para entender quem ele era depois que o disco "Born to Run" mudou tudo (3º disco, 1975).
Mas embora Vedder buscasse expressar seus sentimentos mais profundos ao cantar, isso não significa que não houvesse espaço para sua indignação. Apesar do grunge ter sua própria identidade, o gênero com o qual o grunge possui sua maior semelhança é o punk rock (junto com o metal), e a julgar pela admiração que demonstrava por artistas como Ian MacKaye (vocalista do MINOR THREAT e FUGAZI), Vedder não se recusava a seguir seus passos e tocar em clubes menores pelo resto da vida se ele quisesse.
Na época em que Vedder estava crescendo, nem todas as bandas punk rock eram iguais. Todas eles veneravam grupos como os RAMONES e THE CLASH, mas muita coisa havia mudado em poucos anos. Agora, existia o punk hardcore - aqueles que queriam tocar mais rápido que o punk rock - com bandas como MINOR THREAT e BAD BRAINS.
Mas havia muito mais caos à medida que se ia para a Califórnia...
Ao ouvir uma banda como FEAR ou THE GERMS, o grande atrativo é que a música soa como se estivesse à beira do colapso a cada segundo. Esse tipo de energia é palpável desde o momento em que você coloca um dos discos deles para tocar, mas se você perguntar a Vedder, por incrível que pareça, durante sua adolescência não havia nada ali que realmente o atraísse.
Não há dúvida de que o PEARL JAM pode criar suas próprias músicas pesadas, ainda mais que, com o passar do tempo, suas músicas quebraceiras foram ficando no estilo punk rock de ser, mas Vedder não estava disposto a se aventurar nesse território quando era jovem, dizendo uma vez em entrevista: "Eu nunca tive acesso a bandas como FEAR ou BLACK FLAG. Eu tinha minha jaqueta militar e meu skate, pois era meu meio de transporte, mas eu curtia mais era Bruce Springsteen e coisas com narrativa. Essa coisa punk rock agressiva na época era meio latente para mim".
Porque, ao ouvir a música do PEARL JAM, percebe-se que nem tudo é sobre desgraça e tristeza o tempo todo. Seria compreensível pensar que uma música com riffs de guitarra pesados e Vedder berrando a plenos pulmões se encaixaria na mesma categoria dessas bandas punk, mas tudo isso serve para enriquecer a narrativa da letra. E mesmo ao final de suas músicas mais viscerais, Vedder sabe como deixar o público com um pouco de esperança.
Ninguém nega a inclinação mais transgressora que muitas bandas grunge possuem, mesmo que seja como uma forma de terapia, com Vedder acreditando que havia poder na música e que, talvez, ao final de uma das canções do PEARL JAM, ele conseguisse superar seus próprios problemas e nos dar uma luz no fim do túnel.
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