• by Brunelson

R.E.M: "um dos maiores arrependimentos da minha vida foi não ter ido ao acústico do Nirvana"


A amizade entre o vocalista do R.E.M, Michael Stipe, e o frontman do NIRVANA, Kurt Cobain, foi uma das mais genuínas e emocionantes de toda a história do rock'n roll.


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Para Cobain, Stipe era um mentor, um irmão mais velho e um colega do rock alternativo tudo em uma pessoa. Um exemplo com o qual ele poderia ter aulas sobre como lidar com a fama, expectativas e direção artística.

“Eu não sei como aquela banda faz o que faz”, disse Kurt Cobain sobre o R.E.M. quando tinha sido entrevistado pelo editor sênior da revista Rolling Stone, David Fricke, em 1994. “Deus, eles são os melhores. Eles lidaram com o sucesso como santos e continuam entregando boa música”, acrescentou Cobain.

Para Stipe, Cobain era um irmão de alma, um reflexo quase espelhado do seu eu mais jovem, sensível, tímido, cheio de criatividade, mas muitas vezes imposto por fatores além do seu controle.

No final da vida de Cobain, Stipe pôde ver o preço com que a notoriedade, sucesso e o aumento da visibilidade cobraram do seu amigo mais jovem, quando resolveu organizar uma sessão de gravação num estúdio na tentativa de tirar Cobain de sua espiral de depressão e uso de heroína.

Na verdade, o real objetivo não era gravar música, mas antes de tudo, forçar Cobain a sair do seu bueiro escuro, dando-lhe um ambiente positivo e uma tarefa na qual poderia se concentrar - mas não era para ser...


Em março de 1994, Stipe até chegou a lhe enviar as passagens de avião e chegando o dia da viagem mandou um motorista pegar Cobain em sua casa para leva-lo ao aeroporto, mas ele deixou o motorista esperando por horas até que finalmente foi embora, sendo que Kurt Cobain deixou as passagens do avião pregadas na parede do quarto...

Antes que os dois pudessem colaborar, Cobain viria a falecer em abril de 1994.

Em 2019, quando Stipe havia sido entrevistado pela rádio SiriusXM, ele e o seu colega do R.E.M, o baixista Mike Mills, refletiram sobre como a explosão do grunge coincidiu com a sua própria reinvenção sonora que o R.E.M. estava passando na época.

Stipe falou: “O nosso guitarrista, Peter Buck, tinha se mudado para Seattle para formar uma família e comprou uma casa, sendo que logo depois, Kurt Cobain e Courtney Love compraram a casa que ficava ao lado da casa dele".

Mike Mills acrescentou: "O nascimento daquele som de Seattle, o sentimento e tudo o que aquelas bandas fizeram, foram coisas próprias deles e embora sempre tenhamos admirado isso e sentíamos uma afinidade com aquilo, nunca senti como se estivéssemos pegando sonoramente algo emprestado ou tirando deles de qualquer forma”.

Mais tarde nessa entrevista, Stipe refletiu sobre como Kurt Cobain e o NIRVANA estavam buscando uma nova abordagem para a música, melhor representada pela performance no MTV Unplugged em 1993, a qual continha elementos que o R.E.M. havia adotado em seu disco folk acústico de 1991, "Out of Time" (7º disco).

Cobain queria que Stipe estivesse em New York para o acústico do NIRVANA: “Eu fui convidado por ele e deveria estar lá, mas por algum motivo estúpido eu não fui”, disse Stipe. “Na verdade, é um dos meus grandes arrependimentos na vida”.

Após a morte de Cobain, Stipe canalizou a dor e o remorso que sentiu para as letras da música "Let Me In", lançada no álbum "Monster" em 1994 (9º disco).


Detalhe que para o videoclipe e gravação no estúdio desta canção, o guitarrista Peter Buck tocou com a guitarra Fender Jag-Stang customizada de Kurt Cobain, que era o modelo de guitarra que Cobain estava se apresentando na turnê do álbum "In Utero" do NIRVANA de 1993/1994.


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Essa guitarra havia sido doada ao R.E.M. por Courtney Love.

“A música inteira é sobre Kurt Cobain, tipo, é tudo sobre ele”, refletiu Stipe, concluindo. “É tudo sobre querer desesperadamente ajudar alguém que está em um lugar tão escuro, se sentindo completamente desamparado e sentindo aquela desesperança de: ‘Não importa o quanto eu possa oferecer de mim mesmo, não vai ser o suficiente'”.


"Let Me In"


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