Chris Cornell: a banda que ele disse que "foi o melhor show de estreia que já vi na minha vida"
by Brunelson
há 3 minutos
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Chegar ao nível de Chris Cornell não é algo que se conquista da noite para o dia.
Por mais que Cornell pudesse ser considerado um deus do rock ao lado de nomes como Robert Plant (LED ZEPPELIN) e Jim Morrison (THE DOORS), certamente houve um período de incerteza antes que o vocalista do SOUNDGARDEN se sentisse completamente à vontade no palco.
Mas o que lhe fez se sentir confiante foi ver bandas capazes de criar magia desde o primeiro minuto em suas apresentações ao vivo.
Porque ser capaz de criar esse tipo de magia do nada é quase uma arte perdida hoje em dia. Ninguém costuma pensar em se tornar uma estrela do rock logo de cara, e mesmo quem sonha com isso geralmente leva um choque de realidade ao perceber o quão difícil é ser um peixinho num oceano de outras bandas tentando fazer a mesma coisa.
Mas não era assim que o SOUNDGARDEN via as coisas quando estava crescendo em Seattle. Cornell tinha uma voz incrível por natureza, mas metade da graça vinha do fato de que nenhum deles buscava a fama. Eles faziam música para se divertir na maior parte do tempo e muitos de seus melhores momentos aconteceram quando pareciam não se importar se uma música tinha potencial para ser um sucesso ou não.
Por outro lado, muitas bandas surgiram do nada antes deles e lançaram discos marcantes logo de cara, mas a ascensão do grunge foi um processo mais lento em comparação, sendo fermentado no underground de Seattle e região durante todo os anos 80, para explodir de vez no mainstream somente no começo dos anos 90.
Bandas como SOUNDGARDEN, MUDHONEY e MELVINS já eram nomes consagrados no underground há anos, e mesmo que o NIRVANA tenha aberto caminho para todos conseguirem sair do bueiro, o clássico álbum "Nevermind" (1991) já era o 2º disco do NIRVANA depois de assinarem com a grande gravadora, a Geffen Records.
Já o ALICE IN CHAINS sempre esteve à margem do grunge na maior parte do tempo, mas quando os membros remanescentes do MOTHER LOVE BONE tocaram juntos com Eddie Vedder nos vocais pela 1ª vez em um show, Cornell ficou em choque.
Ele sabia que seus amigos eram poderosos, mas não imaginava que conseguiriam fazer aquilo logo na 1ª tentativa, dizendo uma vez em entrevista: "Até hoje, com certeza foi o melhor show de estreia que já vi na minha vida. Sem dúvida, não tem comparação. E isso não tem nada a ver com a minha percepção de quão incríveis eles são como banda ao vivo hoje em dia. Me lembro exatamente o que eu pensava na época, de que eles eram absurdamente incríveis", arrematou Cornell sobre o PEARL JAM.
Em comparação com as outras bandas de Seattle, o que fez o PEARL JAM se destacar foi a nostalgia que eles já transmitiam. Havia elementos em seu som que remontavam aos tempos áureos do rock clássico, mas era como se você pegasse toda a ótima música de bandas como LED ZEPPELIN, THE WHO e Jimi Hendrix, e a vestisse em uma roupagem nova chamada grunge - com aquele vocal único de Vedder que nos hipnotizava e dava para sentir realmente o sentimento (mais uma coisa rara hoje em dia).
PEARL JAM não estava ali por nada além de se divertir, mas como o tempo mostraria, havia muito mais gente do que eles imaginavam querendo vê-los. Aquela música era contagiante e mesmo que Vedder tivesse que se acostumar com a fama, cada conquista foi merecida, principalmente se isto significasse um álbum de estreia tão bom e marcante na história do rock, "Ten" (1991).
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