Rick Rubin: produtor tece sua opinião sobre os Ramones
by Brunelson
há 11 minutos
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Antes de fundar a Def Jam Records em seu quarto no dormitório da Universidade de New York, Rick Rubin era apenas mais um jovem apaixonado por música como nós.
Nascido em 1963, quando chegou à adolescência a cena toda estava no auge da contracultura nova-iorquina. As ruas de Manhattan eram certamente assustadoras em meados da década de 70, com altos índices de criminalidade, graves problemas econômicos e uma sensação palpável de decadência social, sendo o único ponto positivo a música.
Como sempre, a música floresceu nos tempos difíceis daqueles anos e em particular, o punk rock encontrou seu nascedouro, pois havia algo no mundo frio de New York nos anos 70 que permitiu que ele florescesse. O icônico clube noturno, CBGB, tornou-se um terreno fértil para que os habitantes desiludidos da cena underground pudessem expressar suas opiniões, e uma banda, sem dúvida nenhuma, fez isso melhor do que qualquer outra: RAMONES.
“Quando as bandas americanas começaram a fazer música inspirada na música inglesa falando sobre luta de classes, isso não me cativou muito”, explicou uma vez o já agora renomado produtor musical, Rick Rubin, sobre a origem do movimento punk rock, o que não é nenhuma surpresa esta sua opinião, considerando como o resto de sua carreira se desenrolou. Rubin produzia discos que desafiavam os limites da cultura e por isso tinha uma clara aversão a qualquer coisa que soasse como uma repetição - ele sempre queria inovação.
Rubin continuou: “Enquanto isso os RAMONES era a minha banda. Eles tinham a energia do punk rock, mas liricamente, não era uma banda explicitamente política, o que fazia sentido para o mundo em que crescemos. Onde eu cresci não era tão longe de onde os RAMONES cresceram, e isso fazia sentido para o nosso mundo”.
Claro, o punk rock tem muito a ver com um espírito sonoro estridente martelando a política, mas mais do que isso, é sobre uma atitude, um sentimento, algo com que os fãs jovens e confusos pudessem se identificar, sendo que os RAMONES foram o alicerce para muita gente.
O poeta performático inglês, John Cooper Clarke, resumiu a grandeza dos RAMONES em uma única essência, afirmando da melhor forma: “Muito se falava sobre o jeito arrogante e antissocial deles no palco e sobre a rapidez e brevidade de suas músicas. Foi quando comprei o disco homônimo de estreia dos RAMONES (1976). Eles eram e são uma paixão minha. Eles entendiam que era melhor ter letras inteligentes sobre assuntos idiotas”.
O que Clarke identificou foi, em última análise, o que fez de Rubin o produtor que ele é. Sua habilidade lúcida, que lhe permite produzir discos de diversos gêneros e capacidade de capturar sua própria voz, foi influenciada pelos RAMONES. Não se trata tanto da execução das ideias, mas sim de clareza autêntica, que tanto a banda quanto Rubin priorizaram em seus trabalhos.
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