Neil Young: a banda grunge que ele disse que tem "a essência de se fazer boa música”
by Brunelson
há 11 minutos
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Neil Young sempre foi extremamente inconstante em relação às coisas de que gosta.
Se ele gostava de algo, não demorava a querer tecer elogios, mas se sequer pressentisse que as coisas estavam indo na direção errada, ele não demorava a abandonar o barco e partir para algo completamente diferente.
E embora isto possa ser irritante para quem tenta decifrá-lo, acontece apenas porque ele está constantemente em busca de artistas que estejam na indústria pelos motivos certos.
Porque, no minuto em que uma estrela do rock se torna famosa, ela só tem alguns anos para causar o impacto desejado. Alguns podem usar isso como a oportunidade de ouro para encantar o público, mas também haverá aqueles que só enxergam os cifrões e começam a trabalhar em uma versão inferior daquela música que os transformou na maior banda do mundo.
Esse tipo de mudança de carreira certamente tem seu lugar, mas não era necessariamente para onde Young se via indo. Ele se identificava com a atitude punk rock de ser você mesmo anos antes do punk sequer ter um nome, e mesmo quando era considerado coisa do passado para alguns, dava para perceber que ele não se importava. Ele ainda era um grande compositor e isso geralmente significava fazer o que seu eu interior lhe mandasse fazer - independente se iria vender ou agradar ao público.
É verdade que os anos 80 não foram gentis com seu estilo rústico de composição e ainda mais severos com seu período experimental, o que foi um alívio ver o que a nova geração de bandas grunge estava fazendo no underground e que iria explodir no planeta inteiro no começo dos anos 90.
NIRVANA parecia ter aberto caminho para uma nova revolução musical, mas quando se tratava de rock and roll puro, Young sabia que nada poderia ser melhor do que o que ele via, sentia e escutava no PEARL JAM.
Mesmo tendo seus artistas de rock favoritos de décadas passadas, Young concluiu que nada se comparava a ouvir o PEARL JAM despojando o rock dos seus melhores elementos, dizendo em sua biografia: "Quer saber? Se eu só tivesse o PEARL JAM e não houvesse mais nenhuma banda no mundo, eu não me preocuparia. Porque ali está a essência de se fazer boa música, sabe? Você não precisa usar tudo de uma vez, mas está lá".
Por mais que Kurt Cobain discordasse respeitosamente e achasse que o PEARL JAM era a coisa mais comercial que ele já tinha ouvido - mudando de opinião depois que o grupo lançou seu 2º álbum de estúdio, "Versus" (1993) - não é como se eles não estivessem naquilo por bons motivos. PEARL JAM definitivamente não pertencia ao mesmo grupo de bandas de rock underground que o SONIC YOUTH fazia parte, por exemplo, mas o estilo de rock deles era, no mínimo, respeitoso com o passado do rock em muitos aspectos.
A essência do grunge sempre foi esmagar os maiores nomes do hair metal dos anos 80, mas o que o PEARL JAM fazia devia muito mais à era do rock and roll dos anos 70. Havia alguns elementos da música de Young ali, mas também influências de LED ZEPPELIN, CHEAP TRICK e principalmente do THE WHO em sua sonoridade.
Sim, não era a coisa mais dissonante que alguém já tinha ouvido, mas se havia algo que o PEARL JAM representava, era resgatar os valores do que uma banda de rock deveria ser. Todo mundo parecia ter esquecido isso depois de um tempo e às vezes é preciso uma banda como eles para lembrar a todos de onde vem toda essa música íntegra e sincera.
Ainda em tempo, Neil Young convidou o PEARL JAM para ser sua banda de apoio na gravação do álbum "Mirror Ball" (23º disco, 1995).
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