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Pink Floyd: qual o significado da música "Lucifer Sam"?

  • by Brunelson
  • 11 de abr.
  • 3 min de leitura

Seriam necessários 100 anos, um doutorado em psicologia e um suprimento infinito de ácido LSD de alta qualidade, para sequer começar a compreender a mente de Syd Barrett, o fundador do PINK FLOYD e vocalista/guitarrista/compositor original.


Uma figura infinitamente enigmática, sua produção musical era igualmente etérea e expansiva. Embora seu tempo à frente da banda tenha sido breve, foi Barrett quem conduziu o PINK FLOYD pela 1ª era psicodélica, com suas múltiplas obras-primas frequentemente deixando o público mainstream na sua mão, quando se tratava do seu verdadeiro significado e inspiração.


Foi em 1965 que o PINK FLOYD foi oficialmente formado. Numa era do blues rock rebelde, batalhas internas constantes versus o novo mundo e um foco na anarquia juvenil, o grupo não se identificava com nenhum desses ideais da moda. Em vez disso, Barrett guiou a banda para o mundo alucinante do rock psicodélico, impulsionado pelo advento do ácido LSD – uma substância que mudaria a música para sempre.


É claro que grupos como JEFFERSON AIRPLANE, GRATEFUL DEAD e THE DOORS, hasteavam a bandeira da psicodelia nos EUA na mesma época em que o PINK FLOYD fazia sua parte do outro lado do Oceano Atlântico, se destacando particularmente por sua natureza sobrenatural de produção.


Tragicamente, o tempo de Barrett como líder desse impressionante grupo psicodélico foi curto demais. Devido às suas ações cada vez mais imprevisíveis, somadas a uma dependência cada vez maior de drogas psicodélicas, Barrett seria dispensado pelos seus colegas de grupo em 1968, com apenas 02 álbuns de estúdio lançados. 


E assim, Roger Waters (vocalista/baixista) assumiria as rédeas e David Gilmour (vocalista/guitarrista) era quem estava sendo recrutado para ocupar o lugar de Barrett, com o PINK FLOYD gravando seu 2º disco como um quinteto. Ainda assim, durante seu curto período com a banda, Barrett conseguiu produzir uma das maiores obras-primas psicodélicas já gravadas, o álbum de estreia do grupo, "The Piper at The Gates of Dawn" (1967).


Encapsulando a inovação e a exploração que caracterizaram o PINK FLOYD durante aquele período, esse disco contém uma riqueza de composições inovadoras, da música de abertura, "Astronomy Domine", à canção de encerramento, "Bike". Porém, ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, o público realmente teve que se esforçar para tentar entender o significado por trás de certas músicas do álbum de estreia do PINK FLOYD, entre elas, "Lucifer Sam", que está entre as mais intrigantes e debatidas.


Um hino absolutamente perfeito para a era psicodélica do grupo, esta canção mistura uma linha de baixo incrivelmente legal, com um lirismo bizarro e a entrega melancólica de Barrett. Situada em algum lugar entre a experimentação espacial e o rock de garagem cru, a mesma é diferente de tudo do que a banda estava apresentando em seu disco de estreia - ou tentado depois - o que talvez explique por que ela é rotineiramente e injustamente esquecida na discografia da banda. 


Outro possível motivo para isso pode ser os significados de suas letras - praticamente indecifráveis.


Muitas críticos da época teorizaram que a música foi escrita sobre a então namorada de Barrett, Jenny Spires. Aparentemente, o compositor suspeitou de alguma irregularidade em Spires e aproveitou a oportunidade para expressar suas frustrações, principalmente nos versos: "Jennifer Gentle / Você é uma bruxa". Embora essa teoria certamente se encaixe na cronologia dos relacionamentos de Barrett e na paranoia causada por suas viagens de ácido LSD, a verdadeira inspiração por trás desta canção pode ser bem mais simples.


A explicação mais provável, é simplesmente que Syd Barrett escreveu uma música sobre seu gato, chamado Sam. Afinal, a canção gira em torno dos versos: "Aquele gato é algo que não consigo explicar", e os gatos tendem a ser os animais de estimação mais distantes e misteriosos - que é de onde vem o apelido de "Lucifer".


Mas é claro, você poderia passar a vida inteira analisando cada detalhe da música para deduzir se ela possui algum significado oculto profundo girando em torno da psique de Barrett...


Além disso, isso demonstra o poder incomparável do seu talento de composição, a ponto dele ser capaz de recitar uma música rápida sobre seu gato e torná-la um dos hinos definitivos da era psicodélica. Tudo o que Barrett tocava parecia transcender novos patamares na música, então, não é surpresa que sua influência ainda reine suprema para inúmeros compositores e experimentadores musicais contemporâneos.


"Lucifer Sam"


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