• by Brunelson

Pink Floyd: o motivo que inspirou Roger Waters a escrever o disco "The Wall"


O álbum "The Wall" (11º disco, 1979) é indiscutivelmente o magnum opus do PINK FLOYD, um álbum que retrata a história de um astro do rock extinto que deu as costas à civilização para se tornar um recluso.

No entanto, antes mesmo do grupo entrar no estúdio para gravar esse disco, PINK FLOYD já se encontrava na corda bamba. Roger Waters se inspirou para criar esse álbum após um incidente chocante numa turnê, o qual seria um ponto baixo em sua vida e lhe causaria “vergonha eterna”.

O grupo se reuniu em julho de 1978, um período em que o PINK FLOYD estava gravando novamente no Britannia Row Studios e Roger Waters deu aos seus companheiros de banda 02 novas ideias para álbuns conceituais.

A 1ª opção foi uma fita demo de 90 minutos com o título provisório "Bricks in The Wall", que o grupo decidiu assumir e permitiu que Waters seguisse com a sua visão criativa. O projeto chegou em um momento curioso para o PINK FLOYD e mesmo sendo uma das maiores bandas do planeta, os membros do grupo estavam esgotados mentalmente e fisicamente, sendo o disco "The Wall" o mecanismo perfeito para explorar essas emoções.

O ano de 1977 viu a banda passar a primeira metade do ano em um ciclo ininterrupto de shows em estádios em todo o mundo, com Roger Waters aos poucos acumulando as cargas emocionais e psicológicas do grupo à medida que a turnê prosseguia.

A coisa se espalhou nas circunstâncias mais angustiantes na noite final da turnê no Estádio Olímpico de Montreal. Foi durante este show que a banda improvisadamente decidiu dar aos fãs um 2º encore break com a música "Drift Away Blues" para encerrar em definitivo a apresentação. Enquanto isso, os seus roadies já estavam desmontando o palco antes que a banda tivesse a chance de terminar a música. As coisas foram de mal a pior quando David Gilmour decidiu ficar de fora do encore final, depois de não conseguir esconder o seu aborrecimento com a apresentação do grupo naquela noite.

O guitarrista de turnê, Snowy White, chegou a ocupar o lugar de Gilmour, mas essa não foi a única travessura vergonhosa que ocorreu durante a noite. Não apenas um tumulto estourou na frente do palco antes da banda finalmente se retirar, mas Waters se desgraçou naquela noite cuspindo na cara de um fã rabugento.

Porém, não foi de todo ruim, já que a ocasião deu a Waters o que pensar necessário para criar o disco "The Wall", explorando como ele agora se sentia afastado do público graças ao estrelato crescente do PINK FLOYD.

O álbum "The Wall" ofereceu uma metáfora perfeita para explicar como Waters se sentiu e plantou a semente que daria ao mundo um dos melhores álbuns conceituais de todos os tempos.

Anos depois, o radialista Howard Stern explorou o significado mais profundo por trás desta inspiração.

Durante uma conversa, Stern perguntou a Waters se ele queria construir um muro entre o público e a banda, porque ele ficava tão visceralmente irado no palco que era dominado por uma vontade de cuspir no público. Embora o tópico pareça mais uma lenda do rock 'n' roll com uma verdade em seu centro, Waters confirmou de forma notável a Stern que era uma ideia totalmente factual.

Waters falou: “É verdade, para a minha eterna vergonha". Então, o radialista perguntou por que ele cuspiu em um membro da plateia durante aquela noite fatídica em Montreal e Waters respondeu de forma brincalhona: "Porque ele sempre estava vindo pra frente da porra do palco", revelando que “não se lembra” do real motivo pelo qual cuspiu na pessoa.

"The Wall" foi o disco que representou uma mudança gradual na banda, sendo um álbum revolucionário e os shows da turnê ainda mais pioneiros. Mesmo que a inspiração foi derivada de uma fonte "pesada", Waters canalizou essa energia em sua arte para entregar uma obra-prima que retrata perfeitamente as armadilhas da fama.

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