Neil Young: a trilogia de músicas que ele escreveu sobre seu relacionamento rompido na década de 70
by Brunelson
19 de jan. de 2025
3 min de leitura
Nenhum artista pode ignorar completamente seu próprio coração, por mais que tente.
Mesmo para aqueles que sabem como deixar suas emoções na porta antes de entrar no estúdio, no momento em que pegam uma guitarra, baixo, bateria, uma caneta para escrever ou se sentam atrás de um piano, eles provavelmente criarão algo que pode quebrar o coração de qualquer ouvinte.
Neil Young, conhecido por não seguir as placas de sinalizações que outros querem indicar, criou uma trindade pungente com as canções "Motion Pictures", "Danger Bird" e "Star of Bethlehem". Essas músicas juntas exploram diferentes estágios do seu relacionamento rompido na década de 70, cada uma oferecendo uma janela crua e emocional para sua vida pessoal.
Concedido, não é como se Young não tivesse explorado a mágoa de uma forma ou de outra antes. Ao vasculhar seu catálogo anterior, a canção "Sugar Mountain" (gravada em 1968 e lançada na coletânea "Decade" em 1977) já direcionava sua perspectiva de ser um pouco cínico em relação ao mundo maior do rock and roll, e não importa quanta emoção esteja por trás de uma música como "Heart of Gold" (4º disco, "Harvest", 1972), seu canto sobre envelhecer soa como se estivesse vindo de alguém com sentimentos calejados.
Mas começando com as letras da canção "Motion Pictures", lançada em seu 5º álbum de estúdio em 1974, "On The Beach", Young já estava querendo se afastar do seu relacionamento com a atriz Carrie Snodgress. Depois de ter um relacionamento intermitente por anos, Young finalmente cortou laços com ela quando descobriu que estava sendo traído, com essa música representando o momento em que ele fica olhando cegamente para a TV e se perguntando quando vai se libertar de sua mágoa.
Porém, não importa quanto tempo alguém tente manter isso dentro de si, as emoções exigem ser sentidas. Já na música "Danger Bird" (7º disco, "Zuma", 1975), é o som dele atacando muito mais agressivamente aqui. O rugido da guitarra pinta esse relacionamento quase como uma marcha fúnebre, com o pássaro do título da canção servindo como a carcaça apodrecida do que costumava ser o relacionamento deles.
Essa música pode ser uma das canções de amor de um relacionamento rompido mais envolvente que Young já escreveu, especialmente quando os solos da guitarra começam. Como Young não consegue se expressar verbalmente, ele deixa sua guitarra falar dessa vez, extravasando toda sua agressividade e agindo como se quisesse arrebentar as cordas da guitarra.
Apesar de toda a dor crua que vem vindo nessas 02 músicas, a canção "Star of Bethlehem" (8º disco, "American Stars 'n Bars", 1977) é bastante mansa em comparação. Não se engane, Young ainda está incrivelmente magoado ao ver seu relacionamento desmoronar, mas é aqui que ele percebe que está longe de ser perfeito por si só. Além de ser despojado do seu orgulho, Young ainda está pronto para perseverar mais um dia e deixar o tempo curar as feridas que ele não consegue.
Provavelmente as chances são mínimas de que Young tenha planejado essas 03 músicas exatamente dessa forma, pois o dia de amanhã nenhum ser humano sabe, mas com o benefício do retrospecto e a imaginação dos seus fãs, ele pode ter feito uma das melhores formas musicais que representam os estágios de sentimentos de uma perda - já feita em uma discografia de qualquer artista/banda.
Aqui nessa trilogia, você consegue vê-lo experimentar o choque, raiva, barganha e finalmente, aceitação, sabendo que o mundo continuará girando e com isso, a criatividade e pulsão de vida de Neil Young sempre crescendo.
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