Neil Young: a música que ele escreveu em 20 minutos
by Brunelson
há 6 minutos
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Para aqueles que não têm talento musical, assistir a um músico compor, aprimorar seu som ou simplesmente ensaiar uma música, é como assistir a um truque de mágica.
Ver onde as "assinaturas" ou "carimbos" musicais são colocados, pode ser o equivalente a ter acesso à própria criação da luz versus a escuridão, sentado no chão ao lado de uma divindade cósmica vendo sua banda ensaiar, enquanto você se "mata" de rir de quão legal está o momento, ao mesmo tempo que o mundo se desgoverna lá fora.
E o que torna tudo ainda mais impressionante é quando artistas como Neil Young fazem isso com tanta "leviandade".
A maioria dos compositores recorre a algum tipo de poder superior que assume o controle de suas habilidades de composição quando se sentam para gravar algumas músicas. Eles são simplesmente os condutores da criação, permitindo que as palavras e as notas fluam por eles enquanto se tornam um canal que recebe a barca de músicas esperançosas. Até mesmo as pessoas no estúdio, como engenheiros de som e produtores que assistiram a inúmeros artistas realizarem o mesmo milagre, podem ficar impressionados.
Quando Young se sentou para a lendária "Indigo Sessions" em 1976, ele realizou exatamente esse feito, deixando seu dedicado produtor, David Briggs, boquiaberto enquanto Young entregava uma série de canções incríveis sem aquecimento prévio nenhum ou treinamento - e aparentemente sem tê-las escritas antes.
"Young se virava para mim lá dentro da sala do estúdio e dizia: 'Acho que vou abrir a torneira'", disse Briggs sobre estas sessões de gravação, conforme biografia de Neil Young. "E então, saíram as músicas 'Powderfinger', 'Pocahontas', 'Ride My Llama' e o rascunho prévio de 'My My, Hey Hey'. Não estou falando dele ter se sentado com uma caneta e papel para escrevê-las. Estou falando dele ter pegado seu violão, sentar ali dentro da sala de gravação do estúdio, me olhar nos olhos, e em 20 minutos a canção 'Pocahontas' estava pronta".
Há bons motivos para o tom verdadeiramente perplexo da declaração de Briggs. Sem mencionar as outras músicas, para as quais não podemos ter certeza de quanto tempo levaram para compor, mas a canção "Pocahontas" é um dos trabalhos mais voláteis de Young.
As letras dessa música abordam delicadamente as centenas de massacres sofridos por índios nativos americanos durante a colonização europeia da América, aborda a atitude desafiadora do ator Marlon Brando em relação ao Oscar e traz todos esses temas para o âmbito da modernidade por meio de um toque surrealista. É mais do que impressionante que uma canção como essa tenha sido concebida e construída dentro desse período.
Usando a figura quase mítica de Pocahontas como personagem central, Young desafia o público americano a lidar com a forma brutal como seus ancestrais dominaram as planícies. A música também transita entre linhas temporais, prestando homenagem a Brando, que recentemente havia rejeitado o Oscar de Melhor Ator devido ao tratamento dado por Hollywood aos índios nativos americanos e havia enviado Sacheen Littlefeather em seu lugar para recusá-lo (atriz, modelo e ativista dos direitos civis dos índios nativos americanos).
Com tudo isso em mente, é difícil não ver esta canção como uma destilação de toda a magia de fazer música.
Essas gravações da "Indigo Sessions" de 1976 foram arquivadas, sendo lançadas somente em 2017 no 39º álbum de estúdio de Neil Young, "Hitchhiker".
Uma coisa é abordar longamente tais assuntos com delicadeza perfumada e poética, cantados com um tom de canção de ninar e proferidos com uma reverência gentil, mas completar uma tarefa em 20 minutos sem nem mesmo se esforçar, é uma genialidade verdadeiramente erudita e é por isso que Neil Young ainda é tão amado até hoje com mais de 40 álbuns de estúdio lançados e ainda em atividade realizando turnês no mundo inteiro.
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