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Led Zeppelin: o álbum da banda onde Robert Plant disse que aprendeu a cantar

  • by Brunelson
  • 23 de jun.
  • 3 min de leitura

Não são muitos os vocalistas que nascem com o dom natural para serem incríveis. 


Grande parte desse talento vem de anos de experiência e mesmo que você se considere um presente de Deus para todos os cantores, há um limite para o que você pode alcançar antes que sua voz comece a lhe impor limitações. 


Robert Plant poderia ter sido considerado um virtuoso desde o início de sua carreira sendo o vocalista do LED ZEPPELIN, mas ele acredita que o 3º álbum de estúdio do grupo, "Led Zeppelin III" (1970), foi a 1ª vez em que ele realmente começou a soar como um cantor.


É verdade que Plant também não soava como Bob Dylan (só comparando, sem demérito algum), nos primeiros discos do LED ZEPPELIN, mas ao analisar o catálogo de músicas da banda como "Whole Lotta Love" (2º disco, "Led Zeppelin II", 1969) e "Dazed and Confused" (1º disco, "Led Zeppelin", 1969), a maioria dos artistas só sonharia em cantar com tanta paixão assim, da mesma forma como ficou registrado para a eternidade por Plant.


Afinal, a banda foi inicialmente concebida como uma nova versão do THE YARDBIRDS, então, não era descabido que Plant recorresse às antigas tradições do blues no seu jeito de cantar, especialmente ao interpretar a canção "The Lemon Song" (2º disco).


E assim que os fãs ouviram o álbum "Led Zeppelin III" em seu lançamento, perceberam que algo estava ligeiramente diferente.


Dominado por uma sonoridade mais caseira e acústica, esse 3º disco é um tanto peculiar em seu catálogo. Ainda há ótimos rocks com influências de blues, como as músicas "Immigrant Song" e "Since I've Been Loving You", mas eles agora ficam parelhos a essa nova sonoridade da banda até então, ao lado de composições acústicas e mais leves como as canções "That's The Way" e "Tangerine".


Ao refletir sobre sua carreira, Plant considerou que seu canto nos primeiros álbuns do LED ZEPPELIN era inferior ao que ele fez no 3º disco da banda em diante, dizendo uma vez em entrevista para o jornalista e diretor de filmes e documentários, Cameron Crowe: "Eu gritava demais no 1º álbum. Foi quando parei de gritar um pouco no 2º disco, mas no 3º álbum eu finalmente aprendi a cantar".


Embora fosse uma traição dizer que os primeiros álbuns do LED ZEPPELIN soavam mal, é fácil entender o ponto de vista de Plant em relação à sua diversidade vocal. As músicas desse 3º disco definitivamente representam um afastamento do hard rock clássico dos 02 primeiros álbuns de estúdio, mas apenas alguém que cuidasse bem da voz seria capaz de transitar de músicas como "Immigrant Song" para "Friends" e depois para "Celebration Day", que são logo de cara as 03 primeiras canções desse 3º álbum.


Esse tipo de diversidade provavelmente também contribuiu para o avanço do LED ZEPPELIN em sua carreira. Ainda havia alguns momentos mais lentos e vulneráveis em que Plant já tinha se permitido antes, como na música "Thank You" (2º disco), mas sem a variedade de influências presentes que iríamos escutar nesse 3º álbum. Sendo assim, não dá para saber se eles teriam tido a capacidade de se superarem quando foram gravar o clássico álbum duplo de 1975, "Physical Graffiti" (6º disco).


Mais do que qualquer outra coisa, o disco "Led Zeppelin III" mostra o momento em que Plant passou de ser um vocalista selvagem e inconsequente para um dos mais talentosos de sua época. Naqueles tempos, a maioria dos artistas não se preocupava tanto assim com a técnica apurada sempre que entrava em um estúdio de gravação, mas foi aqui que Robert Plant deixou de ser apenas um cantor de voz potente e se tornou o tipo de cantor que surge uma vez a cada geração.


"That's The Way" (3º disco, "Led Zeppelin III", 1970)


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