Lou Reed, assim como os maiores de sua geração, estava particularmente preocupado em passar sua íntegra visão através da sua arte como vocalista/guitarrista do VELVET UNDERGROUND. Quando ele começou a compor músicas na década de 60 em New York, ele queria que elas abordassem temas que ninguém jamais tinha tido coragem de abordar.
A música é um recurso comum ao qual todos podem recorrer e do qual podem aproveitar o que lhes for útil. E para que tal artista possa lhe proporcionar seu bem estar como ouvinte, eles também se inspiraram em uma ampla variedade de fontes, sendo que a música é uma colcha de retalhos tão intrincada que se você apagasse uma banda ou artista de sua história, por consequência, apagaria também a existência de muitas outras que viriam depois. Há um efeito cascata inerente à música que não se observa na mesma medida em outras disciplinas criativas - um efeito borboleta do c... mesmo.
E um dos efeitos colaterais da música em nosso ser, é a maneira como músicos do mesmo gênero amplo musical costumam elogiar um ou alguns artistas, todos citados como a principal inspiração para a proliferação de diferentes subgêneros e subculturas.
Por outro lado, temos alguns músicos que nos surpreendem totalmente ao romperem com a imagem que criaram para si mesmos na mídia, demonstrando carinho por um artista de quem você não esperaria que eles gostassem, ou até mesmo por alguém que você achava que eles detestariam.
Um exemplo em que um músico "destruiu" completamente sua imagem ocorreu em 1994, quando Lou Reed elogiou Neil Young e que pareciam palavras quase sobrenaturais para um homem conhecido por sua frieza. Reed, conhecido por ter sido difícil e inimigo de jornalistas, uma vez revelou que gostou tanto da forma como Neil Young tocou guitarra na canção "Danger Bird", que lhe fez chorar.
No livro do autor David Downing de 1994, "A Dreamer of Pictures", Reed é mencionado por ter afirmado que considerava a execução de guitarra na músicaC como a melhor que já ouvira: "Me faz chorar e é a melhor que já ouvi na vida. O cara é um guitarrista espetacular, aquelas melodias são maravilhosas, tão calculadas, construídas nota por nota... Ele deve ter se esforçado muito para conseguir aquelas notas. Me arrepia".
Dado que era famoso por seu minimalismo artístico, não é surpresa que Lou Reed tenha ficado realmente tocado pelo trabalho de guitarra de Neil Young na canção "Danger Bird", afinal, é uma de suas composições mais seminais em toda a sua carreira. O mais surpreendente nessa história é o quanto ela emocionou Lou Reed.
Esse é o poder da composição e do trabalho de guitarra emotivos de Young, sendo que a opinião foi corroborada por outra lenda, o guitarrista Link Wray, que descreveu os riffs desta canção como: "É música pura e honesta. Sem frescura".
Metáfora para um relacionamento fadado ao fracasso, a canção é famosa por retratar o término do relacionamento de Young com a atriz Carrie Snodgrass, mãe do seu filho, Zeke. Uma canção comovente sobre Neil Young descobrindo as infidelidades dela, que deixa uma marca em todos que a ouvem.
E é uma prova do seu talento como compositor o fato dele ter conseguido levar o notoriamente estoico Lou Reed às lágrimas.
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