Neil Young: a música que pegou toda sua banda de surpresa
by Brunelson
há 2 dias
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Atualizado: há 1 dia
Você pode confiar em um artista tão comprometido com sua própria visão quanto Neil Young.
E seguindo essa cauda, nos perguntamos quem são os músicos que acompanham Neil Young como banda de apoio em suas turnês e gravação de álbuns de estúdio?
Pegando mais da metade de todo o bolo, a banda CRAZY HORSE é quem mais apoiou musicalmente na carreira de Young, deixando sua história em documentários oficiais de Young e em álbuns clássicos da história do rock'n roll, como "Rust Never Sleeps" (10º disco, 1979), "Zuma" (7º disco, 1975) e "Everybody Knows This is Nowhere" (2º disco, 1969) - o que equivale a somente 01 fatia de todo o bolo.
Sendo uma banda de rock completa por direito próprio e colaborando com Young por toda a década de 70 e a maior parte da década de 80, nos anos 90 vimos o início do mais longo tempo contínuo de colaboração entre Neil Young e a CRAZY HORSE.
E acelerando até 2012, Young começou a etapa de composição no que se tornaria no álbum "Psychedelic Pill" (34º disco), um álbum que firmemente deixou de lado a composição folk melancólica de suas veias e o hard rock escaldante de Young que conhecemos e amamos, em favor de mais uma lufada de ar fresco. Como se o título do disco não fosse uma revelação, este seria um álbum psicodélico completo, um que Young iria chutar o balde cheio d'água e todo mundo iria ficar parado olhando sem entender.
Entre as primeiras músicas concluídas para o disco, estava a peça central de 16 minutos de duração, a canção "Walk Like a Giant". Embora possa parecer difícil acreditar que um grupo de músicos com décadas de parceria e que trabalhou em uma música específica possa se surpreender com ela, o guitarrista da CRAZY HORSE, Frank "Poncho" Sampedro, falou sobre isso em uma entrevista para a revista Rolling Stone.
Ele disse: “Tocamos uma vez e quando nos demos conta estávamos fazendo os overdubs na gravação. Depois, fomos escutar o resultado final e a reprodução simplesmente nos surpreendeu. Não tínhamos ideia de que tínhamos feito algo de tanta duração”.
Não foi só a duração da música que lhe afetaram tanto. Esse também era Neil Young em um modo "gremlin" rabugento e agressivo com o mundo e a canção "Walk Like a Giant" é particularmente fervilhante. Mesmo para os padrões de Young naquela sua idade atual de vida, é um uivo agonizante sobre perceber que o mundo pelo qual você passou a vida lutando nunca será realizado.
E a música foi tão raivosa que até seus colegas da CRAZY HORSE ficaram chocados.
Sampedro concluiu sobre o que ele acha que a canção fala: "Imagino que seja sobre o planeta Terra sendo destruído por esse gigante e estamos examinando o planeta em busca de sobreviventes e essas coisas. Tenho todas essas imagens passando pela minha cabeça e é muito louco".
O guitarrista não está muito longe da verdade. Essa música, que já foi dita pela artista Patti Smith como sua preferida de Neil Young, apresenta versos sobre o preço pessoal de tudo isso, dizendo: "Então, o momento chegou / E o grande céu choveu / E uma piscina de fogo servido em meu desejo".
Sobre um apoio furioso arrancado diretamente do pior verão do amor de uma viagem ruim de ácido LSD, o coração partido se transforma em algo amargo e de indignação, com Young cantando: "Nós podíamos ver isso à distância / Chegando mais perto a cada minuto / Então, nós pulamos dos trilhos / E começamos a falhar".
Liricamente é bem direta, mas o verdadeiro e chocante desespero é melhor comunicado pela parte instrumental da música. Após 12 minutos de uma espirituosa sessão, a banda começa a desacelerar. Com o tempo, o grupo desce para um final que poderia estar pulsando lá no fundo de uma bolsa do gênero metal, enquanto que os feedbacks das guitarras vão lavando toda a lajota encardida.
Um retrato arrepiante de um apocalipse do século 21 e que, pelo menos para nós, fãs, não nos pega de surpresa (longe querer desmerecer algo aqui), sendo lento, mutável e imparável.
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