• by Brunelson

Neil Young: 06 solos marcantes de guitarra


Neil Young é tão respeitado quanto qualquer compositor estelar desse planeta.

No entanto, apesar do seu legado, uma faceta de sua grandeza que o torna um talento especial e muitas vezes cravado como pioneiro, é o seu jeito de tocar guitarra. Essa habilidade é o que ajuda a tornar as suas músicas perfeitas, além de ser um locutor de classe mundial.

Porém e por alguma razão, Young é visto como um guitarrista que causa divisão devido à sua técnica não convencional. Ele não toca pelo livro de regras e sua abordagem estilística selvagem é muitas vezes o motivo de amá-lo ou, de forma notável, tentar descartá-lo.


Muitos argumentam que Young não é um grande técnico pela definição padrão, no entanto, a sua capacidade de expressar emoções em abundância através do seu toque singular de guitarra é incrível e há uma sutileza única em seu estilo.


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Mesmo assim, o beatle George Harrison detestava a música de Neil Young, uma vez dizendo ao jornalista Bob Geldof: "Eu não sou um fã de Neil Young". Então, Harrison continuou a falar cruelmente: "Eu odeio isso, sim, eu não aguento. É bom pra rir. Fizemos uma vez um show com ele, eu estava ao lado do palco durante a sua apresentação e olhei em volta, quando vi Eric Clapton e lhe disse: 'O que está acontecendo?'"

Esse tipo de crítica é como um banho de cachoeira para Neil Young, um músico que não liga a mínima para o que as pessoas dizem sobre o seu estilo único e com 40 álbuns de estúdio lançados, além dos discos ao vivo e coletâneas - o 41º álbum de estúdio já está a caminho conforme noticiado.


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Em 2014, ele concedeu à revista francesa Guitare et Claviers a melhor visão até então sobre como ele deseja que a guitarra seja tocada, quando questionado sobre os seus pensamentos sobre músicos que foram à Escola de Artes e Música para aprender a tocar guitarra.

“Isso lhe daria uma visão bastante triste do seu futuro se olhássemos somente para esta forma, não é? Em primeiro lugar, ninguém se importa se você sabe tocar escalas”, disse ele. “Ninguém dá a mínima se você tem boa técnica ou não. É se você tem sentimentos que deseja expressar com a música, isso é o que realmente importa. Quando você é capaz de se expressar e se sentir bem, então, você sabe por que está tocando”.

Ou seja, você não aprende a tocar como Neil Young sendo ensinado numa escola ou conservatório, o seu estilo é inato para ele, o que o torna tão especial.

Para celebrar a sua grandeza na guitarra, escolhemos 06 solos de guitarra na lendária carreira de Neil Young, procurando ilustrar não os 06 melhores solos de guitarra, mas aqueles que procuram abranger todo o leque de sua versatilidade.

Confira sem ordem qualitativa nenhuma:

Música: "Down By The River"

Álbum: "Everybody Knows This is Nowhere" (2º disco, 1969)

Uma das peças mais interessantes de Neil Young é uma balada matadora de 09 minutos e mostra Young começando a florescer adequadamente como um dos melhores compositores de sua geração.

Mais importante, a música "Down by The River" é inequivocamente um dos melhores momentos de Neil Young na guitarra. Usando a sua velha e fiel guitarra Gibson Les Paul "Old Black", Young dá algumas lambidas lacônicas e ardentes para completar a música.


* Neil Young: as 04 músicas que ele compôs em febre alta e que se tornaram clássicas

A química que ele tem com a sua banda, CRAZY HORSE, é celestial até os dias de hoje, onde aqui eles acompanham e registraram um dos melhores momentos de Neil Young tocando guitarra.


Música: "On The Beach"

Álbum: "On The Beach" (5º disco, 1974)

Outro momento comovente em que Neil Young provou ser um mestre da guitarra foi na cativante canção "On The Beach", que é de cair o queixo.


* Neil Young: relembrando lendário show secreto de madrugada em New York, 1974

A faixa-título do seu 5º álbum de estúdio é uma das peças mais maravilhosamente discretas do cânone de Young. Delicada e com uma certa alegria, a sua guitarra adiciona um tom reflexivo que é incomparável em qualquer outro trabalho de Neil Young, acompanhando e correndo paralelamente ao seu vocal único.

“Eu preciso de uma multidão de pessoas, mas não posso enfrentá-las no dia a dia”, canta um jovem desiludido.


A sua guitarra consegue capturar perfeitamente a natureza desencantada da música e Young se encontra liricamente perdido. Esse jogo sutil consegue adicionar um nível extra de emoção crua à música "On The Beach", o que a torna o clássico frio que é.


Música: "Hey Hey, My My (Into The Black)"

Álbum: "Rust Never Sleeps" (disco ao vivo, 1979)

Tanto a canção "Hey Hey, My My (Into The Black)" e a sua música irmã, "My My, Hey Hey (Out of The Blue)", são de partir o coração sem esforço nenhum. Esta última é uma peça musical absolutamente bela, que não está apenas à altura de tudo o que Neil Young já fez, mas uma das melhores lições que existem na arte de escrever canções.

No entanto, a ideia foi genial de começar esse disco ao vivo com a versão acústica alternativa da música - que formou a narrativa impecável para o álbum "Rust Never Sleeps" - e concluir com a versão mais rockzera da mesma "faixa".

"Hey Hey, My My (Into The Black)" é outro exemplo esplendoroso de Neil Young sendo capaz de transmitir as suas emoções através de sua feroz guitarra. A letra infame da canção ofuscou a aula de guitarra que está aqui em oferta e se tornou enraizada na cultura popular nas décadas que se seguiram, devido ao uso intenso do autor/escritor, Stephen King, na versão original do filme "It" (1990).

O falecido frontman do NIRVANA, Kurt Cobain, também citou as letras dessa música em sua carta de suicídio devastadoramente triste em 1994, uma época em que escreveu a linha condenatória: “melhor queimar / do que desaparecer” em significado trágico.


Música: "Cortez The Killer"

Álbum: "Zuma" (7º disco, 1975)

Embora a destruição do Império Asteca não seja o assunto mais popular para se criar arte musical, isso não impediu Neil Young de apresentar a história de uma maneira sedutoramente encantadora. A natureza fascinante desta canção se origina nas histórias épicas que Young cria com a sua guitarra.

Muitas vezes considerada uma alegoria do estilo de vida selvagem de Young da época, que é um exemplo do tipo de gênio da composição que ele é, a guitarra é o que faz a música fluir de forma tão valente. A instrumentação de Young colhe emoções pesadas do ouvinte, que pode sentir a dor do músico se esvair ao longo dessa música de mais de 07 minutos de duração.

Lou Reed (vocalista do VELVET UNDERGROUND) uma vez revelou sobre esta canção: “Isso me faz chorar... É o melhor que já ouvi na minha vida. O cara é um guitarrista espetacular, aquelas melodias são tão maravilhosas, tão calculadas e construídas nota a nota... Ele deve ter se 'matado' para conseguir essas notas. Isso deixa os meus cabelos em pé!"


Música: "Rockin’ in The Free World"

Álbum: "Freedom" (17º disco, 1989)

É impossível ouvir a canção "Rockin’ in The Free World" sem começar a tocar uma guitarra aérea nas mãos...


* Neil Young: a história e estreia ao vivo da canção "Rockin' in The Free World"

Essa música pode não ter a beleza sutil que está embutida nas outras canções mencionadas nessa lista, mas na superfície é "apenas" um hino total e global às massas do mainstream.

O presidente americano George Bush havia sido empossado no Congresso apenas 04 semanas antes de Neil Young escrever esta lendária canção, na qual ele não deixa muito à imaginação sobre os seus pensamentos à figura recém-eleita.


Este solo é a maneira de Neil Young retribuir à administração que acabara de assumir o poder e mostrar que estava pronto para a luta.


Música: "Like a Hurricane"

Álbum: "American Stars 'n Bars" (8º disco, 1977)


As armas mais subestimadas de Neil Young em seu arsenal continuam sendo a sua habilidade astuta de encontrar um encaixe e se fixar nele.

Na canção ‘Like a Hurricane’, ele faz exatamente isso quando junto com a banda CRAZY HORSE eles saem cavalgando em um tornado de melodias animadas de especialistas que criam esse amálgama de agressão e beleza.

CRAZY HORSE em pleno galope não era um animal que você gostaria de incomodar e para completar, Neil Young chega em seu próprio cavalo xucro para fazer um solo de guitarra para ficar na eternidade.

A música "Like a Hurricane" é uma obra de arte em distorção de Young, que é simplesmente inexplicável - fica a dica para a versão ao vivo lançada no DVD oficial de Neil Young de shows no Canadá e região em 1996.


Confira também as matérias que o site rockinthehead havia feito sobre 06 músicas de Neil Young:


"After The Gold Rush"


"Old Man"


"Heart of Gold"


"Powderfinger"


"Harvest Moon"


"Ordinary People"

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