Neil Young: "esse álbum me deu bastante fé para continuar minha carreira"
by Brunelson
21 de jun.
3 min de leitura
A arte de compor músicas não deve ser sempre sobre alguém encontrar os melhores acordes que já concebeu.
Todos os estudiosos da música podem estar interessados em se aprofundar nas complexidades do som da música, mas a razão pela qual, por exemplo, Bob Dylan obteve sucesso usando apenas 03 acordes e com sua voz enfadonha, foi que as pessoas se identificaram com o que ele cantava, além da estrutura musical tradicional de suas canções e a bela e velha melodia - que não são para todos os artistas.
Qualquer um pode se encantar com uma melodia cativante, mas Neil Young sempre soube que era muito melhor se conectar primeiro com as pessoas que cantavam suas músicas.
E olhando sua discografia, Young nunca teve medo de mostrar às pessoas como se sentia. Às vezes é lindo em álbuns como "Everybody Knows This is Nowhere" (2º disco, 1969), às vezes é de partir o coração em álbuns como "Tonight's The Night" (6º disco, 1975), e há momentos em que é simplesmente engraçado em álbuns como "Everybody's Rockin'" (14º disco, 1983), mas nunca há dúvidas de que ele está fazendo tudo o que quer fazer em todas as fases de sua carreira.
Isso porque nenhum compositor deveria ser encurralado. O objetivo de qualquer grande álbum é ouvir a visão do artista sobre a vida, então, é melhor para um músico ser honesto com suas canções do que dar ao público o que ele acha que eles querem. Se não for assim, você se torna um vendido, e Young teria sido enterrado em vez de ter que se sacrificar para transmitir suas músicas e melodias em suas canções.
Mas quando o público não responde, nunca é fácil para alguém continuar tentando fazer música nova. Há um limite para as vezes em que alguém pode tentar a sorte antes de sentir que está gritando para o vazio, mas com o passar do tempo, Young tem se mostrado mais do que disposto a correr riscos que os fãs admiram, seja o retorno aos seus dias de glória como no álbum "Freedom" (19º disco, 1989) ou a gravação de um álbum inteiro com o PEARL JAM em "Mirror Ball" (23º disco, 1995).
Porém, assim que o novo século começou, Young sentiu que precisava retornar às suas raízes. O álbum, "Are You Passionate" (26º disco, 2002), foi uma tentativa decente de compor algo um pouco mais virado para a soul music, mas quando Young foi gravar o álbum sucessor, "Greendale" (27º disco, 2003), o ícone canadense percebeu que ainda havia espaço para expressar seus sentimentos além de ser uma relíquia do seu tempo.
Segundo Young, foi no álbum "Greendale" que ele sentiu que sua sorte havia mudado, dizendo em sua biografia: "O disco 'Greendale' foi o que me deu fé suficiente em mim mesmo para continuar minha carreira e cantar as músicas antigas. Se não fosse por coisas como esse álbum, eu estaria apenas me reproduzindo e viajando pelo mundo fazendo coisas que já fiz, o que seria muito deprimente e provavelmente fatal".
E justamente com essa nova confiança, Young pensou que ele poderia aumentar um pouco mais a voz enquanto os EUA entrassem em guerra, e quando o álbum "Living With War" foi lançado (29º disco, 2006), ele já tinha o presidente americano George Bush como alvo, chegando a incluir nesse álbum músicas como "Let's Impeach The President". Talvez nem tudo saiu como ele queria, mas o disco "Greendale" foi um bom começo para a próxima fase de sua carreira.
Ainda iriam existir algumas regras sobre para onde ele poderia ir no futuro, mas Neil Young aprendeu uma lição importante ao entrar nos anos 2000. A maioria dos artistas musicais pensam que há apenas uma janela limitada para trabalhar depois de um tempo, mas contanto que você cante o que está no seu coração, certamente haverá algumas novas janelas se abrindo e pessoas por aí que reconhecerão essa honestidade.
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