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David Gilmour: o gênero musical que ele disse que "não achava que tivesse um significado particularmente duradouro"

  • by Brunelson
  • há 13 minutos
  • 3 min de leitura

É preciso muita autoconfiança para descartar um gênero musical inteiro.


Aliás, é preciso muita autoconfiança para descartar um artista específico, porque, muitas vezes, é preciso articular motivos além do típico: "Eu simplesmente não gosto deles" para explicar o porquê. 


Dito isso e deixando de lado os detalhes de sua eterna rivalidade com Roger Waters (vocalista/baixista) no PINK FLOYD, alguns podem dizer que David Gilmour (vocalista/guitarrista) conquistou seu lugar como uma voz de destaque na banda e em carreira solo, especialmente quando se trata do propósito da arte e de como fazer um bom show. 


E às vezes, músicos usam isso como uma oportunidade para satisfazer o público em 1º lugar, mas para Gilmour, isso não condiz a ele: "Não levo em consideração a opinião do público porque isso é a morte da arte, se você quer saber", explicou ele uma vez em entrevista ao jornal Los Angeles Times. 


Uma escolha bastante ousada, mas que faz sentido quando você a considera, pois Gilmour acredita no valor artístico de todo o seu trabalho, e quando algo significa uma coisa específica para ele, é isso que importa. Não se trata do que as pessoas amam ou desejam, mas do que o faz brilhar no palco cantando sobre as coisas que o fazem sentir-se especialmente mágico, e antes de tudo, que seja uma terapia para si, não importando se as pessoas irão gostar ou se irá vender bem.


Talvez seja também por isso que ele odeia o termo "rock progressivo". Para muitos, é provavelmente um dos melhores elogios que se pode receber, especialmente hoje em dia, quando ser progressivo não significa necessariamente aderir a um subconjunto de sensibilidades musicais específicas, mas sim, uma atitude de ultrapassar limites e se libertar das pressões das expectativas estruturais musicais. 


No mundo de Gilmour, ser considerado "rock progressivo" é mais restritivo do que parece, o que é estranho, considerando que o termo representa exatamente o oposto.


Mas essa capacidade de detectar pretensões em todos os cantos da música também é o que provavelmente o coloca em uma boa posição para falar mal de certas eras e gêneros, não apenas porque viveu a maioria delas, mas também porque ele possui uma boa noção do que tem significado e do que não tem. 


E para Gilmour, o que também não possui significado é o punk rock: “Eu achava o punk rock bem animado quando surgiu em meados da década de 70, mesmo assim, não achava que tivesse um significado particularmente duradouro. Também não foi a 1ª vez que isso aconteceu, quero dizer, pessoas sendo incrivelmente rudes, tocando música incrivelmente mal e sendo incrivelmente desagradáveis, sempre foi coisa de adolescente”.


Mas para muitos e assim como a história nos comprova, a abordagem punk rock foi uma lufada de ar fresco para a cena rock da época e que perdura até hoje. 


É verdade, o punk rock não é para todos, independentemente da importância política e social que grande parte dele tenha. Pessoas como Gilmour o veem como nada mais do que um meio para tocar agressivamente sem muita proficiência musical e poder ser chamado de punk por ousar ser barulhento, mesmo que esse tipo de barulheira fosse apenas para gritar sobre a causa e não para algo sonoramente impressionante.


Além de ter sido uma grande pulsão de vida, pois motivou vários adolescentes e jovens a pegar uma guitarra, montar uma banda de rock e ter coragem de subir ao palco para apresentar suas músicas autorais da forma mais simples que fosse.

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