Pink Floyd: as poucas falas da última entrevista de Syd Barrett
by Brunelson
há 5 minutos
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Seria difícil encontrar alguém no meio do rock que dissesse que se arrepende de ter se tornado conhecido ou que desejasse ter desistido de sua vida de fama, fortuna e adoração para se refugiar na reclusão - por mais que alguns deles digam em entrevistas sobre seus descontentamentos com a fama e assédios.
Exceto Syd Barrett.
Depois de apenas quase 01 década de carreira musical como vocalista/guitarrista/compositor original do PINK FLOYD e depois brevemente iniciando uma carreira solo, Barrett optou por dias mais tranquilos, fosse pintando seus quadros, cuidando do jardim de casa e morando com sua mãe.
Claro, isso não significa desconsiderar os problemas de saúde mental que Barrett sofria, um aspecto de sua vida que o considerava um gênio psicodélico aos olhos do mundo, mas que em última análise, acabou com qualquer esperança de levar sua carreira adiante - muito pelo abuso de ácido LSD.
Posteriormente, a aposentadoria e a reclusão de Barrett pelo resto de sua vida certamente lhe apresentou algumas propostas inquietantes, como por exemplo, fãs e jornalistas se aglomerando em sua cidade natal na Inglaterra, Cambridge, o quanto quisessem na esperança de conseguirem dar uma espiada em Barrett. Porém, eles não encontrariam Syd Barrett, o ex-frontman do PINK FLOYD, mas apenas Richard, que era seu nome de batismo, um homem normal que só queria ser deixado em paz.
Isto se refletiu na última entrevista que ele relutantemente concordou em conceder, quando 02 repórteres da revista francesa, Actuel Magazine, o encontraram em frente à casa de sua mãe no ano de 1982, e Barrett, de forma incomum, conversou com eles.
Naturalmente, Barrett não disse muita coisa - ou disse coisas sem sentido: "Não tenho tempo para fazer muita coisa, porque preciso encontrar um apartamento em Londres. Mas é difícil, terei que esperar", explicou ele em algumas de suas falas, sendo que Barrett tinha retornado não muito tempo de Londres.
Os repórteres perguntaram a Barrett se ele ainda tocava música nas horas vagas, tendo retornado recentemente para sua cidade natal após passar um curto período morando em um apartamento em Londres, mas sua resposta foi simples: "Não, eu só assisto TV, só isso". Mesmo parecendo um pouco errático, confuso e à deriva na vida, Barrett estava satisfeito em sua própria bolha, o que era simbólico que outros tentassem estourá-la em nome de sua popularidade pessoal.
Quando os jornalistas pediram para tirar uma foto de Barrett, ele concordou (foto), mas rapidamente encerrou a conversa dizendo: "Ótimo, chega. É doloroso para mim... Obrigado".
Com isso, o símbolo mais triste de toda a experiência surgiu, com Barrett fisicamente atormentado pelas noções da fama, atenção e seu próprio senso de identidade percebido naquela fase da vida. De muitas maneiras, era melhor que ele simplesmente tivesse sido deixado para viver o resto dos seus dias em solidão e paz.
Muito pode ser dito sobre a personalidade e a psique de Barrett quando era um astro do rock, e sobre as tentativas subsequentes do PINK FLOYD de contatá-lo nos anos seguintes, após eles mesmos terem dispensado Barrett da banda em 1968, mas sua entrevista final deixou uma coisa mais clara do que nunca: Syd Barrett não passava de um conceito, uma ilusão, uma máscara que se moldou e se tornou desconhecida para o homem por trás dela ao longo do tempo. Este era apenas Richard, um homem de meia-idade da cidade de Cambridge, que cultivava jardins, pintava e vivia uma vida familiar tranquila.
Gênio psicodélico? Aquela era uma vida completamente diferente agora...
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