Jimi Hendrix: como sua carreira influenciou o fundador da Soft Machine a sair da banda?
by Brunelson
há 7 minutos
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No epicentro da revolução do rock psicodélico que tomou conta da contracultura na década de 60, Kevin Ayers (vocalista/baixista) e sua banda, SOFT MACHINE, se encontravam no auge.
Ayers e seu baterista, Robert Wyatt, fundariam a fusão jazz/rock com o SOFT MACHINE e rapidamente se tornariam famosos em Londres junto com bandas como o PINK FLOYD. Favorecendo jams prolongadas e explorações de forma livre, o SOFT MACHINE se provaria influente na onda do rock progressivo que os aguardava adiante.
Como um raio vindo de Seattle, Jimi Hendrix aterrissou em Londres no final de 1966 e chamou a atenção de todos. Outros maestros londrinos da guitarra como Eric Clapton (CREAM), Jeff Beck e Jimmy Page (LED ZEPPELIN) - todos ex-THE YARDBIRDS - expressaram espanto com sua virtuosidade inventiva. Formando sua banda power trio, Hendrix já era a atração principal do clube noturno Roundhouse em fevereiro de 1967, com o SOFT MACHINE sendo a banda de abertura. Hendrix tinha gostado tanto deles, que levou o SOFT MACHINE como banda de abertura para uma turnê pelos EUA no final daquele ano (foto).
A 1ª vez de Ayers nos EUA foi certamente reveladora, se expondo a um novo reino de hedonismo nos bastidores nunca visto antes em seu país na Inglaterra. Wyatt também se envolveria, desenvolvendo seu apetite voraz por álcool durante essa turnê com Jimi Hendrix.
“Socializávamos muito”, Ayers relembrou para a revista Classic Rock em 2008, falando da camaradagem entre ele e Hendrix. “Jantávamos juntos com frequência e hospedados no mesmo andar no Chelsea Hotel, em New York. Era simplesmente maravilhoso vê-lo nos bastidores e Hendrix gostava da gente porque éramos estranhos, não éramos uma banda pop e não éramos uma ameaça para ele”.
Ayers acrescentou: “Hendrix era uma pessoa adorável, mas muito maltratado pelo seu empresário naquela época e pela indústria musical. Além disso, seus supostos amigos roubaram tudo o que ele tinha, inclusive sua alma. Aquela turnê foi um caso de armas e malas pretas, quero dizer, tudo era pago em dinheiro vivo, o que tornava Hendrix um alvo instantâneo”.
Embora a turnê tenha se mostrado muito divertida, Ayers começou a perceber que a pressão da indústria musical estava afetando Hendrix: "Eu conseguia ver na cara dele como rangia os dentes de dor pelo que tinha se tornado", confessou Ayers. "Ele tinha 03 roadies atrás dos amplificadores durante os shows para segurá-los para não caírem, e depois de sua apresentação, ele me dizia: 'Cara, isso é muita raiva saindo de mim... No que eu me tornei? Por que estou fazendo essa merda?'"
Vendo tudo isso de fora - ainda mais sabendo que existiam certas cláusulas contratuais que anulavam a alegria e verbas financeiras de Hendrix - encorajou Ayers a abandonar a SOFT MACHINE logo depois: "Foi revelador ver todo aquele dinheiro rolando por aí enquanto Jimi Hendrix era enganado. A desilusão dele me fez um favor, tipo, não gostei daquela festa toda e caí fora".
Vendendo seu baixo Fender Jazz Bass branco para Noel Redding, baixista de Jimi Hendrix, Ayers escapou da indústria musical junto com o guitarrista Daevid Allen, da SOFT MACHINE, onde juntos iriam compor a maior parte do seu 1º trabalho solo.
Construindo uma carreira solo de sucesso após a SOFT MACHINE, aquela turnê junto com Hendrix provou ser formativa para Ayers. Revelou o lado nada glamoroso do rock dos anos 60 e garantiu um caminho criativo em seus próprios termos, através de sua certeza artística que encorajaria Ayers em carreira solo.
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