Neil Young: o álbum que as primeiras prensagens saíram com defeito e ele meteu bala a rifle nos discos
by Brunelson
há 2 horas
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Existe um certo estilo de compositor que pode ser introspectivo e reservado, onde para alguns, a própria natureza de ser artista incentiva esse modo de ser.
No entanto, existem alguns artistas que fazem de tudo para ficar à beira dos holofotes, prontos para se lançarem com tudo e sedentos por fama.
O que não é o caso de Neil Young.
O cantor e compositor canadense tem se destacado como um dos representantes mais genuínos do espírito do rock 'n' roll ao longo de suas 06 décadas de carreira vibrante e ainda contando. Um músico que se recusou a ceder à pressão de gravadoras, da MTV e até mesmo do presidente dos EUA, a recusa de Young em se conformar é o motivo pelo qual ele se tornou um ícone cult para artistas grunge e do rock alternativo em todo o mundo, onde ele era rotineiramente chamado de "Padrinho do Grunge" na década de 90.
Mais especificamente, foi o disco ao vivo de Neil Young, "Rust Never Sleeps" (10º disco, 1979), que ajudou a criar este seu apelido, graças à distorção acentuada de sua guitarra nesse álbum. Ele desempenhou um papel fundamental na influência da geração que viria no final da década de 80.
Embora esse disco fosse justamente elogiado por sua criatividade genial e produção ousada, as excentricidades de Young remontam a muito mais tempo.
Antes do lançamento de seu adorado álbum "Harvest" (4º disco, 1972), a história conta que Neil Young perguntou a Graham Nash (ex-companheiro de grupo no Crosby, Stills, Nash & Young) se ele queria ouvir este seu vindouro álbum, que nos apresentaria músicas clássicas na história do rock como a maravilhosa "Heart of Gold", e Nash obedientemente se levantou, pronto para entrar no estúdio para escuta-lo como o bom amigo que era.
Mas não seria dentro do estúdio que Nash iria escutar o novo disco de Young.
Ele relembrou dessa história quando foi entrevistado pelo programa de rádio Fresh Air NPR em 2013: "Fui me encontrar com Neil Young na casa dele e ele me disse: 'Entre aqui nesse barco a remo'. E eu respondi: 'Entrar no barco a remo?' E Young disse: 'É, vamos para o meio do lago'". Sim, a dupla entrou em um barco a remo e foram para o meio do lago que fica bem na frente da residência de Young, com Nash esperando que Young pegasse um walkman ou toca-fitas para tocar o álbum e mostra-lo, talvez, para relaxar em um ambiente super relaxado.
"Mas, não", Nash confirmou. "Neil Young tinha sua casa inteira funcionando como o alto-falante da esquerda de uma caixa de som e o seu celeiro inteiro funcionando como o alto-falante da direita de uma caixa de som. E foi assim que eu ouvi o álbum 'Harvest' pela 1ª vez, saindo daqueles 02 alto-falantes incrivelmente altos, cara... Mais alto do que você possa imaginar e foi inacreditável!"
Porém, mais uma surpresa dessa história ainda estava por vir...
Sem fazer as coisas pela metade, Young também contratou uma ajuda profissional: "Elliot Mazer, que produziu Neil Young e o disco 'Harvest', desceu até a margem do lago e gritou para Young: 'Como está indo, Neil?', sendo que sua resposta se tornou lendária, eu juro por Deus... Neil Young gritou de volta dizendo: 'Mais celeiro!'"
Isto serve para dizer que Young nunca foi do tipo que cede à pressão externa sobre como suas criações deveriam ser recebidas, sendo outro exemplo o álbum "Comes a Time" (9º disco, 1978), que veria a epítome desse desejo se concretizar. Esse álbum pretendia ver Young retornar às suas raízes folk, após passar alguns anos no deserto do rock. Quando o vinil foi prensado e o mundo estava prestes a ouvir Neil Young no modo folk novamente, eis que surgiu um grande problema.
Uma falha foi detectada nas prensagens pelo próprio Young, mas não ficou claro se esses lançamentos poderiam ter chegado às prateleiras como planejado sem que os clientes percebessem. Porém, o que não está em discussão é que a falha foi notada por Young, que pagou do próprio bolso para que aquelas primeiras 200 mil cópias de vinis não chegassem às prateleiras das lojas. Seu pai, Scott Young, mencionou os milhares de discos armazenados em seu livro biográfico, "Neil and Me", dizendo: "Cada caixa de álbuns havia sido alvejada com um rifle por Neil, perfurando cada disco e tornando-os inutilizáveis".
Mas sempre engenhoso, Young não iria desperdiçar nada e usou seus álbuns perfurados a bala para algo útil, assim como ele disse em entrevista para a Revista Rolling Stone em 2014. Seus discos foram usados como telhas para um dos seus celeiros.
Transformar algo que você odiava com paixão em um item genuinamente útil é um arquétipo da engenhosidade de Neil Young.
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