R.E.M: o álbum de Neil Young que fez a banda rejeitar um grande contrato de gravação
by Brunelson
há 5 horas
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Toda banda precisa ter alguma integridade para prosperar na indústria da música.
Qualquer um pode gastar seu tempo se vendendo e tentando o seu melhor para atender à máquina musical durante sua vida, mas aqueles que são colocados nos livros de história são os que vão contra a corrente e colocam suas atitudes e interesses em 1º lugar, ao invés de corresponder ao desejo dos outros.
E embora o R.E.M. nunca tenha sido conhecido por ser a banda mais confrontacional de todas, eles nunca seriam facilitadores quando vissem alguém sendo enganado por algum executivo sem noção de uma gravadora.
Por outro lado, o fato das lendas do rock alternativo terem se tornado uma das maiores bandas do mundo, quase pareceu um acidente. Eles ainda escreveram músicas incríveis em todas as facetas de sua carreira, mas ao olhar para quanta imprensa o disco de estreia, "Murmur" (1º disco, 1983), recebeu quando foi lançado, é chocante pensar que a canção "Radio Free Europe" estava sendo falada na mesma conversa que artistas como Madonna e Michael Jackson.
Mesmo que sua estrela estivesse alta, eles não pareciam se importar. Eles estavam fazendo música em seus próprios termos e nenhuma quantidade de exposição na MTV os impediria de ir ainda mais longe ao gravar seus álbuns posteriores. E enquanto a gravadora Warner Bros. foi capaz de esperar o tempo que fosse para se adaptar ao que os membros do R.E.M. haviam exigido quando foram contratados por eles no decorrer da década de 80 - requerendo domínio próprio em sua arte criativa e deixando de fazer turnês quando bem entendessem - o artista Neil Young nunca teve a mesma chance.
Apesar de ser conhecido como um dos maiores nomes do rock and roll, Young descobriu que escrever obras-primas não era o mesmo que dar as próprias ordens na gravadora. Ele ainda faria o que queria, mas sua gravadora não cederia e não aceitaria quando ele começou a fazer desvios musicais selvagens na década de 80 que não soavam nada como suas clássicas músicas que fizeram seu nome ficar conhecido no mundo inteiro.
Por exemplo, se a nova grande gravadora de Young nos anos 80, a Geffen Records, continuasse pressionando seu artista contratado para lançar um disco de rock que nem era nas antigas - que nesse caso, nos referimos ao álbum "Everybody’s Rockin’" (14º disco, 1983) - seria o rápido dedo do meio de Young de volta para eles.
Claro, ainda foi um álbum de rock, mas dar a eles um projeto tão criminosamente curto que consistia em nada além de músicas rockabilly dos anos 50, ainda se consagra como um dos movimentos mais habilidosos que qualquer astro do rock já tentou "enganar" sua gravadora, praticamente (para a visão da gravadora) gravando um álbum ruim de propósito para passar seu ponto de vista.
Sendo assim, Young se lembrou de ter ouvido anos depois do guitarrista do R.E.M, Peter Buck, que ver a Geffen Records o provocando foi a razão pela qual as lendas do rock alternativo recusaram essa mesma gravadora nos anos 80, com Young dizendo uma vez em entrevista: "O R.E.M. iria ficar com a Geffen Records, então, eles ouviram que eu estava sendo processado por eles e tudo mais, onde eles simplesmente cortaram todo o tipo de contato com a Geffen Records e assinaram com a Warner Bros. Ou seja, a Geffen Records realmente perdeu o R.E.M. por simplesmente me processarem por causa do álbum 'Everybody's Rockin'".
Ainda assim, alguém poderia realmente culpar o R.E.M? Há um milhão de cenários hipotéticos sempre que alguém assina com uma grande gravadora, e se um dos seus heróis estivesse sendo processado estritamente por ser ele mesmo, isto seria um sinal de alerta suficiente para qualquer músico em potencial querer abrir mão dos direitos de suas próprias músicas.
Embora seja difícil pensar em uma gravadora tão gigantesca quanto a Warner Bros. como independente ou alternativa, o R.E.M. pelo menos sabia que tinha um lar ali, olhando para a maneira como músicos como o artista Tom Petty estavam sendo tratados pela Warner Bros.