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Radiohead: "as letras dessa música falam sobre como as pessoas são basicamente pixels em uma tela, servindo inconscientemente a um poder superior"

  • by Brunelson
  • 4 de abr.
  • 5 min de leitura


Após a aclamação unânime da crítica ao seu álbum divisor de águas na história do rock, "OK Computer" (3º disco, 1997), o RADIOHEAD atingiu uma encruzilhada criativa. 


Não conseguindo se sentir entusiasmado pela chuva de prêmios e aplausos que esse álbum lhe atraiu como um ímã de bajulação durante a ressaca do grunge, a pressão que sua nova estatura mainstream lhe trouxe tornou-se grande demais para suportar.


Aceitando que isto alienaria metade da sua base de fãs, o vocalista Thom Yorke evitou as músicas de guitarra como uma praga e optou por mergulhar no jazz experimental e na psicodelia eletrônica bombeada e distorcida para o próximo disco.


Esse desvio inspirado de qualquer coisa que se assemelhasse ao rock, provou ser frutífero, como quando embarcaram nas sessões seguintes de gravação ao álbum sucessor, "Kid A" (4º disco, 2000), onde uma abundância de material foi gravado, o que lhe fizeram lançar 02 álbuns em sequência, ao invés de 01 disco duplo, que foi "Amnesiac" (5º disco, 2001). 


Junto com futuros cortes canônicos como as canções "Pyramid Song" e "Knives Out", outra peça lançada que viu sua inclusão no álbum "Amnesiac" foi a assombrosa música "Dollars and Cents".


Editado a partir de uma jam session de 11 minutos de duração e inspirada pela abordagem de músicos/cientistas experimentalistas, a canção "Dollars and Cents" envolve uma expansão sonora agitada dos chimbais cintilantes do baterista Phil Selway e arranjos de cordas retorcidos, marcando um dos momentos mais assustadores e ameaçadores do álbum.


Pairando sobre os exames líricos de Yorke sobre a alienação atomizada, estava o exame crítico da analista política canadense, Naomi Klein, sobre o domínio do mundo corporativo em um cenário caótico cada vez mais desregulamentado e uma sociedade super consumista desesperada para mostrar o que tem aos outros.


Este exagero corporativo atingiu duramente o guitarrista da banda, Ed O'Brien, durante uma visita à Índia. Testemunhando crianças em uma vila assistindo ao vídeo da música "Lucky" sendo apresentado na MTV, sua alegria inicial logo foi perfurada pelo golpe desanimador após a colocação de um anúncio da Nike logo depois do vídeo, ilustrando que a música do RADIOHEAD era apenas mais um pedaço de forragem de produto na esteira transportadora sombria do capital global.


Thom Yorke havia dito em entrevista para a revista Mojo em 2001, sobre a canção "Dollars and Cents": “As letras são incompreensíveis, mas elas vêm de ideias com as quais tenho lutado por eras sobre como as pessoas são basicamente apenas pixels em uma tela, servindo inconscientemente a esse poder superior que é manipulador e destrutivo, mas somos impotentes porque não conseguimos nomeá-lo. Naquele momento, toda essa coisa do mercado global era uma grande preocupação minha. Eu estava lendo um monte de coisas sobre isso, e isto realmente se tornou uma parte enorme do meu bloqueio como escritor. Parece bobo agora, mas eu não conseguia ver sentido em escrever sobre sentimentos pessoais quando havia outras coisas muito mais fundamentalmente importantes para falar”.


"Dollars and Cents"
































































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