Beastie Boys: lendário estúdio do grupo dos anos 90 em Los Angeles está voltando à vida
by Brunelson
há 2 horas
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Novos proprietários estão restaurando o lendário estúdio de gravação do BEASTIE BOYS para transformá-lo em um espaço para música ao vivo e para a comunidade em geral (foto).
Quando o BEASTIE BOYS se mudou de sua cidade natal, New York, para Los Angeles no final da década de 80, eles já eram uma banda gigante de rap em busca de uma nova vida e de se reinventarem musicalmente. E o que se seguiu foi a produção de algumas de suas músicas mais ousadas e inesperadas, assim como a trilogia de álbuns icônicos e que ficaram marcados na história da música, "Check Your Head" (3º disco, 1992), "I'll Communication" (4º disco, 1994) e "Hello Nasty" (5º disco, 1998).
BEASTIE BOYS iniciou sua transformação sonora logo após o sucesso inicial do seu disco de estreia e multi-platinado, "Licensed to Ill" (1986), gerando outro álbum platinado em 1989, "Paul's Boutique" (2º disco). Sendo assim, o próximo passo exigiria que o grupo criasse raízes em outro local em busca por novos ares, e estabelecendo seu próprio estúdio e gravadora em um canto obscuro em outra cidade.
Em 1990, Adam Yauch (vocalista/baixista), Mike D (vocalista/baterista) e Adam Horovitz (vocalista/guitarrista), encontraram o espaço dos seus sonhos em um salão de dança esquecido, no último andar de um prédio comercial no bairro Atwater Village, em Los Angeles. No andar de baixo funcionava uma loja de materiais hidráulicos chamada Gilson's, mas a segunda e a terceira letras da placa de identificação estavam faltando, o que inspirou o BEASTIE BOYS a batizarem o novo espaço de G-Son Studios.
Quase imediatamente eles começaram a gravar outro álbum inovador, "Check Your Head", onde o grupo voltaria a tocar seus instrumentos com mais regularidade, experimentando agora com o funk rock, jazz, soul music e um pouco do hardcore que eles tocavam na adolescência. O G-Son Studios se tornou um ponto de encontro social, com uma cesta de basquete e uma rampa de skate no salão principal. O local também foi palco de gravações de artistas e bandas como Beck, Run-D.M.C. e outros.
Além do estúdio de gravação, o espaço também servia como sede da gravadora de propriedade do próprio BEASTIE BOYS, a Grand Royal Records, e de uma revista com o mesmo nome.
Somente chegando ao ano 2000, foi quando o BEASTIE BOYS retornou a New York, e o estúdio em Los Angeles acabou sendo assumido pelo DJ e produtor, Diplo, e sua gravadora, Mad Decent Records. Depois disso, negócios surgiram e desapareceram, e sua história musical se perdeu no passado.
Agora, os novos proprietários do espaço estão trabalhando para trazer o G-Son Studios de volta como uma meca cultural, com música ao vivo, dança, exibições, apresentações de DJs, exposições de arte e uso geral pela comunidade.
“Brinco que meu dia ideal aqui seria uma aula de balé pela manhã, uma aula de ioga à tarde e uma banda punk rock à noite”, disse Adam Englander, coproprietário do espaço reaberto. “Quero muito que este seja um espaço que as pessoas possam usar de verdade, mas também um espaço para realizar reuniões do conselho comunitário”.
Ao longo do caminho, Englander e seu sócio, Alex Cherin, descobriram vestígios da vida anterior do G-Son Studios, incluindo um grande mural pintado principalmente pela atriz, Ione Skye, que foi casada com Adam Horovitz. Sua pintura foi preservada em segurança atrás de uma camada de drywall. Também permanece no G-Son Studios um antigo piano de cauda deixado lá pelo tecladista do BEASTIE BOYS, Money Mark. Nas paredes, encontram-se assinaturas antigas dos membros do BEASTIE BOYS e outros artistas e amigos.
Englander afirma que a licença para venda de bebidas alcoólicas está em processo de obtenção, para que o salão principal possa se tornar um local adequado para música ao vivo com capacidade para 150 pessoas. Os novos proprietários já receberam apresentações particulares como da banda MY MORNING JACKET, e palestra/conversa aberta com o produtor e baterista da banda GARBAGE, Butch Vig (e que produziu álbuns de bandas como NIRVANA, SMASHING PUMPKINS, SONIC YOUTH, FOO FIGHTERS e outras).
O plano é modernizar o espaço centenário, tornando-o totalmente acessível para cadeirantes e em conformidade com a Lei de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência, além de adicionar um novo palco, isolamento acústico e outras melhorias.
Englander conversou algumas vezes com Adam Horovitz sobre o local, embora o BEASTIE BOYS não esteja diretamente envolvido na ressurreição do G-Son Studios: “Era um espaço privado, mas muita gente passava por lá”, disse Englander. “As pessoas sempre diziam que aquele era o lugar favorito delas em toda Los Angeles. As pessoas vinham, ficavam por lá e jogavam basquete”.
O tecladista do BEASTIE BOYS, Money Mark, estava lá primeiro como carpinteiro ajudando a construir o estúdio, para só depois começar a conversar com os membros do BEASTIE BOYS sobre música e logo sendo recrutado para tocar teclado com eles. Na música, “Finger Lickin’ Good” (3º disco), Mike D rima uma homenagem: “Tecladista Money Mark, você sabe que ele não está nem aí / É só dar um pouco de madeira para ele e ele constrói um gabinete para você”.
Nos primeiros tempos, foi um projeto prático, com Yauch, Mike D e Horovitz carregando pessoalmente as madeiras, drywall e ferramentas de construção pelas escadas dos fundos. Money Mark contou à revista Spin em 1998 que, em alguns dias durante a produção do álbum "Check Your Head": “Estávamos gravando o disco enquanto ao mesmo tempo construíamos o estúdio. Terminávamos um canto do estúdio, depois montávamos as coisas tudo lá e gravávamos”.
O salão de baile era a sala de gravação ao vivo, com seu piso de madeira polida e paredes revestidas de cortinas para reduzir o eco. Na parede da sala de controle, havia um elegante retrato de um cachorro de perfil. Na escadaria dos fundos, com vista para o beco, o BEASTIE BOYS gravou o videoclipe da canção "Pass The Mic" (3º disco).
O estúdio foi utilizado não apenas pelos artistas contratados da Grand Royal Records, mas também por uma ampla gama de talentos criativos (até mesmo Yoko Ono): “A estrutura era bem improvisada e feita por eles mesmos”, disse o frontman da banda REDD KROSS, descrevendo o estúdio em seus primeiros anos. “Mas os equipamentos eram de qualidade e o lugar tinha uma vibe única. A sala de gravação também era grande o suficiente para conseguir aquele som de bateria tão desejado por John Bonham (LED ZEPPELIN), que o BEASTIE BOYS definitivamente conseguiu com o disco 'Check Your Head'”.
Na época, ele morava no bairro vizinho ao estúdio do BEASTIE BOYS: "Fui a algumas festas lá", lembrando de uma em que Kim Deal, vocalista/guitarrista do THE BREEDERS e baixista do PIXIES, estava presente. "Era como o epicentro de um certo tipo de estética do rock alternativo".
Na pequena área de estar fora do salão de baile, há fotos doadas pelo fotógrafo do BEASTIE BOYS, Spike Jonze, caracterizados para o videoclipe da música "Sabotage" (4º disco), filmado em Los Angeles como um seriado policial dos anos 70. Sobre uma mesa, encontra-se um exemplar do livro autobiográfico do BEASTIE BOYS, repleto de histórias da trajetória da banda, fotos e diversos objetos. Englander o deixou aberto na página que mostra a planta original do G-Son Studios.
“Eu adoraria trazer de volta o máximo de coisas possível”, encerrou Englander, que também é fascinado pela história do salão de baile desde sua inauguração na década de 20. “BEASTIE BOYS é uma parte fundamental e essencial de tudo isso, mas há toda uma outra história que queremos garantir que seja preservada, sabe? Pretendemos ficar aqui por muito tempo”.
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