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  • by Brunelson

Radiohead: resenha do álbum "Kid A"


Thom Yorke, vocalista do RADIOHEAD, possui uma certa expressão dissidente sobre si mesmo.

A sua disposição parece ser de constante escrutínio e cinismo enquanto ele e sua banda se amaldiçoaram e se abençoaram com o grande 1º sucesso, a música "Creep". Desde que esta canção foi lançada no disco de estreia em 1993, "Pablo Honey", tudo o que o RADIOHEAD fez depois foi uma tentativa de escapar da percepção pública e muito real da banda.

Na época, veículos de comunicação estavam chamando o grupo de "01 hit somente", então, RADIOHEAD lançou o 2º álbum de estúdio, "The Bends" (1995), que apresentou um single após o outro e os colocou no topo do totem das bandas do rock alternativo. Eles exploraram a ampla avenida da música em guitarras tão completamente que ainda não a esgotaram, o que consequentemente tornou todos os discos seguintes da banda numa situação de “tudo ou nada”.

O 3º disco, o divisor de águas e clássico "Ok Computer", tornou-se uma continuação lógica do seu álbum antecessor e levou a música de guitarras a um nível totalmente diferente, criando obras-primas marcadas na história do rock.

Em suma, isso os tornou uma banda existencialista por excelência.

O que realmente se destacou para os fãs do RADIOHEAD foi a autenticidade sincera da banda. Não foi apenas uma proclamação pretensiosa de suas muitas máscaras ou uma exibição de sua gama crescente de talentos, mas sim, o que quer que ouvimos no álbum é exatamente o que a banda é e mais especificamente, Thom Yorke, expressando o que estava sentindo.

E para o 4º álbum de estúdio, "Kid A" (2000) - com o benefício do retrospecto nos concedendo contexto e perspectiva - a percepção mudou drasticamente e em plena ascensão.

Na virada do século, Thom Yorke estava cansado de ser famoso e de fazer turnês - ele tinha o suficiente - e Steve Hyden, autor dos livros "This Isn't Happening: Radiohead's 'Kid A'" e "The Beginning of the 21st Century", deixou escrito: “Thom Yorke literalmente não pode escapar do estrelato e ele está tentando fazer isso, então, de certa forma o disco 'Kid A' se torna o veículo com o qual ele tentará sair de lá”.

Yorke e o RADIOHEAD estavam procurando uma fuga e a solução veio com uma mudança radical no estilo de música.

Em divulgação ao lançamento do álbum "Kid A", a mídia anunciava o RADIOHEAD como a banda salvadora do rock. Críticos e fãs esperavam outra continuação dos discos "The Bends" e "Ok Computer" e em vez disso, o álbum "Kid A" é que foi lançado e para a maioria das pessoas causou, no mínimo, uma atenção estática para o que estávamos escutando. Várias notícias diziam que era o ponto mais baixo de sua carreira e que todos podem escorregar mais cedo ou mais tarde...

“O disco 'Ok Computer' foi o álbum que realmente os estabeleceu como uma das bandas de assinatura de sua geração”, explicou Hyden. “E então, eles estavam recebendo muita atenção da imprensa e muita atenção do público naquele momento, e eu acho que como a turnê estava em andamento divulgando o álbum 'Ok Computer', isto começou a desgastar Thom Yorke e ele refletiu isso no disco 'Kid A'”.

Comercialmente, o disco vendeu bem, mas os críticos quase unanimemente concordaram que o álbum era confuso. Os sons do sintetizador torceram alguns narizes e a qualidade geral da produção foi super produzida.

Porém e em última análise, o disco "Kid A" mais do que resistiria ao teste do tempo. Ele previu para onde a música estava indo, o que iria acontecer de 10 a 20 anos depois.


Com isso, a nossa percepção do RADIOHEAD mudou significativamente ao longo dos anos. À medida que lançavam mais álbuns e outros grupos começaram a mostrar a sua influência pelo RADIOHEAD, o álbum "Kid A" começou a fazer muito mais sentido.

Da mesma forma que as pessoas estranharam quando Bob Dylan se tornava elétrico (saindo do acústico/folk), assim as pessoas estranharam quando o RADIOHEAD se tornava eletrônico.

Olhando para trás agora, até mesmo os seus primeiros discos de rock com guitarra são melhores de escutar e tudo faz mais sentido. O álbum "Kid A" envelheceu como um disco de conexão dentro de sua vasta e diversificada discografia e só melhora a cada ano que passa.


Track-list:


1. Everything in its Right Place

2. Kid A

3. The National Anthem

4. How to Disappear Completely

5. Treefingers

6. Optimistic

7. In Limbo

8. Idioteque

9. Morning Bell

10. Motion Picture Soundtrack


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