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Pearl Jam: "a comunicação entre nós na gravação desse álbum estava em seu nível mais baixo", disse o baixista

  • by Brunelson
  • há 2 horas
  • 7 min de leitura

A chave para qualquer grande banda de rock and roll é a boa comunicação. 


Embora possa parecer fácil reunir os maiores artistas em uma sala e esperar que eles apresentem um clássico, nada vai funcionar se eles não tiverem a harmonia necessária ou se começarem com o pé esquerdo antes mesmo de pegarem seus instrumentos. 


Entrar nesse universo musical exige que todos estejam na mesma página, e mesmo para uma banda consagrada e que sempre caminhou sozinha acreditando em seus ideais como o PEARL JAM, eles também tiveram que superar muitas dificuldades de crescimento antes de conseguir lidar com esse tipo de problema.


No início de carreira da banda, você poderia jurar que eles eram como irmãos musicais na maior parte do tempo. O baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard se conheciam desde sempre em Seattle, primeiro tocando juntos no GREEN RIVER, para depois formarem o MOTHER LOVE BONE. E mesmo quando se separaram após a morte do seu vocalista, eles ainda formariam o PEARL JAM e de quebra gravando o único álbum de estúdio do TEMPLE OF THE DOG.


Tudo parecia perfeito para eles e para o PEARL JAM, mas a última coisa que o vocalista Eddie Vedder queria era se tornar um astro do rock. Ele tinha a mesma atitude punk rock de quando era surfista na Califórnia, então, quando eles começaram a ficar famosos rápido demais por causa dos seus 02 primeiros álbuns de estúdio, foi quando o grupo percebeu que as coisas estavam saindo fora do controle e acendendo uma luz de alerta na saúde mental dos seus integrantes. 


E quando a banda percebeu que seu público mainstream não se cansavam deles, foi quando o PEARL JAM lançou seu 3º álbum de estúdio no final de 1994, "Vitalogy", intencionalmente criado para deixar o público mainstream e veículos de comunicação desconfortáveis com sua nova obra.


Analisando o disco inteiro, percebemos que ele está a meio caminho entre ser um dos melhores álbuns que o PEARL JAM já lançou, aglutinado a um projeto eclético de art rock.


Músicas como "Nothingman", "Betterman", "Immortality", "Corduroy", "Spin The Black Circle", "Not For You" e "Last Exit", são joias fantásticas no catálogo do grupo e constantemente sendo tocadas nos shows, mas ainda assim elas vieram acompanhadas por "canções" que teriam feito colegas malucos do rock, como Frank Zappa, dar um grande sorriso - ou então, com certeza teria deixado Kurt Cobain orgulhoso, visto que suas críticas iniciais ao PEARL JAM teriam dado frutos.


Das 14 músicas lançadas no álbum "Vitalogy", 04 delas a gravadora da banda tinha certeza de que eram uma auto sabotagem da banda, vide "Bugs", "Pry To", "Aye Davanita" e "Hey Foxymophandlemama, That's Me".


Através de entrevistas da época e com o benefício do retrospecto, esse era o tipo de reação que Vedder queria, mas nem todos da banda concordaram, com Ament admitindo no livro biográfico do PEARL JAM, PJ20: "Mas agora na época da gravação do disco 'Vitalogy', a comunicação entre nós estava em seu nível mais baixo. Eu respondi como sempre respondi: simplesmente abaixava a cabeça e tocava. Em nosso 1º álbum, 'Ten' (1991), Eddie Vedder nos revelou essas coisas pessoais em suas letras, mas havia músicas nos álbuns 'Versus' (2º disco, 1993) e 'Vitalogy' das quais eu não fazia ideia de onde elas vinham".


Aqui, Ament se refere às composições que já vinham prontas ou semi-prontas por parte de Vedder, completa com os arranjos e letras...


Mas será que dá para culpar Vedder? 


Após o falecimento de Kurt Cobain em abril de 1994, Vedder estava se tornando conhecido e contra sua vontade como a principal persona do rock and roll da época, com ele se afastando passivamente do seu "timing" e dos holofotes, a ponto do PEARL JAM ter criado o álbum "No Code" (4º disco, 1996 - simplesmente o álbum mais experimental da banda até hoje.


"Vitalogy" é certamente um disco fragmentado e possui algumas músicas que deixarão as pessoas boquiabertas (tanto no bom, quanto no mal sentido), se você é um novo ouvinte do PEARL JAM e quiser acompanhar a discografia da banda em ordem cronológica.


Mas também é um álbum que precisava ter sido gravado da forma que foi. 


Todo o trabalho de base e produção comercial que eles fizeram no disco "Ten", poderiam tê-los engolido bem rápido, então, foram álbuns como "Vitalogy" que abriram caminho para que o PEARL JAM pudesse seguir em frente para algo diferente, do seu próprio jeito, no seu tempo de ser, e mais importante de tudo, mantendo a banda sã e viva até hoje, em uma carreira ininterrupta, lotando estádios de futebol e baseball, e com 12 álbuns de estúdio lançados até agora.


"Last Exit" (Disco: "Vitalogy")






































































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