Stevie Ray Vaughan: guia para iniciantes; um lampejo de todos os álbuns de estúdio
by Brunelson
há 1 hora
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Tentar tornar o blues interessante nos dias de hoje é sempre um grande desafio.
Lendas como Robert Johnson, Buddy Guy, Albert King, BB King, Muddy Waters e outros, levaram o gênero a mais direções do que qualquer um imaginava ser possível, então, não adianta tentar voltar à prancheta e querer superar os mestres.
É preciso pensar em algo diferente para se destacar e enquanto alguns usam efeitos na guitarra para transmitir sua mensagem e outros como um dos nossos contemporâneos, Gary Clark Jr., sabe como usar seu bom gosto para tal e ainda sendo singular por conta própria, um certo guitarrista dos anos 80 e apelidado por muitos como o Jimi Hendrix branco, chamado Stevie Ray Vaughan, chegou ao topo das paradas com pura força e deixando seus concorrentes comendo poeira.
Por mais que ele pudesse ter se apegado ao groove em muitas de suas músicas, havia algo quase punk rock na maneira como Stevie Ray Vaughan tocava. Em todos os álbuns de estúdio que lançou, Vaughan - ganhador do Grammy e eleito ao Rock and Roll Hall of Fame - sempre se propôs a ir contra a corrente para querer mostrar ao mundo suas raízes do Estado americano do Texas. E apesar do blues não ter tido grande repercussão na MTV, não demorou muito para que as pessoas reconhecessem a lenda absoluta que ele era por trás do braço da sua guitarra Fender Stratocaster toda surrada.
Mas ao olhar para os poucos discos preciosos que ele gravou durante sua vida, cada um oferece uma visão diferente do que ele estava tentando fazer. Havia algumas músicas que soavam como se ele estivesse tentando atacar suas guitarras, e outras em que ele usava o violão ou se concentrava em seu ritmo criminalmente subestimado, que poderia muito bem virar uma máquina bem lubrificada quando seus colegas de banda o seguia.
E embora nunca tenhamos visto como teria sido sua música após aquele devastador acidente de helicóptero que ceifou sua vida em agosto de 1990, algumas peças de sua autoria sempre serão essenciais para qualquer pessoa, mesmo que minimamente interessada em blues.
O gênero pode ter cedido espaço para outros estilos serem a bola da vez, mas bastam as mãos certas para provar a todos por que tocar blues é uma linguagem universal.
Então, como forma de homenagem a um dos melhores guitarristas de todos os tempos, confira em ordem cronológica todos os álbuns de estúdio de Stevie Ray Vaughan:
Álbum: "Texas Flood" (1º disco, 1983)
Esse álbum de estreia serve como o melhor exemplo de quando um artista deposita toda sua confiança em seus instintos.
Da sua garra na guitarra à apresentação ao mundo, o disco "Texas Flood" tem tudo o que um grande artista de blues rock deve ter. Embora seja o lar do seu single característico, a música "Pride and Joy", os melhores momentos desse álbum são quando ele se desvia para diferentes direções, como começar o disco com a acelerada canção, "Love Struck Baby", ou tocar perfeitamente junto com sua banda de apoio na música "Rude Mood", que só ficaria melhor quando era apresentada nos shows.
E para fechar a sessão com a bela música instrumental, "Lenny", cada canção aqui é o pacote completo de por que Stevie Ray Vaughan era único e por que ele faz tanta falta.
Álbum: "Couldn’t Stand The Weather" (2º disco, 1984)
De forma resumida e com todo o respeito - ainda mais que se trata de um elogio - o álbum "Couldn't Stand The Weather" não passou de mais uma dose dos licks de blues para guitarra mais loucos que alguém já ouviu.
Algumas músicas são um pouco mais leves se comparadas ao 1º disco, como "Cold Shot", mas também há algumas que deixam seu álbum de estreia para trás, como a injeção de adrenalina na canção que abre o disco, "Scuttle Buttin", e a coragem de fazer um cover do clássico de Jimi Hendrix e ainda se dar bem, "Voodoo Child".
Em meados da década de 80, nada impedia Vaughan de se tornar um dos maiores nomes da música.
Tudo estava pronto para ele depois que canções como "Pride and Joy" começaram a estourar nas paradas, e com 02 álbuns lançados, ele tinha o poder de conquistar o mundo se quisesse.
Mas embora o disco "Soul to Soul" ainda seja uma boa dose de blues rock, na sua íntegra, parece que falta um certo fator em algumas músicas.
É evidente que sua execução é excelente, mas tirando canções como "Life Without You" e o cover estelar de "Look at Little Sister" de Hank Ballard, muitas das músicas desse álbum parecem inacabadas ou criadas na correria nos dias de folga no meio das turnês.
O que é perfeitamente perdoável, visto que Vaughan foi um verdadeiro monstro ao vivo e encarar isso como um retrocesso seria um desserviço à música.
Qualquer astro do rock terá sua cota de conflitos internos para lidar e Vaughan não foi exceção.
Uma coisa era tocar como um louco toda vez que subia ao palco, mas depois de anos destruindo o próprio corpo na estrada, ele decidiu finalmente mudar de atitude e se internar em uma clínica de reabilitação para se livrar do vício em bebida e cocaína.
E quando finalmente se recuperou - o que mostra o intervalo de 04 anos sem lançar um álbum - Vaughan fez questão de canalizar cada pedacinho dessa dor de volta para sua música no disco "In Step".
O álbum em si é um caso muito mais sombrio do que seus lançamentos anteriores, mas isso não quer dizer que é ruim. Considerando o quanto o blues é devedor da tristeza e da dor, seus flertes com outros gêneros, como o jazz - entre jams tradicionais - dão às suas músicas mais profundidade a cada audição.
E se ele tivesse lançado mais canções na carreira, talvez pudéssemos ter visto como Vaughan se sairia em comparação a Eric Clapton se um dia ele também fizesse versões acústicas de suas músicas - assim como Clapton faria no Acústico da MTV em 1992.
Desde a morte de Vaughan, seu irmão, Jimmie (também guitarrista), sempre se orgulhou de continuar o legado do irmão.
Ele estava se apresentando nos mesmos locais que seu irmão se apresentava, e se não pudesse tê-lo salvado daquele acidente horrível, sabia que a melhor maneira de fazer o bem ao seu irmão era manter o blues fluindo sempre que tocasse.
E embora o álbum "Family Style" não faça parte da discografia de Stevie Ray Vaughan, tenha sido um lançamento póstumo e possa não estar no mesmo patamar dos seus discos mais conhecidos, é uma beleza ouvir os 02 irmãos fazendo essa parceria.
Comparado a outros álbuns colaborativos de artistas como Eric Clapton e BB King, todos os solos de guitarra aqui no disco "Family Style" parecem mais uma conversa entre irmãos com um respondendo ao outro.
Todos os retoques finais desse disco foram feitos antes da morte de Stevie, então, comparado aos seus outros álbuns de estúdio, esse é o tipo de trabalho feito com amor que mostrou um vislumbre do que poderia ter acontecido se Stevie tivesse decidido adicionar um 2º guitarrista na sua banda - não que fosse necessário.
Nem todo artista de blues é necessariamente conhecido por suas habilidades de composição. Por mais que o blues seja sobre ser autêntico em comparação com seus pares, é muito mais fácil se dar bem tocando material de outra pessoa na maioria das vezes.
Sendo lançado como o último álbum de estúdio de Stevie Ray Vaughan após 01 ano de sua morte - com músicas que ficaram de fora dos seus discos anteriores - é claro que algumas das performances lançadas aqui são incrivelmente brutas ou não foram boas o suficiente para serem incluídas anteriormente, mas quando Vaughan brilha, não importa se a matéria é bruta ou não, o ambiente todo resplandece - assim como sua carreira vinha vindo.
Seja com sua bela interpretação do cover de Jimi Hendrix, "Little Wing", ou a explosão acústica na canção "Life by The Drop".
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