Rick Rubin: quando o produtor escolheu seus álbuns preferidos de todos os tempos
by Brunelson
há 1 hora
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De acordo com o lendário produtor Rick Rubin, concentrar-se apenas no aspecto criativo de um projeto é um “ato devocional”.
O conhecimento intuitivo e a despreocupação de Rubin no estúdio impressionaram inúmeros nomes da música, de Johnny Cash ao SLAYER, possibilitando um ambiente de trabalho que nem sempre se baseia em regras escritas ou diretrizes clássicas.
Aliás, um dos muitos motivos pelos quais as pessoas se sentem atraídas por ele é seu status de guru, que inspira até as mentes mais céticas à grandeza.
Mas sua abordagem não é universal e nem ele espera que funcione para todos. A falta de proficiência de Rubin em teoria musical, padrões ou técnicas comprovadas, pode ser sua salvação em algumas áreas, mas em outras, seu comportamento aparentemente relaxado poderia ser o catalisador perfeito para a falta de produtividade, que também é uma das piores coisas que podem acontecer em um estúdio de gravação que depende tanto de tudo, menos disso.
Apesar das críticas, a mentalidade e a abordagem de Rubin possui um histórico inegável de sucesso comprovado, e se isso já não fosse óbvio em seu extenso currículo, suas pérolas de sabedoria em entrevistas demonstram o quão visionário ele realmente é.
Porém, ele só é assim porque realmente entende o que significa ser completamente imune a julgamentos externos.
Assim como Rubin refletiu uma vez em entrevista para a marca de guitarras da Gibson em 2008: “Meu trabalho é ser verdadeiro comigo mesmo. Quando você me apresenta um trabalho, consigo refletir o que está acontecendo dentro de mim. Com o mínimo de ruído envolvido, estamos criando algo com os nossos corações e almas, e então, compartilhamos com o mundo. E se as pessoas gostam, é ótimo, e se não gostam, não iremos mudar nada, porque tudo foi feito embasado na verdade com os nossos corações e almas. É algo verdadeiro quando estamos gravando e produzindo um álbum”.
Outro fator que demonstra a expertise de Rubin no que diz respeito ao que realmente faz uma ótima música, é a música que ele preza e o porquê. Como muitos inovadores, quando ele fala sobre o que o motiva, as pessoas realmente prestam atenção, então, ouvir tudo sobre seus álbuns e artistas preferidos é apenas mais uma maneira de se aprofundar na essência de um dos maiores pensadores musicais da atualidade.
Nessa entrevista, Rubin listou seus 06 álbuns favoritos de todos os tempos, mas o que se destacou foi o fato de que todos são da década de 70, cada um utilizando o experimentalismo e outros clichês inovadores para realmente oferecer algo novo — algo que ninguém (ou poucos) estava fazendo na época.
E mesmo que as razões para sua preferência por álbuns sejam claras, como o incomparável disco homônimo de estreia do BLACK SABBATH de 1970, Rubin também revelou seu gosto por clássicos, aqueles que levaram o rock a um novo patamar por serem uma versão perfeita do que já era, como o álbum "Highway to Hell" do AC/DC. Em suas palavras, esse último disco é: "Um álbum de rock atemporal e com sonoridade natural".
Talvez essa ideia de um som natural também seja compartilhada por outro dos seus álbuns preferidos, "Entertainment", do GANG OF FOUR, que ele notou por sua "escassez e pela emoção por trás". Mas em vez de se deter no significado real desses elementos, Rubin disse que aprecia a ambiguidade desse disco, finalizando: "Parece que algo realmente importante está acontecendo nesse álbum".
Confira os 06 álbuns preferidos de todos os tempos do produtor Rick Rubin:
Neil Young – "After The Gold Rush" (3º disco, 1970)
BLACK SABBATH – "Black Sabbath" (1º disco, 1970)
AC/DC – "Highway to Hell" (6º disco, 1979)
GANG OF FOUR – "Entertainment" (1º disco, 1979)
RAMONES – "Ramones" (1º disco, 1976)
DEVO – "Q: Are We Not Men? A: We Are Devo" (1º disco, 1978)
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