Pink Floyd: a música que Roger Waters descreveu como “um tema de algum faroeste horrível”
by Brunelson
há 7 minutos
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Sempre que um membro essencial de uma banda sai, haverá um período de adaptação.
Esse foi especialmente o caso do PINK FLOYD, que ficou um tanto sem rumo quando dispensaram seu vocalista/guitarrista/compositor original em 1968, Syd Barrett.
Barrett era o principal compositor da banda e responsável pela composição da maior parte dos primeiros trabalhos do PINK FLOYD. Tudo isso foi escrito durante os primórdios da música psicodélica, quando a política dividia o mundo e as gravadoras optavam por se inclinar para cenários apolíticos e cinematográficos.
Basta dizer que, enquanto o gênero ainda estava se consolidando, muitos fãs de rock torciam o nariz para o som psicodélico por considerá-lo excessivamente complexo sem motivo nenhum. Por exemplo, Jimi Hendrix só ouviu os primeiros álbuns do PINK FLOYD e não era fã do que ouvia.
"Tem uma coisa que eu odeio, cara", disse Hendrix em sua biografia, "quando as pessoas dizem: 'Olha essa banda! Eles estão tocando música psicodélica!' Eles só ficam piscando luzes no palco e tocando a música 'Johnny B. Goode' com os acordes errados. É horrível..."
Alguns membros do PINK FLOYD até concordam com Hendrix nesse aspecto. Quando Roger Waters (vocalista/baixista) falou sobre os álbuns mais famosos do PINK FLOYD, ele criticou seu disco de estreia, "The Piper at The Gates of Dawn" (1967), por achar que a banda estava se esforçando demais para ser experimental em vez de compor músicas genuinamente boas.
"Não quero voltar àqueles tempos iniciais de jeito nenhum", disse Waters na biografia da banda. "Não havia nada de grandioso em nosso 1º álbum. Éramos ridículos, inúteis e não conseguíamos tocar nada, então, tivemos que fazer algo idiota e experimental".
O som que o PINK FLOYD conseguiu alcançar anos depois era algo do qual Waters tinha muito orgulho. A ideia era se afastar de sucessos curtos e fáceis de tocar nas rádios e em vez disso, focar nos discos como um todo, criando histórias complexas e atmosferas avassaladoras ao longo dos seus álbuns conceituais, como "The Dark Side of The Moon" (8º disco, 1973) e "The Wall" (11º disco, 1979).
Sim, demorou um pouco para a banda chegar a esse ponto e conseguir se livrar da sombra dos sons de Barrett, no entanto, foi preciso muita tentativa e erro para que o PINK FLOYD lançasse álbuns que encantassem todos os membros da banda. Mas isto não significou que todos os discos que foram lançados após a saída de Barrett foram ótimos, embora não fossem ruins, mas também não refletiam o melhor que a banda tinha a oferecer.
Um desses álbuns foi "Atom Heart Mother" (5º disco, 1970), que leva o nome de um dos singles principais da banda. A faixa-título reflete bem o lado narrativo do PINK FLOYD, com Waters retomando o riff que David Gilmour (vocalista/guitarrista) havia criado e atribuindo a ele um tema.
Embora possa não ser grande coisa, foi o início de um novo arco para a banda.
"Bem, a ideia surgiu porque David Gilmour criou o riff original dessa música", disse Waters, "e eu me lembro disso muito claramente, sabe? Estranhamente, ele tocou em algum lugar, nós estávamos ensaiando em algum lugar e ele tocou esse riff, e todos nós ouvimos e pensamos: 'Olha, isso é muito bom...' Mas todos nós pensamos a mesma coisa, que era que soava como um tema de algum faroeste horrível. Tinha aquele tipo de... Um leve pastiche, qualidade heroica e lenta de cavalos silhuetados contra o pôr do sol".
Ele concluiu, explicando como eles desenvolveram esse tema de faroeste: "É por isso que achamos que seria uma boa ideia tocar sobre isso com instrumentos de sopro, cordas, vozes e tudo mais. Então, foi por isso que fizemos dessa forma, porque antes soava como uma trilha sonora de um filme muito pesado. Acho que descobrimos... Não tenho ideia de por que erramos no resultado final. Acho que provavelmente fizemos isso porque estávamos... Nos sentíamos bastante inadequados para lidar com isso".
Embora a canção "Atom Heart Mother" possa não ser considerada um clássico do PINK FLOYD, é uma boa representação do período de adaptação pelo qual a banda passou depois que eles dispensaram Syd Barrett.
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