Neil Young: "os críticos vão cagar nesse álbum, pois é propositalmente vulnerável e inacabado"
by Brunelson
há 2 minutos
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A razão pela qual várias pessoas preferem música instrumental, em vez de música eletrônica, é a imperfeição.
Ir a um show de uma banda é um imã que nos puxa justamente pela vulnerabilidade demonstrada no palco e pela ideia de que a performance será ligeiramente diferente do que você está acostumado em sua versão de estúdio, já que será imperfeita e com improvisos.
E no caso de um show de Neil Young, esperamos por aquele timbre de sua voz, que pode ser mais áspera ou mais reativa em uma determinada apresentação, porque é isso que faz com que o show dele se conecte às pessoas.
Embora Young seja lembrado como um dos maiores músicos de todos os tempos, não há dúvida de que muito do seu fascínio reside em sua crueza. A entonação dos seus vocais parece que pode se romper a qualquer momento, desfeita pela avassaladora carga emocional de suas letras. Ou sua guitarra distorcida pode mergulhar em um frenesi caótico e incoerente, mais parecendo cacos de vidro se quebrando, o que mostra Young em seu limite e ameaçando os reinos da perfeição.
Foi o que lhe permitiu perdurar, pois sua ressonância emocional é universal, independentemente da época, década ou contexto político em que tal música foi lançada. Portanto, sua grandeza não se limitou à década de 70, que foi o período de sua chegada ao auge comercial, mas sim, desabrochando novamente na década de 90, quando se aproximava dos seus 50 anos de idade e os executivos da indústria musical se preparavam para o seu pedido de "demissão".
Mas foi quando Young lançou mais uma canção que ficaria lá no alto da prateleira junto com as suas clássicas, que foi a faixa-título "Harvest Moon" (21º disco, 1992), provando que Young ainda era o anfitrião do tipo de melodia que cativa a imaginação dos fãs de música em todo o mundo. Para muitos fãs e críticos, não era apenas a canção perfeita de Neil Young, mas também a canção de amor perfeita. Com letras delicadamente equilibradas e produção impecável, é realmente à prova de balas em termos de qualidades redimíveis.
Naturalmente, isso o jogou de volta na linha de frente das expectativas. Sequências bem elaboradas não eram apenas esperadas, mas exigidas, e assim, no verdadeiro estilo Neil Young, ele refutou todas as exigências. Ele se aprofundou na aspereza da instrumentação ao vivo e criou um disco que, segundo ele, era alvo fácil para os críticos tacanhos que acreditam que a música deve ser impecavelmente elaborada.
E assim, ele retornou aos dias iniciais de suas gravações demo, um cenário distante do brilho do estrelato musical e onde sua verdadeira essência artística se sente mais em casa. Foi quando Young gravou seu 24º álbum de estúdio em 1996, "Broken Arrow", e disse em uma entrevista dias antes do seu lançamento oficial: "Os críticos vão cagar nesse álbum, sabe? Porque eu dei a eles um alvo em movimento, quero dizer, há fraquezas suficientes nesse disco para eles irem atrás dela e... É propositalmente um álbum vulnerável e inacabado, pois eu queria ter um desses na minha discografia".
Esta sua intenção pode ser ouvida claramente no disco "Broken Arrow", que flutua entre as músicas desse álbum ao ouvirmos som de guitarras sendo conectadas a amplificadores e cordas sendo afinadas, o que sem dúvida confere a autenticidade de uma gravação intimista e ao vivo.
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