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The Who: Top 10 melhores performances vocais de Roger Daltrey

  • by Brunelson
  • há 7 minutos
  • 8 min de leitura

Metade do motivo pelo qual ainda falamos do THE WHO hoje se deve a Pete Townshend. 


Por mais que cada membro tenha feito da banda o que ela é, a maneira como Townshend (guitarrista e compositor desde sempre) trabalhou em cada personagem individual de cada álbum que o grupo lançou, transformou cada uma de suas canções em uma experiência artística, das faíscas punk rock da música "My Generation" à grandiosidade de canções como "Baba O'Riley". 


Por outro lado, eles não teriam sido nada sem Roger Daltrey nos vocais.


Embora Daltrey não fosse conhecido como o compositor mais prolífico da banda, sua maior força vinha da forma como ele personificava cada música que lhe era apresentada. O vocalista tinha uma maneira única de assumir um personagem sempre que cantava as obras de Townshend, trazendo uma sensação quase teatral a cada um dos seus shows.


Além de ser um dos vocalistas mais divertidos de sua geração, há muitas linhas vocais que deixaram as pessoas encantadas ao longo dos anos. Dos gritos mais agudos que já emitiu às baladas mais suaves, Daltrey tinha uma força impressionante na maioria dos seus alcances vocais sempre que subia ao palco ou gravava as músicas do THE WHO no estúdio. Não importa a música que ele cante, não há dúvida de que você sempre consegue ouvir a alma de Daltrey quando ele pega o microfone.


Sendo assim, como forma de homenagem, separamos as 10 melhores performances vocais de Roger Daltrey no THE WHO.


Confira em ordem cronológica:



Música: "My Generation" (1º disco, "My Generation", 1965)


Quebrando as portas do punk rock e do hard rock, a canção "My Generation" ainda é um dos hinos imortais do rock and roll, como Townshend escreve e cantando até hoje, esperando "morrer antes de envelhecer". 


Mas nenhum outro membro da banda poderia ter cantado essa música além de Daltrey, cantando com o mesmo caráter desinteressado de qualquer garoto punk em busca de algo melhor do que lhe foi dado ou prometido.


Certamente seu desempenho vocal não é tão chamativo assim, mas a canção "My Generation" sempre foi sobre um sentimento e não sobre uma performance perfeita do começo ao fim, ainda mais que Daltrey canta gaguejando para emular uma pessoa sob efeito de anfetaminas - o que fazia parte do cardápio do THE WHO no começo de carreira.


Música: "So Sad About Us" (2º disco, "A Quick One", 1966)


Um lado frequentemente negligenciado do THE WHO é o quão bem eles intercalaram com as bandas da invasão britânica de sua época na década de 60 - BEATLES, ROLLING STONES, THE KINKS e THE YARDBIRDS. 


Enquanto a maioria desses grupos fazia o tipo de música que visava mesclar com o blues delta americano, Townshend estava compondo canções que abriram caminho para o punk rock e o hard rock nas décadas seguintes.


A música, "So Sad About Us", é uma das canções sobre términos de relacionamentos mais sinceras que a banda já apresentou em toda sua discografia. Aqui, Daltrey não poderia ter um melhor alcance vocal, soando absolutamente derrotado e mesmo sabendo que provavelmente foi ele quem causou o término desse relacionamento.


Daltrey não era visto como o tipo sensível o tempo todo, mas a música "So Sad About Us" é o tipo de encanto que muitas vezes é esquecida em meio aos clássicos de toda a invasão britânica dos anos 60.


Música: "I Can See For Miles" (3º disco, "The Who Sell Out", 1967)


Olhando para o nicho da banda em peças conceituais, o álbum "The Who Sell Out" continua sendo um dos seus discos mais peculiares. 


Sendo o 1º conceito completo que eles experimentaram na carreira, a paródia maluca de rádios piratas intercalando entre as músicas é um momento muito curioso, especialmente nos comerciais encenados que todos os membros da banda apresentam. 


E apesar de apresentar alguns candidatos em potencial a single principal do disco, foi a música "I Can See For Miles" que impressionava os ouvintes quando a ouviram em 1967. A magnitude dos vocais de Daltrey é impressionante, com ele aplicando o máximo de força possível na canção. 


Aqui, o vocalista do THE WHO soa praticamente como um cara durão estoico no meio de um campo aberto, atacando o ouvinte com aquele mesmo olhar matador que poucos atores conseguem impactar em seus melhores momentos.


Embora não fosse atonal ou áspera, esta foi uma das músicas mais pesadas que a banda já havia criado até então, preenchendo a lacuna entre o rock and roll e os vários desdobramentos que viriam depois no gênero. 


Não é de se admirar que Paul McCartney tenha ficado com inveja desta canção na época e criou a música "Helter Skelter" como resposta, conforme ele mesmo já disse em entrevista.


Música: "Christmas" (4º disco, "Tommy", 1969)


Daltrey teve um dos papéis mais enganosamente complicados na composição do álbum ópera rock "Tommy". 


Apesar de Townshend estar ocupado compondo toda a história desse disco conceitual e que ficou marcado na história, muitas das performances vocais de Daltrey nesse álbum o obrigaram a mudar constantemente seu estilo vocal para atender a qualquer personagem que estivesse representando. Isso faz com que muitas músicas se desenrolem como um diálogo e a canção "Christmas" é o mais próximo que a banda chegou de criar uma cena com música.


Ao observarmos o dia de Natal na casa do garoto Tommy, Daltrey desempenha o papel da mãe dele, questionando-se sobre o que se passa na cabeça do seu filho. Como Tommy não consegue expressar emoções facilmente, há um certo anseio na voz de Daltrey com medo de que seu filho nunca encontre a religião e seja condenado ao inferno por não rezar.


Embora a música soe muito mais adequada à produção teatral, Daltrey a interpreta com tanto entusiasmo quanto um artista de um teatro da Broadway, chegando ao ápice em dinâmica quando canta os versos: "See me feel me". 


Com certeza, a voz de Daltrey transformou as visões de Townshend em realidade para a criação do disco "Tommy".


Música: "Go to The Mirror" (4º disco, "Tommy", 1969)


Com um enredo tão complexo quanto do álbum "Tommy", é quase necessário que cada membro da banda cante pelo menos algumas músicas. 


Para tudo o que Daltrey entrega ao grupo, Townshend foi a escolha ideal para narrar diferentes partes do diálogo, onde até o baterista Keith Moon fez um trabalho decente com a trilha sonora insana na faixa "Tommy's Holiday Camp".


E não deixando por menos, chegamos a momentos mais dramáticos quando Daltrey passa de cantor de rock a ator shakespeariano na canção "Go To The Mirror".


Depois que a família decide levar Tommy ao médico para descobrir o que ele tem de errado, Daltrey assume uma dupla função, interpretando o papel do médico e da mãe de Tommy - dependendo da estrofe que estiver cantando. Enquanto o médico cospe diferentes falas sobre não saber o que está de errado com Tommy, Daltrey interpreta a mãe como se estivesse à beira das lágrimas e desesperadamente se perguntando o que realmente está acontecendo na cabeça do seu filho.


Música: "Baba O’Riley" (5º disco, "Who’s Next", 1971)


Esse clássico do THE WHO conta a história de um garoto que vive no futuro e se torna insensível a tudo o que a vida tem a oferecer, sendo que esse é o momento em que todos se libertam e partem para o campo.


Embora Townshend é quem diga a famosa frase: "Teenage wasteland", na verdade, é a voz de Daltrey que você quer ouvir na frente do grupo e liderando o ataque logo depois.


Não há nada além de sinceridade na forma como Daltrey canta, determinado a encontrar o sentido da vida através de notas musicais.


Música: "Behind Blue Eyes" (5º disco, "Who’s Next", 1971)


Desde o 1º dia, sempre houve uma certa raiva borbulhando dentro de Roger Daltrey. 


Seja por causa dos seus tempos difíceis trabalhando nas ruas ou por suas disputas de poder com Townshend, Daltrey nunca perdeu aquela raiva característica que o transformou no cantor mais talentoso de 1965. 


Porém, o importante é equilibrar essa raiva quando se é jovem, e a canção "Behind Blue Eyes" era o som ideal de um homem tentando desesperadamente controlar sua raiva.


A voz de Daltrey transborda de emoção desde o momento em que começa a cantar, sabendo que ninguém conhece a verdadeira pessoa dentro dele por trás de sua muralha de raiva. Assim que se torna quase pessoal demais, o vocalista muda o tom na frase sobre o amor ser vingança, como se fosse para lembrar a todos para que não o pressionem demais.


Fora essa raiva, esta é uma música sobre o vocalista pedindo desesperadamente por ajuda, estendendo a mão para sua amada para ajudá-lo a abrir o punho antes que ele perca a calma.


Muitos artistas tentaram, sem sucesso, parecer reais diante do público (coisa rara já faz algumas décadas), mas quando Daltrey canta versos sobre aquele sujeito triste do título da canção, não há dúvida de que ele está vivendo cada palavra do que está falando.


Música: "Won’t Get Fooled Again" (5º disco, "Who’s Next", 1971)


Enquanto o final do álbum anterior, "Tommy", se desenrolou como uma tragédia grega, o próximo disco do THE WHO seria o som das pessoas tentando encontrar a salvação e que deveria ter terminado com o bem superando o mal e a música se tornando a salvadora da série. 


Embora a clássica canção, "Won't Get Fooled Again", seja tudo isso e muito mais, há muitos outros elementos perturbadores acontecendo por baixo da superfície.


Enquanto Daltrey canta sobre a luta nas ruas, ele também fala sobre as mudanças que estão acontecendo como parte da resistência versus o establishment. No final da música, quando ele se torna a próxima estrela do show, o protagonista percebe que o novo chefe se torna o mesmo que o antigo, enquanto a resistência logo se transforma no mesmo antigo establishment contra o qual lutaram.


E é claro... Aqui temos um dos maiores gritos na história do rock'n roll. Assim que Townshend toca aquele acorde estrondoso na guitarra, a voz de Daltrey nem soa humana, produzindo o tipo de ruído que a maioria das pessoas levaria uma vida inteira para desenvolver. 


Por mais que tenha cantores que tentem imitar esse grito, ninguém chega a esse ponto, ao menos que venha da alma e não da garganta e nem do diafragma.



Música: "The Real Me" (6º disco, "Quadrophenia", 1973)


A próxima fase da carreira do THE WHO sempre seria centrada nos sons de óperas rock. Afinal, funcionou tão bem da 1ª vez com o álbum "Tommy", então, por que não repetir? 


E assim, o disco "Quadrophenia" explode de vez assim que Daltrey começa a cantar a 2ª música do álbum, "The Real Me".


Depois de se aquecerem com a canção "I am The Sea" que abre o disco, a música "The Real Me" apresenta o som mais punk rock que a banda já tinha feito até então, com todos os integrantes em ótima forma enquanto Daltrey conta a história de um cidadão que acha que está lentamente perdendo a cabeça.


Enquanto a maioria das pessoas se atentam à força da seção rítmica (bateria e baixo) que esta canção nos apresenta, podemos dizer que Daltrey pode até superá-la, soando como se estivesse prestes a estourar um vaso sanguíneo da garganta ao cantar cada letra.


Como o vocalista era conhecido por sua aparência rude desde o início do THE WHO, esta é provavelmente a melhor válvula de escape para sua raiva, tornando-se mais conflituosa à medida que ele conversa com seu médico, sua mãe e eventualmente, com você, caro ouvinte. 


O vocal de Daltrey aqui é pura ameaça sonora.


Música: "Love Reign O’er Me" (6º disco, "Quadrophenia", 1973)


Toda história precisa (esperamos) ter um final satisfatório. 


Embora Townshend tivesse certas ideias sobre para onde levaria o álbum "Quadrophenia", fica claro que o personagem Jimmy trilha um caminho sombrio ao longo do disco, acabando por se aventurar no mar em uma tentativa de suicídio. Sentado nas rochas a beira mar e olhando para o céu, Daltrey insufla um último jato de vida em Jimmy enquanto ele grita para os céus.


O que também está entre os maiores gritos da história do rock.


Embora a produção impressionante de Townshend nesta canção esteja entre as melhores de todos os tempos, Daltrey nunca mais realizou esse tipo de acrobacia vocal nos discos posteriores, soando como se estivesse sob um holofote incandescente a noite e olhando para as nuvens em busca de algum tipo de salvação debaixo de uma forte chuva. 


Pode ser a banda de Townshend, mas Daltrey tem total controle sobre o grupo nesses poucos minutos, chegando a desacelerar sutilmente o andamento em um dos versos antes de atingir as notas mais agudas que já alcançou na vida. Quando Townshend aumenta a tensão pela última vez, a história termina com o grito final de Daltrey, enquanto a bateria produz um som estrondoso sob tudo.


Não está claro o que aconteceu com Jimmy naquela noite fatídica no mar, mas dada a convicção de Daltrey ao proferir essas falas no final da música, fica a esperança de que o amor reinou sobre o protagonista.


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