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The Who: "lançar essa música em um disco nosso, era um pouco frívolo para mim", disse o vocalista

  • by Brunelson
  • 15 de abr.
  • 5 min de leitura

Com a banda THE WHO, o talento do guitarrista e compositor Pete Townshend é inquestionável. 


Embora todos os membros do grupo pudessem criar uma melodia cativante, Townshend sempre se concentrava na narrativa mais ampla quando entrava em um estúdio de gravação, sendo pioneiro no tipo de histórias intrincadas do rock and roll que moldariam os álbuns conceituais modernos. 


No entanto, Townshend também enfrentou críticas - tanto externas quanto internas - e o vocalista Roger Daltrey não hesitou em expressar suas reservas durante a carreira da banda, principalmente quando considerou que uma música como "Dogs" não correspondia às expectativas.


Apesar de todos os elogios recebidos por Townshend ao longo dos anos, o THE WHO começou basicamente como um grupo de Daltrey. Depois de fazer algum barulho na cena local de Londres, Townshend acabou se juntando à banda por insistência de Daltrey, acreditando que ele seria bom em criar materiais originais.


Apesar do THE WHO ter inicialmente tentado trabalhar com todos os membros dividindo as tarefas de composição, canções como "Rael" (3º disco, "The Who Sell Out", 1967) e "A Quick One While He's Away" (2º disco, "A Quick One", 1966), indicavam para onde eles seguiriam nos álbuns seguintes. Deixando de lado a maioria dos covers e tons de blues, Townshend criaria músicas que se conectavam em uma única história em álbuns conceituais como "Tommy" (4º disco, 1969) e "Quadrophenia" (6º disco, 1973), enquanto tentava manter a sanidade mental ao compô-las.


Nenhum compositor chega a esse ponto por acidente, e a música "Dogs" foi um exemplo de Townshend demonstrando sua habilidade de compor pelas primeiras vezes. Como o disco de estreia do THE WHO, "My Generation" (1965), apresentou alguns covers de artistas de R&B americanos, a canção "Dogs" foi mais uma tentativa de criar um rock mais imponente que pudesse rivalizar com seus ídolos do blues.


Mas quando o grupo estava no estúdio trabalhando nesta canção, Daltrey não tinha certeza se ela sequer seria mesmo cogitada para ser lançada oficialmente. Embora a versão gravada tenha sido lançada somente como um single isolado em 1968, mesmo assim o vocalista pensou que seria mais adequado se eles tivessem passado essa música para o baixista e um dos fundadores da banda THE FACES, Ronnie Lane, já que ele tinha começado com a banda THE FACES junto com Rod Stewart.


Da perspectiva de Daltrey, a mesma deveria ter permanecido nos cofres da banda sem ver a luz do dia ou sido dada a Ronnie Lane, assim como ele disse uma vez em entrevista para a revista Uncut: "Ronnie era um cara tão simpático e eles eram ótimas pessoas, a banda THE FACES, todos eles. Mas acho que teria sido melhor se Pete Townshend tivesse dado essa música para Ronnie desde o início, porque para lança-la em um disco do THE WHO, era um pouco frívolo para mim".


Considerando a época em que a canção "Dogs" foi lançada, faz sentido que Daltrey não tenha sido tão gentil com ela. Como a peça inteira é pensada para ser operada em um estilo blues, é difícil levá-la a sério quando é cantada pelas mesmas pessoas que foram responsáveis por fazer alguns dos rock mais vanguardistas de sua época 01 ano antes, como a música "I Can See For Miles" (3º disco).


Em contrapartida, o THE WHO só progrediria a partir da canção "Dogs", eventualmente se tornando mais extravagante tanto no estúdio quanto nos shows, transformando suas músicas em exercícios gigantescos a cada vez que subiam ao palco. 


De certa forma, a música "Dogs" nunca foi pensada para ser a nova ou constante direção musical do THE WHO, mas sim, foi um aceno de despedida ao seu antigo som, mostrando que os próximos anos certamente seriam muito mais emocionantes.


"Dogs"



















































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