The Who: "as gravações desse álbum foram tensas e até levei um soco de Roger Daltrey", disse o guitarrista Pete Townshend
by Brunelson
18 de dez. de 2025
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Atualizado: 20 de dez. de 2025
Para qualquer banda de rock and roll, o momento quando todos estão em um estúdio para gravar um novo álbum costuma ser tenso.
Como todos querem fazer as melhores músicas possíveis, geralmente é preciso que todos se esforcem ao máximo para garantir a melhor performance na gravação final.
E embora o guitarrista Pete Townshend possa ter sido o cérebro por trás de todas as obras-primas do THE WHO, um dos seus discos marcantes provocou muita discussão no estúdio.
Por outro lado, o THE WHO e a violência não era necessariamente uma dupla incomum. Ao contrário de artistas que queriam levar a música adiante e tocar para qualquer um que os ouvisse, Townshend desencadeava a guerra sempre que subia ao palco, muitas vezes em uma batalha furiosa com seu instrumento que culminava com ele quebrando a guitarra ao final de cada show.
Mesmo que Townshend tenha colocado a maior parte de sua raiva na música, ele também começou a pensar na declaração dos seus álbuns como algo a mais do que uma coleção de canções. Desejando contar uma história ao longo de um disco conceitual, o álbum "Tommy" do THE WHO (4º disco, 1969) se tornaria uma das primeiras óperas rock amplamente aceitas, com Townshend enquadrando a história de um menino surdo, mudo e cego que é um mestre na máquina de pinball e aprende a se comunicar com sua família através da música.
Com o passar do tempo, Townshend passaria os anos seguintes aprimorando a história de sua próxima ópera rock, que foi o álbum "Quadrophenia" (6º disco, 1973). Contando a história sob diferentes perspectivas, Townshend apresentaria seu projeto mais ambicioso até então, apresentando vários instrumentos orquestrais e paisagens sonoras imponentes ao longo de sua duração.
Porém, mesmo que todo o grupo tenha conseguido compreender melhor a formação e constituição de um disco conceitual, o vocalista Roger Daltrey se arrependeu da forma como o álbum "Quadrophenia" estava sendo mixado. Ao contrário do método tradicional de gravação, Daltrey acha que ter usado a abordagem quadrifônica na produção desse disco nunca funcionou completamente.
Depois de reclamar que sua voz ficava em 2º plano em relação aos demais instrumentos, Daltrey frequentemente discutia acaloradamente com Townshend sobre o rumo que a banda deveria tomar. Embora as coisas permanecessem cordiais no estúdio (na medida do possível), o guitarrista se lembra de quando Daltrey perdia a paciência.
Relembrando aquele período, Townshend falou de Daltrey brigando com ele no estúdio, dizendo uma vez em entrevista ao site Louder: “Roger Daltrey me deu um soco uma vez nas gravações do álbum 'Quadrophenia', mas tenho certeza de que eu pedi isso mesmo... E ele poderia ter me matado, pois ele me deu um soco bem forte, sabe? Por sorte, só perdi a memória por 01 ou 02 horas. Depois, ele voltou a ser muito gentil comigo. Roger e eu tivemos nossas brigas, mas ele é uma pessoa boa e amorosa. Eu sabia disso na época e estou mais ciente agora, mas nós 02 estávamos sob uma tensão incrível na gravação desse disco”.
Essa também não foi a 1ª vez que Daltrey conseguiu confrontar suas tendências violentas. No álbum anterior, "Who's Next" (5º disco, 1971), a música "Behind Blue Eyes" mostra Daltrey lidando com seus problemas de raiva, com Townshend escrevendo o verso sobre precisar de alguém para ajudá-lo a abrir o punho de Daltrey quando ele perdia a calma.
THE WHO ainda continua em atividade e toda sua carreira foi prova de sua resiliência inabalável como músicos. Apesar de suas diferenças criativas e ressentimentos pessoais, o grupo ainda prospera com seu vocalista e guitarrista originais.
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