The Who: por que o vocalista Roger Daltrey não quis cantar a música "A Legal Matter"?
by Brunelson
há 9 horas
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À medida que a invasão britânica dos anos 60 começou a se estender para os EUA, o THE WHO rapidamente se tornou um dos maiores nomes da música.
Embora não tivessem a mesma credibilidade comercial conferida aos BEATLES ou ROLLING STONES, a abordagem única do guitarrista Pete Townshend para compor repercutiu em milhões de pessoas que buscavam mais do que o rock and roll tradicional.
E embora o vocalista Roger Daltrey tenha servido como tradutor emocional das palavras de Townshend, houve uma música que o vocalista na época não aceitou levar os vocais, deixando a função para Townshend.
Quando a banda se formou, Daltrey e Townshend não se deram bem desde o início. Embora Townshend visse potencial em ter alguém como Daltrey na liderança, ele diria mais tarde que tinha dúvidas sobre as habilidades vocais do vocalista, o que o levou a cantar em algumas músicas lançadas pelo THE WHO.
O que Daltrey não conseguia oferecer em vigor vocal, ele mais do que compensava com seu potencial como frontman. Criando o arquétipo do que muitos consideram o frontman rockstar, Daltrey era conhecido por segurar o microfone pelo cabo e ficar girando-o a grandes alturas, chegando ao ponto em que você nem conseguia mais ver o microfone.
E quando a banda entrou no estúdio para gravar seu 1º álbum em 1965, "My Generation", uma das músicas de Townshend estaria prestes a lançar as bases para a história do rock'n roll. Tornando-se um hino, a faixa-título fez uma análise aprofundada do que estava acontecendo com a sociedade nas ruas, com Townshend extraindo o mínimo de acordes possíveis na maior parte da música.
Além desse disco lançar seu maior sucesso na carreira, grande parte dele estaria repleto de canções remanescentes dos tempos do THE WHO quando eles ainda eram uma banda de garagem e se apresentando em locais minúsculos nos becos de Londres. E uma destas canções lançadas no álbum foi "A Legal Matter", onde Townshend tinha mergulhado em território sério pela 1ª vez e sendo uma das primeiras músicas que a banda tocava no início.
Townshend criou uma canção que gira em torno de um homem que queria voltar para sua antiga paixão, mas sabia que teria problemas com a lei se ele voltasse. Embora Townshend tenha assumido a melodia vocal da música, Daltrey mais tarde diria o porquê dele não ter aceitado cantar esta canção.
Naquele momento, Daltrey estava passando por seus próprios problemas legais, achando mais adequado que Townshend a cantasse, dizendo na biografia da banda: “Eu estava me divorciando na época e teria sido mais pessoal se eu a cantasse. Sabe, nunca pensei em quais músicas Pete e eu poderíamos cantar. Se ele quisesse uma música, eu diria: ‘Ótimo, cante você, pode ir’. Eu não iria interferir no ego dele, o que irritaria ele um pouco, então, nunca discutimos sobre isso e eu nunca o questionei”.
Com o passar dos anos, não havia como contestar o talento de Daltrey como cantor. Com Townshend compondo mais peças operísticas, como os álbuns "Tommy" (4º disco, 1969) e "Quadrophenia" (6º disco, 1973), Daltrey se tornaria um dos vocalistas mais talentosos tecnicamente de sua época, colocando sua voz em um turbilhões sonoros que ficaram marcados na história.
Townshend pode ter sido o coração pulsante e principal compositor por trás do THE WHO, mas sem Daltrey cantando, a banda não teria sido tão bem-sucedida do jeito que foi.