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Ben Shepherd: a arma secreta do Soundgarden

by Brunelson
há 5 minutos
4 min de leitura

Ele não é um nome conhecido por todos, nem mesmo entre os fãs mais fervorosos do grunge dos anos 90, mas para o público mainstream que viu ele ser eleito ao Rock and Roll Hall of Fame em 2025 junto com seus colegas de banda do SOUNDGARDEN, o baixista Ben Shepherd é um dos destaques das partes que constituem o todo em uma das melhores bandas de todos os tempos.


Pra começar, SOUNDGARDEN foi uma banda meio "azarona" quando o grunge explodiu no começo dos anos 90. Sempre aclamada pela crítica, com sucesso comercial e sendo uma das primeiras bandas de Seattle e região na década de 80 da cena embrionária que iria gerar o grunge na década seguinte ao mainstream, logo quando o grunge explodiu em 1991, SOUNDGARDEN não foi lançado de primeira na catapulta comercial da coisa, esperando a sua vez para reinar soberano após o NIRVANA consolidar seu 2º álbum de estúdio, "Nevermind" (1991), e após o alcance global de PEARL JAM e depois o ALICE IN CHAINS - quem viveu aquela época sabe que a ordem foi exatamente essa.


Sem contar que das bandas grunge, SOUNDGARDEN era a que apresentava o som mais estranho, com contratempos, solos decapitados e afinações exóticas e inventadas, mas devido ao poder e beleza do vocal de Chris Cornell, este era o elo perfeito para que o som da banda mesmo assim caísse nas graças do público mainstream.


E por falar em "azarão", podemos citar o baixista do SOUNDGARDEN, Ben Shepherd - pelo menos desde que entrou para a banda como substituto permanente do baixista original, Hiro Yamamoto, em 1990. Na época, Shepherd era guitarrista (quase entrando para o NIRVANA na década de 80) e tinha pouca experiência com o baixo, mas impressionou o resto do grupo tanto por sua criatividade quanto por sua capacidade de assimilar elementos técnicos.




Quando o SOUNDGARDEN entrou em sua era de ouro com os lançamentos dos álbuns "Badmotorfinger" (3º disco, 1991), "Superunknown" (4º disco, 1994) e "Down on The Upside" (5º disco, 1996), Shepherd era geralmente o cara que recebia menos atenção em uma banda repleta de gênios - diretores técnicos em que todos eram autores de canções. 



E é difícil argumentar que isso era uma injustiça. Chris Cornell, obviamente, já figurava entre os maiores vocalistas de sua geração, o baterista Matt Cameron era uma metralhadora humana atrás da bateria e acabaria passando a 2ª metade de sua carreira na mesma função com o PEARL JAM, e o guitarrista Kim Thayil era frequentemente creditado como o arquiteto do som sombrio da banda, com suas afinações não ortodoxas através de riffs pesados ​​e distorcidos servindo como contraponto aos vocais poderosos de Cornell.


Ben Shepherd, no entanto, não era apenas um mero acompanhante desse trio intimidador. Como Thayil observou no livro do autor Greg Prato de 2009, "Grunge is Dead: The Oral History of Seattle Rock Music", Shepherd deu à banda "um impulso criativo e emocional" desde o início. Isso incluiu apresentar a Thayil algumas daquelas afinações de guitarra incomuns e também trabalhar com Cornell nas composições, trazendo ideias inovadoras para a estrutura das músicas, bem como letras originais em alguns casos.


Shepherd foi co-autor de um dos singles de sucesso do grupo, a música "Jesus Christ Pose" (3º disco), mas suas maiores contribuições geralmente surgiam nos cantos menos comerciais daqueles álbuns clássicos do SOUNDGARDEN, nas canções que davam aos discos uma atmosfera mais interessante, desvinculada de suas raízes mais tradicionais do hard rock dos anos 70.


"Jesus Christ Pose"


Outros exemplos de Shepherd. Pense na ameaçadora música "Head Down" (4º disco) com uma bateria que até hoje não consigo adivinhar a hora certa em que Cameron vai tocar na caixa, ou a experimental psicodélica canção em que o próprio Shepherd canta, "Half" (4º disco), ou possivelmente nos dois momentos mais extremos do 5º álbum da banda, a bela e melancólica música "Zero Chance" e o punk rock gritado e completamente grunge na canção "Ty Cobb".



"Head Down"


"Half"


"Zero Chance"


"Ty Cobb"


A música "Switch Opens" (5º disco) talvez seja a demonstração mais satisfatória do SOUNDGARDEN como a versão de rock progressivo da banda, sem contar as contribuições de Shepherd para o álbum de retorno do grupo de 2012, "King Animal" (6º disco), que não foram menos vitais, já que ele escreveu ou co-escreveu 06 das canções desse álbum, incluindo o single principal, a música "Been Away Too Long", e outro destaque do disco, a canção "Non State Actor".


"Switch Opens"


"Been Away Too Long"


"Non State Actor"


Shepherd, que travou suas próprias batalhas contra a depressão e o abuso de substâncias após a separação do SOUNDGARDEN em 1997, era excepcionalmente habilidoso em explorar os mesmos tipos de turbulência interna e tons sombrios que ressoavam com o igualmente atormentado Cornell, e parecia esperançoso de que haveria mais oportunidades para reformar esse vínculo após o sucesso do álbum "King Animal".


"Penso todos os dias em músicas que gostaria de ver Matt na bateria, Chris cantando e Kim na guitarra", disse Shepherd ao jornal Press of Atlantic City em 2013. "Penso em coisas estranhas para o SOUNDGARDEN o tempo todo e espero que, em breve, possamos gravar mais. Esses 03 caras da banda são tão criativos que não há como pará-los, sabe? Há a realidade e os imprevistos da vida, e você só precisa aceitar do jeito que vier".


A morte de Cornell acabou de vez com qualquer esperança de uma continuação adequada dessa história, mas quando vimos o SOUNDGARDEN ser eleito ao Rock and Roll Hall of Fame em 2025 com a vocalista Taylor Momsen da banda THE PRETTY RECKLESS cantando, esperamos que essa história tenha continuidade, ainda mais que a mesma formação se apresentou recentemente no intervalo de um jogo de futebol americano em Seattle.


"É só rock and roll", finalizou Shepherd. "Nunca fomos grunge. Somos apenas uma banda de Seattle".



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