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  • by Brunelson

Soundgarden: Top 22 melhores músicas da banda


SOUNDGARDEN estava no exato momento da vanguarda do movimento grunge, na cidade de Seattle em meados dos anos 80.

O guitarrista Kim Thayil e o vocalista/baterista Chris Cornell, formaram o eixo central da banda em 1984 com o baixista original, Hiro Yamamoto, sendo que o baterista Matt Cameron chegaria algum tempo depois para que a banda gravasse o seu EP de estreia em 1987, "Screaming Life".

Lançando ainda os 02 primeiros álbuns de estúdio com Yamamoto no baixo, "Ultramega OK" (1988) e "Louder Than Love" (1989), foi somente em 1990 que o baixista Ben Shepherd completaria a formação definitiva do grupo, gravando os álbuns que realmente tornaria o SOUNDGARDEN um grupo massivo ao mainstream, "Badmotorfinger" (3º disco, 1991) e "Superunknown" (4º disco, 1994), reivindicando o estrelato ao lado dos vizinhos como ALICE IN CHAINS, PEARL JAM e NIRVANA, como o famoso som de Seattle que conquistou o mundo.

Sempre soando mais pesado e com novas experimentações psicodélicas, com o álbum "Down on The Upside" (5º disco, 1996) a banda apresentou musicalidade e conteúdo lírico que era indiscutivelmente mais estranho e sombrio do que qualquer coisa explorada durante o apogeu do grunge.

Em 1997, eles se separaram, com o baterista Matt Cameron oferecendo a explicação na época de que eles foram “devorados pelo show bussines” por serem uma das maiores bandas do planeta.


A ideia de uma reunião viria em 2010, onde o grupo lançou o excelente álbum "King Animal" em 2012 (6º e último disco).

Quando o SOUNDGARDEN estava em plena turnê e já tendo iniciado as sessões de gravação do seu 7º álbum de estúdio, Chris Cornell viria a falecer após um show da banda no Fox Theatre na cidade de Detroit, no dia 17 p/ 18 de maio de 2017, interrompendo e deixando em mãos judiciais o vindouro disco, com os fãs e crítica comentando sobre como era notável que o SOUNDGARDEN ainda expressasse o antigo fogo das antigas.

Fui escrevendo, escrevendo e quando vi tinha selecionado 22 canções, então, vai o Top 22 melhores músicas do SOUNDGARDEN, esta que foi a 1ª banda do recinto grunge de Seattle que iria assinar um contrato com uma super gravadora - e é claro que o seu legado viverá para sempre...

Confira a lista em ordem cronológica:


Música: "Hunted Down”

Álbum: "Screaming Life” (1º EP, 1987)

Quando o SOUNDGARDEN retornou do seu hiato em 2010 (desde 1997 separados), a canção "Hunted Down" e outras desta época foram revisitadas em alguns shows da banda, provando como elas ganharam corpo e atemporalidade junto com o poder vocal de Chris Cornell e a banda.


Isto pode ser corroborado com o vídeo que separamos abaixo, de uma apresentação do grupo num programa de auditório da TV americana em 2010.


A música “Hunted Down” é o SOUNDGARDEN em sua essência, com um riff matador, letras enigmáticas e metafóricas, como: “Eles te viram ontem enquanto você saía / Agora eles correm para te caçar / Cães lideram a caçada enquanto você está sangrando”.


Música: "Beyond The Wheel”

Álbum: "Ultramega OK" (1º disco, 1988) Aqui vai uma breve resenha para falar somente desta canção...


Primeiro e acima de tudo, o timbre da voz de Chris Cornell. É incrivelmente extensa e está implementada em muitas de suas canções por rosnar profundamente em altas escalas.


A música "Beyond The Wheel" é um ótimo exemplo disso - especialmente a versão ao vivo. Enquanto que Kurt Cobain, Eddie Vedder, Scott Weiland, Billy Corgan e Layne Staley foram as outras principais vozes de assinatura da era grunge - e todos apresentando os seus próprios estilos distintos de canto – a nitidez e o alcance vocal de Cornell fazem dele o mais extraordinário de todos tecnicamente falando. "Beyond The Wheel" é uma das melhores canções que a banda já tocou ao vivo. A introdução trovejante da guitarra, a batida rastejante e os vocais de Cornell - que vão de um grunhido a um grito e de um grito que chora - simplesmente são impactantes.


Assim como na música "Hunted Down", separamos uma performance do SOUNDGARDEN de quando haviam retornado do seu hiato em 2010, desta vez, no lendário e pequeno pico de Seattle, o Showbox. Somente para comprovar a indelével performance da banda e do vocal de Chris Cornell.


Embora suponha que a maioria dos fãs do SOUNDGARDEN conheçam esta música, o resto do mundo também precisa conhecer. A 1ª vez que ouvi esta canção, lá em 1991, realmente me espantou positivamente ao escutar o seu vocal, me fazendo crer que Chris Cornell era o que tinha a melhor técnica vocal das bandas de Seattle – e uns dos melhores da história do rock. Em um show do SOUNDGARDEN em Jacksonville, Flórida, no dia 29 de abril de 2017 (semanas antes de seu falecimento), Cornell fez algumas observações ousadas sobre pessoas ricas antes de tocar a canção “Beyond The Wheel”.

“Este é um exemplo da nossa juventude em nosso país, nosso governo e todos os governos que mandam jovens para a guerra. Nós éramos jovens quando escrevemos essa música. Na época, não queríamos que nossas vidas fossem interrompidas para que pudéssemos sair de casa e talvez morrer, somente para fazer mais pessoas ganharem dinheiro sobre coisas que não sabíamos". "Nós nos demos bem na música, mas honestamente, nos últimos 30 anos eu não sou realmente amigo de ninguém que é bilionário ou que possui um negócio que vale mais do que todos nós juntos e que não dê a mínima para todos nós (banda e público), então, é sobre isso que essa música fala". "É sobre pessoas, pequenos grupos de pessoas com muito dinheiro e que não davam a mínima para mim, e eles não dão a mínima para você”. Nesta turnê final do SOUNDGARDEN, os fãs perceberam que Cornell soltava comentários pesados e tristes durante as músicas, em contraste com os comentários positivos e alegres que vinha soltando nos shows desde o retorno da banda em 2010.


Música: "Hands All Over"

Álbum: "Louder Than Love" (2º disco, 1989)


Em 1989, SOUNDGARDEN assinou contrato com uma grande gravadora e é seguro dizer que mesmo assim o grupo entregou um disco do jeito que eles queriam com o álbum "Louder Than Love".


Esse disco continua a ser surpreendente em quão confiante ele soa, com performance vocal grandiosa de Chris Cornell em músicas como "Ugly Truth", "Hands All Over" e "Loud Love".


Aqui é possível perceber o SOUNDGARDEN crescendo em criatividade, composição e expandindo os horizontes - "Hands All Over" não ficaria deslocada se fosse lançada em qualquer álbum da banda nos anos 90.


Música: "Loud Love"

Álbum: "Louder Than Love" (2º disco, 1989)


Este álbum já foi dito, tanto pelos guitarristas do JANE'S ADDICTION, Dave Navarro, e do METALLICA, Kirk Hammett, que foi o disco onde eles conheceram o SOUNDGARDEN e lhes fisgaram de imediato - com o riff da clássica música do METALLICA, "Enter Sandman", tendo sido inspirado por Hammett através da audição do álbum "Louder Than Love" do SOUNDGARDEN.


Uma das canções que também se destaca no disco é "Loud Love", uma música clássica ao estilo do SOUNDGARDEN com a sua levada pesada e arrastada.


Música: "Outshined"

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)


Eu nunca vou esquecer da primeira vez que ouvi a canção "Outshined" lá em 1991, com aquele videoclipe na MTV...


Eu não acho que uma citação melhor pode explicar adolescentes angustiados e perdidos emocionalmente, quando uma parte da letra diz: "Eu estou parecendo Califórnia / E me sentindo Minnesota". Esta frase chegou a Cornell quando ele estava de péssimo humor se olhando no espelho - embora a sua carreira parecesse estar indo muito bem, a realidade da sua vida e das suas emoções eram o oposto completo.


“Nunca fui realmente biográfico em minhas letras”, disse Cornell certa vez numa entrevista para a revista Details Magazine em 1996. “Então, quando escrevi uma frase como: ‘Eu estou parecendo Califórnia e me sentindo Minnesota’, foi algo simplesmente revigorante pra mim”.


“Não sei como todo mundo se sente”, acrescentou Cornell, “mas definitivamente passo por períodos de extrema autoconfiança e sentindo que posso fazer qualquer coisa. Talvez um fã sinta isso, quando faço uma performance e a imagem do herói apareça a ele, mas então, alguém vai me dizer algo, por mais insignificante que seja, ou eu coloco algo na minha cabeça e de repente estou caindo na direção oposta, me sinto um pedaço de merda e realmente não consigo nada sobre isso. É daí que vem as letras da música ‘Outshined’ e por que nunca me considerarei um herói”.


“Uma das primeiras vezes que me lembro de ter escrito algo realmente pessoal, foi para esta canção... Eu estava me sentindo muito maluco e deprimido, olhei no espelho e estava usando uma camisa vermelha, de bermuda e tênis. Me lembro de ter pensado que, por mais chateado que estivesse, parecia um garoto de praia e então, eu vim com aquela frase da música 'Outshined' e assim que a escrevi, achei que era a coisa mais idiota de todas", ele acrescentou.


A canção se tornou numa das mais famosas da banda e ao público mainstream, apresentando riffs de guitarra tão pesados que misturados à voz crua de Chris Cornell, se tornou na mesma hora uma lendária música por completa.


Iríamos postar o videoclipe da canção "Outshined", mas por estar com o áudio editado, fique com a versão original completa lançada no álbum "Badmotorfinger".


Música: "Searching With My Good Eye Closed"

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

Altas mensagens no título e nas letras dessa música... É incrível!


A versão grunge do SOUNDGARDEN encontrando a psicodelia, então, a canção se constrói e você acaba de obter essa melodia tripulada com vocais ecoantes e hipnotizantes.


Abriram vários shows com esta música durante toda a carreira.


Música: "Somewhere"

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

De qualquer forma, isso é apenas uma daquelas músicas que simplesmente gosto pelo jeito que soa por si só.


Com o benefício do retrospecto, me lembra os primeiros passos que a banda estava adentrando ao clima sonoro dos seus futuros álbuns...


Música: "Room a Thousand Years Wide"

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

Muitas vezes, eu acho que essa música é realmente ignorada e nunca entendi o por quê.


É uma das minhas favoritas desde quando escutei esse álbum pela 1ª vez em 1991 (fita-cassete) e a levada do som mata a pau!


O riff da guitarra e a batida em geral são cativantes, acompanhado de um rosnado vocal no final dos refrões. O ensejo final vai se distorcendo em noise e um saxofone entra na pira...


Pequenas coisas que se destacam dessa forma, são sempre as minhas partes favoritas nas músicas.


Música: "Mind Riot"

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

Pessoalmente (liricamente e musicalmente), acho que esse álbum inteiro pode ser definido pelo título desta canção.


Com certeza, essa é uma das músicas mais lentas do disco, mas não menos impactante ou "bonitinha". O refrão é especialmente assustador, já que Chris Cornell está chorando sob a queima de uma vela a morte do melhor amigo de alguém.


Nós, fãs do SOUNDGARDEN, perdemos um dos nossos melhores amigos quando ele se foi e infelizmente é difícil não se fixar nisso quando você o ouve cantando justamente sobre isso.


Entraria fácil no disco subsequente, "Superunknown" (4º álbum, 1994).


Música: “Jesus Christ Pose”

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

O 1º single do álbum "Badmotorfinger" é talvez a música mais pesada de todos os tempos da banda, um furacão de quase 06 minutos com uma rápida bateria tribal e guitarras barulhentas.

“Assim que toquei esse padrão na bateria, todos da banda mergulharam de cabeça até atingirmos a coragem necessária de toca-la desta forma que ficou”, havia dito o baterista Matt Cameron em uma entrevista para a revista Modern Drummer em 1994. “A abordagem que adotamos nesta canção foi um puro ataque dos sentidos”.


O videoclipe desta música tinha sido proibido pela MTV e a rádio também não tocava esta canção, mas depois que o disco "Badmotorfinger" atingiu as vendas de platina, "Jesus Christ Pose" se tornou uma das canções de assinatura do SOUNDGARDEN desde sempre, o momento em quase todos os shows quando a bateria de Matt Cameron chama a mesma (ou mais) atenção do que todos os instrumentos dos membros da banda. Se existe uma música do SOUNDGARDEN para demonstrar as capacidades musicais extremas de cada membro do grupo, esta é uma delas! É um chute acelerado nos dentes com uma bateria e linha de baixo balística, guitarras thrash e Chris Cornell gritando basicamente o tempo todo.


É como a versão audiológica de uma enfermaria psicótica...


Eles sempre tocavam esta música nos shows, mesmo quando retornaram do seu hiato, provando ao mundo que a idade não estava inibindo o talento de todos.


Música: "Black Rain”

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

Na verdade, esta canção ficou de fora do álbum "Badmotorfinger" e foi a 1ª música do SOUNDGARDEN a ser lançada desde 1996 – quando retornaram do seu hiato em 2010.


Foi incluída na coletânea “Telephantasm” e por um bom motivo, já que os riffs da guitarra são excentricamente fascinantes.


Além disso, se apresentando naquele mesmo programa de auditório da TV americana em 2010, Cornell grita durante toda a canção, provando que o antigo SOUNDGARDEN estava de volta em ação e seus acordes vocais não foram vítimas da idade.


Embora a mensagem desta música não seja inteiramente clara - porque a escolha dos significados das palavras são únicas - você não pode deixar de ficar intrigado com letras, como: "Você não pode gaguejar quando está falando com os seus olhos".


Música: "Head Down"

Álbum: "Superunknown" (4º disco, 1994)


A bateria tribal volta com tudo nesta canção - menos tanto na força - mas com a mesma técnica descomunal de Matt Cameron.


É uma arte de tocar bateria que até hoje tento adivinhar a hora certa que ele vai bater na caixa e nos tons...


Como o próprio Cameron disse numa entrevista em 2016, quando perguntado sobre a diferença de tocar no PEARL JAM e no SOUNDGARDEN, ele respondeu: "Eu acho que o meu papel no SOUNDGARDEN é mais como de um diretor musical, enquanto que no PEARL JAM é mais como um apoio no sentido de complementar a seção rítmica. Acho que a colaboração que eu tenho no SOUNDGARDEN é maior no campo criativo, mas eu me sinto muito feliz por estar em 02 bandas realmente fantásticas!"


Música: "4th of July" Álbum: "Superunknown" (4º disco, 1994)

O guitarrista Kim Thayil aumentou todas as músicas deste álbum de forma brilhante, adicionando camadas, riffs atraentes e mais deslumbrante de tudo, os seus solos íntegros e singulares.


SOUNDGARDEN também não se intimidou com o ruído fundido que os haviam definido no início de carreira, onde na música "4th of July", inspirada na viagem de ácido LSD de Chris Cornell numa reserva indígena, eles sem dúvida entregaram o seu momento mais pesado no disco "Superunknown".


Música: “Let Me Drown”

Álbum: "Superunknown" (4º disco, 1994) “Superunknown” é conhecido como o álbum inovador do SOUNDGARDEN, já que muitas de suas músicas mais famosas foram geradas neste disco.


Clássicos como "Black Hole Sun", "Spoonman", "The Day I Tried to Live", "My Wave" e "Fell on Black Days", estão nesse álbum, mas falemos da canção "Let Me Drown", que é a música de abertura do disco e possui um ritmo muito positivo para um título tão sombrio.


Além da levada cativante, as letras são exclusivamente poéticas: "Então desista da ganância, você não precisa me alimentar / Sim, desista do destino, você não vai precisar de mim".


Música: "Fell on Black Days"

Álbum: "Superunknown" (4º disco, 1994)

Revisitando o tipo de depressão abjeta que o deixou preso por meses a fio quando adolescente, o último single lançado deste clássico álbum do SOUNDGARDEN foi uma canção naturalmente difícil para Chris Cornell escrever e compor.


Falando para a revista britânica Melody Maker na época do seu lançamento, o vocalista explicou como levou anos para encontrar o tipo certo de música para fazer justiça às letras dolorosamente honestas e autobiográficas.


“A canção 'Fell on Black Days' foi como esse medo constante que tenho há anos... Levei muito tempo para escrever essa música, tipo, tentamos fazer três versões diferentes com esse título e nenhuma delas funcionou. É uma sensação que todos têm na vida... Você está feliz com a sua vida, tudo está indo bem, as coisas estão emocionantes, quando de repente você percebe que está infeliz ao extremo, a ponto de ficar muito, muito assustado. Não há nenhum evento em particular ao qual você possa definir o sentimento, é só que você percebe um dia que tudo em sua vida está ferrado".


Música: "Never The Machine Forever"

Álbum: "Down on The Upside" (5º disco, 1996)


Nesse trovão apocalíptico e cheio de relâmpagos, mais parece que os membros da banda combinaram de entregarem tudo de si ladeira a baixo em seus respectivos instrumentos, gerando esse caos governado pela bateria "desconexa", mas familiar de Matt Cameron.


Música: "Pretty Noose"

Álbum: "Down on The Upside" (5º disco, 1996)

Por um lado, o 1º single lançado para divulgar o álbum "Down on The Upside", parece totalmente inaudível hoje em dia com as suas imagens metafóricas (supostamente lidando com arrependimento romântico) chegando perto demais da fria realidade da morte de Chris Cornell em maio de 2017.


Por outro lado, seria uma pena deixar de lado a música que mais convincentemente realizou as ambições experimentais do disco "Down on The Upside".


Alimentado por guitarras com pedal wah-wah, bateria desordenada e com as letras proféticas de Chris Cornell, a canção "Pretty Noose" continua sendo uma referência para o sombrio e angustiado grunge e rock alternativo dos anos 90.


Música: "Burden in My Hand"

Álbum: "Down on The Upside" (5º disco, 1996)


É fácil ver por que o SOUNDGARDEN costumava ser considerado o LED ZEPPELIN dos anos 90 em canções como "Burden in My Hand".

Chris Cornell era mais do que capaz de soltar os seus uivos corajosos associados à cena de Seattle, mas uma das muitas coisas que o destacaram foi a capacidade de convocar o seu deus interior do rock clássico dos anos 70, gemendo nas suas gravações vocais a la Robert Plant (vocalista do LED ZEPPELIN) com a maior sutileza de todas e uma sensação de brilho de arrasar os pulmões.

Os sabores folclóricos orientais derivados da afinação C aberta na guitarra de Kim Thayil - um truque da escola de guitarras de Jimmy Page (guitarrista do LED ZEPPELIN) - apenas apoiaram ainda mais essa linhagem dos originais do rock'n roll.


Música: "Boot Camp"

Álbum: "Down on The Upside" (5º disco, 1996)


Sendo um ótimo álbum e um dos mais subestimados na discografia da banda, "Down on The Upside" foi eclipsado por não ter atingido o mesmo nível comercial e de crítica do disco anterior, "Superunknown".


Mas esta canção que encerra o álbum, apesar de curta, é uma das grandes assinaturas do disco e foi a 1ª música que resolvi escutar quando fiquei sabendo daquela terrível notícia sobre o falecimento de Chris Cornell.


Não é quase uma canção, é mais um esboço de miniaturas, abrindo com a banda lentamente travando um dos seus familiares perfis e perfeitamente calibrado com marcas registradas de psicodelia a la BEATLES, e então, de repente, surgindo como um pássaro voando alto acima de um deserto sufocante dos arpejos vorazes da guitarra de Kim Thayil, aparece aquela voz... Aquela voz do caralho!!!


Essa voz maravilhosa e incrível que nos ultrapassará todas as explosões através das nuvens e finalmente, neste álbum lindamente caótico, você consegue sentir algum tipo de paz. O disco soa inteiramente etéreo e catártico se você escutá-lo na íntegra do início ao fim... Após uma inspeção mais próxima das letras, a música “Boot Camp” pode ser sobre qualquer coisa, mas trata da questão sobre: paz.


Trata-se de ficar preso e ter medo de revelar-se. Trata-se de querer algo mais - algo muito mais e constantemente. Faz com que a realidade do falecimento de Cornell não seja chocante – por ele estar nos dando placas de aviso - mas devastadoramente inevitável. Há mais de 20 anos, um homem escreveu o seu próprio epitáfio, mas enterrado na última canção do disco em uma elegia despercebida...


Música: "A Thousand Days Before"

Álbum: "King Animal" (6º disco, 2012)

Em seu último álbum de estúdio, SOUNDGARDEN simplesmente deixou vislumbres gratos e sedentos aos fãs, com uma familiar musicalidade esotérica e abrindo certamente novos caminhos em uma mata fechada...

O guitarrista Kim Thayil solicita novamente os truques do LED ZEPPELIN, para fornecer esta base sonora maravilhosa para o vocal sublime - quase sem esforço de tão natural que soa - do saudoso Chris Cornell.


Música: "Non State Actor"

Álbum: "King Animal" (6º disco, 2012)

SOUNDGARDEN com as suas levadas despedaçadas, cortadas, em contra-tempos que mais parecem “fora-do-tempo”, solos decapitados e incompletos – sendo que esta canção ainda demonstra uma boa aparência.


Com a sua letra ácida intercalando os nossos sentimentos com a loucura do mundo ao nosso redor, a canção “Non State Actor” é uma sonzeira empolgante sem dúvida nenhuma.


Música: "By Crooked Steps"

Álbum: "King Animal" (6º disco, 2012)

Já pareço suspeito escolhendo mais uma canção com levada (semi) tribal, onde Matt Cameron descarrega os seus cartuchos com uma versatilidade de cair o queixo.


SOUNDGARDEN retornando do seu hiato e não deixando simplesmente nada a desejar com este álbum de reunião...


Só ficamos com água na boca com o que mais poderia vir com o disco inacabado de 2017.


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