Smashing Pumpkins: "recebi mensagens dos fãs para não estragar essa música quando estávamos gravando o disco 'Oceania'"
by Brunelson
há 5 horas
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Todo músico que já levou sua arte a sério foi um tanto perfeccionista.
Mesmo que todos toquem com seu próprio senso distinto de ritmo e sentimento, sempre há aquela diferença sutil na maneira como os fãs escutam e que é diferente de como o compositor ouve originalmente a melodia em sua cabeça.
E mesmo que um compositor como Billy Corgan tenha a palavra final no SMASHING PUMPKINS como vocalista e guitarrista, pode ficar um pouco mais complicado quando os fãs começam a opinar sobre suas novas músicas.
Porque, realmente, obter a opinião dos fãs pode ser um pouco confuso para qualquer músico famoso. Faz mais sentido dar às pessoas o que elas querem, mas se tudo o que elas pedem é a mesma música repetidamente, chega um ponto em que alguém começa a ficar doido por ficar no mesmo lugar por tanto tempo.
Os fãs não sabem o que querem até que você dê a eles, e essa sempre foi a maneira como Corgan operou em sua carreira, em fazer questão de muitas vezes não tocar suas músicas mais famosas nos shows, em detrimento às suas novas composições.
Quando o SMASHING PUMPKINS retornou do seu hiato em 2007 (desde 2000 separados), o grupo tinha somente Corgan e o baterista Jimmy Chamberlin como membros originais. Seu álbum de reunião foi "Zeitgeist" (6º disco, 2007), o mais pesado de toda a discografia do SMASHING PUMPKINS e a coisa mais próxima do clássico SMASHING PUMPKINS dos anos 90 - talvez tendo que dividir agora essas 02 tochas com seu último álbum de estúdio, "Aghori Mhori Mei" (12º disco, 2024).
Chegando em 2012, após dizer que nunca mais iria lançar álbuns de estúdio - somente músicas aleatórias pela internet - Corgan voltou atrás e entrou no estúdio com somente ele de membro original para gravar o álbum mais progressivo na história do SMASHING PUMPKINS, "Oceania" (7º disco), o que significava que, músicas mais acessíveis lançadas nesse álbum como "My Love is Winter", passaria por um monte de reencarnações para ser bem apresentada ao público mainstream.
Ouvindo esta canção por si só, a coisa toda funciona como uma linda balada que não é tão diferente das músicas mais lentas dos seus álbuns dos anos 90. A m arca de qualquer boa canção é poder tocá-la somente ao piano ou violão e ainda assim funcionar, e mesmo se Corgan estivesse a tocando em uma sessão acústica, arrisco em dizer que essa música teria o mesmo tipo de impacto que a clássica canção "Disarm" teve quando foi lançada como um dos singles do álbum "Siamese Dream" (2º disco, 1993).
Mas para quem não sabe, quando foi que Corgan já fez algo de acordo com as regras e exigências da indústria musical?
Apesar de ter sido instruído a manter a versão de estúdio fiel ao original da música "My Love is Winter" que o grupo vinha apresentando nos shows antes de entrarem no estúdio para gravar o novo álbum, Corgan achou que seria melhor levá-la em uma direção mais etérea, dizendo em entrevista bem nessa época de lançamento do disco: “Na verdade, tocamos esta canção nos shows como uma balada antes de grava-la para o álbum 'Oceania' e tem sido ótimo. As pessoas adoraram essa música e quando elas descobriram que estávamos gravando-a para o próximo disco, elas escreveram nas minhas redes sociais: ‘Não estrague tudo!’ Porém, foi quando sentimos que não havia tanto potencial nela quanto uma balada. Ela tinha o que chamamos de uma vibe ‘shoegazer’, como a banda RIDE ou algo assim”.
Alguns fãs podem ter ficado brabos, mas isso não deveria ser nenhuma novidade para o SMASHING PUMPKINS. O objetivo inicial da banda no começo dos anos 90 com suas primeiras músicas, era criar algo um pouco mais psicodélico e progressivo do que o resto da cena grunge, então, essa foi o tipo de música quase psicodélica nessa nova era do SMASHING PUMPKINS.
É comum para qualquer um ficar desapontado quando uma banda passa por mudanças, mas a canção "My Love is Winter" é o exemplo perfeito desse tipo de inovação feita genuinamente de dentro para fora. Nem tudo o que Corgan fez foi feito para ser apreciado por cada um dos seus fãs, mas sempre foi melhor para ele fazer algo que ele queria ouvir, do que satisfazer os fãs ou a gravadora que queriam uma parte 2 de músicas clássicas do SMASHING PUMPKINS como "Today" ou "Disarm".
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