• by Brunelson

Smashing Pumpkins: resenha do álbum "Mellon Collie and The Infinite Sadness"


Como consumidores de música, quando comentamos os discos das lendas alternativas de Chicago, SMASHING PUMPKINS, procuramos destacar todos e o clássico 2º álbum de estúdio da banda, "Siamese Dream" (1993), viu o grupo construir e aumentar o som psicodélico único que tinha com a fusão do metal - mais para o lado da psicodelia em seu disco de estreia, "Gish" (1991).


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E no álbum "Siamese Dream" também recebemos joias que ficaram marcadas na história do rock, massivamente influentes e definidoras de época, músicas como "Cherub Rock", "Today", "Disarm" e outras.


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Em plena ascensão, o álbum sucessor, o duplo "Mellon Collie and The Infinite Sadness" (3º disco, 1995), seria o maior esforço da banda - o álbum duplo na história do rock que mais vendeu cópias. Ele se baseou nos enormes avanços que o álbum "Siamese Dream" havia feito sonoramente, tematicamente e liricamente, onde a banda atingiu o seu apogeu em colossais 120 minutos.

SMASHING PUMPKINS ainda lançaria o respeitável álbum "Adore" em 1998 (4º disco). Esse álbum não contou com o baterista original, Jimmy Chamberlin, que havia sido afastado da banda na turnê do 3º disco para tratar da sua dependência química, depois que o tecladista de turnê e que dividia o mesmo quarto de hotel com Chamberlin, havia morrido por overdose de heroína.


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Já desde o 3º disco sendo produzido pelo próprio frontman, Billy Corgan, ao lado dos produtores icônicos, Flood e Alan Moulder, a escolha de ir junto com a dupla de produtores foi fundamental para dar outra vida à complexa musicalidade dos álbuns.

Sobre a decisão de renunciar ao produtor Butch Vig, que havia produzido os 02 primeiros discos, Corgan havia dito uma vez: “Para ser completamente honesto, acho que foi uma situação em que nos tornamos tão próximos de Butch que começou a funcionar em nossa desvantagem… Apenas sentimos que tínhamos que forçar a situação - sonoramente falando - e sair do modo normal de gravação do SMASHING PUMPKINS. Eu não queria repetir o trabalho anterior que tínhamos feito”.

E depois da turnê divulgando massivamente o álbum "Siamese Dream", Corgan imediatamente começou a escrever novo material para o próximo disco. Com o sentimento de compor um álbum duplo, Corgan havia dito na época: “Com esse novo disco, eu realmente gostei da noção de que criaríamos um escopo mais amplo para colocar outros tipos de material que estávamos escrevendo”.

As sessões de composição seriam rápidas e o disco foi gravado entre março e agosto de 1995. O resultado, Corgan descreveu à imprensa musical como: “O disco 'The Wall' do PINK FLOYD para a Geração X”.


E ele não estava longe dessa ideia...

Outra razão pela qual o disco foi um triunfo tão grande, foi por causa da maneira como Corgan e a banda tentaram ativamente dissipar qualquer tensão entre eles, um aspecto que atormentou os 02 primeiros discos. Para combater a ociosidade e a tensão natural que aumenta enquanto as partes individuais estão sendo gravadas no estúdio, a banda usou 02 estúdios ao mesmo tempo, então, todos estavam sempre trabalhando.

Além disso, a baixista original, D'arcy Wretzky, e o guitarrista original, James Iha, tiveram grandes papéis na composição e gravação do álbum, o que também facilitou as relações com a banda. Em suma, este foi um esforço de equipe e se mostrou verdadeiro.

Depois que o disco foi lançado, Iha havia dito: “Agora, com esse 3º disco, a grande mudança é que Billy não está sendo o grande ‘eu faço isso – eu faço aquilo’. Está muito melhor, a banda arranjou muitas músicas para esse disco e o processo de composição das canções foi orgânico. As circunstâncias e a forma como trabalhamos no último disco, 'Siamese Dream', foram muito ruins”.


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Se observarmos rapidamente alguns dos clássicos que compõem o disco "Mellon Collie and The Infinite Sadness", você perceberá o quão forte é a afirmação que ele faz como a obra-prima do SMASHING PUMPKINS. O álbum abre com a faixa-título orquestral ao piano incrivelmente emocionante antes de pular para a emocionante e clássica música "Tonight, Tonight". Em outros pontos, temos a sombria e atmosférica canção "Zero", o hino grunge "Bullet With Butterfly Wings", o produtor carregado de pedal fuzz na música "Here is No Why", a tocante balada "To Forgive" e por aí vai...


E dizer que essas músicas não compõem nem metade do primeiro lado é surpreendente.

Pessoalmente, eu diria que a canção "Jellybelly" é uma das mais subestimadas no repertório da banda. O seu brilho visceral é nada menos que incrível e foi um lembrete gritante de que o SMASHING PUMPKINS que todos nós amamos desde os primeiros dias, ainda estava aqui e eles apenas levaram isso para o próximo nível. Rápida, melódica e hino alternativo, "Jellybelly" é um turbilhão.

O álbum ainda irá nos apresentar o clássico estelar "1979", que é uma das músicas definitivas dos anos 90 e não há como negar. A canção cresce lentamente antes de Corgan pular no refrão. São momentos como este em que o álbum contém uma sutil beleza textural que não teria sido alcançada sem o trabalho de Flood e Moulder, os mestres da era moderna de gravações texturizadas e em camadas. Um número nostálgico e emocionante, a música "1979" faz você lacrimejar os olhos em certos momentos, enquanto também anseia por dias melhores.

De fato, os pontos brilhantes do álbum são múltiplos que isto se tornaria um ensaio bastante grande se recontássemos todos eles, vide canções como "X.Y.U", "Fuck You (an Ode to No One)", "Stumbleine", "Muzzle", "Porcelina of The Vast Oceans", "Thru The Eyes of Ruby", as quebraceiras "Bodies" e "Where Boys Fear to Tread", e dá-lhe mais...

Em grande parte um clássico atemporal, há algo neste álbum para todos. Uma jornada com muitos modos musicais díspares e discussões temáticas, "Mellon Collie and The Infinite Sadness" foi o verdadeiro disco do SMASHING PUMPKINS que fizeram eles governarem o ano de 1995.


Track-list (disco 1):


1. Mellon Collie and The Infinite Sadness

2. Tonight, Tonight

3. Jellybelly

4. Zero

5. Here is No Why

6. Bullet With Butterfly Wings

7. To Forgive

8. Fuck You (an Ode to No One)

9. Love

10. Cupid de Locke

11. Galapogos

12. Muzzle

13. Porcelina of The Vast Oceans

14. Take me Down


(disco 2):


1. Where Boys Fear to Tread

2. Bodies

3. Thirty Three

4. In The Arms of Sleep

5. 1979

6. Tales of a Scorched Earth

7. Thru The Eyes of Ruby

8. Stumbleine

9. X.Y.U.

10. We Only Come Out at Night

11. Beautiful

12. Lily

13. By Starlight

14. Farewell and Goodnight


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