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  • by Brunelson

Sonic Youth: baterista Steve Shelley escolhe os seus 10 melhores shows com a banda


SONIC YOUTH fez o seu último show há pouco mais de 01 década, mas o legado da banda continua vivo graças a um arquivo em constante expansão disponível no Bandcamp, com os fãs sendo abençoados com shows completos gravados em diversas épocas, além de 16 álbuns de estúdio lançados entre 1983 à 2009.

Mas isto é apenas a ponta do iceberg...


Com a curadoria do baterista Steve Shelley e do engenheiro de som de longa data do SONIC YOUTH, Aaron Mullan, os arquivos são repletos de joias originados de fitas-cassete de shows que remontam desde o início dos anos 80, com coleções de raridades cruciais e músicas perdidas resgatadas de singles esquecidos.

É um banquete contínuo, fornecendo aos fãs a oportunidade de experimentar as várias fases e estágios do SONIC YOUTH.





Steve Shelley, ex-baterista da banda de hardcore, THE CRUCIFUCKS, entrou no SONIC YOUTH em 1985 para gravar o 3º álbum de estúdio, "Evol" (1986). Sendo o 3º baterista a passar pelo grupo, ele ficou na banda até o seu final em 2011. Com Shelley por trás da bateria, eles encontraram o rebatedor de que precisavam para levar as suas jams noise ao próximo nível.

Em 2021, o site Aquarium Drunkard conversou com Steve Shelley para obter a sua opinião sobre algumas raridades que a banda deixou separado para os ouvintes em seu pacote cibernético.


Shelley foi perguntado sobre os melhores shows que ele havia tocado durante toda a carreira e ele relacionou as 10 apresentações que mais marcaram a sua vida como baterista do SONIC YOUTH (com 01 exceção), selecionando também 01 música que foi tocada em cada show, para que pudesse representar a sua escolha.


Confira em ordem cronológica:

Local: Mission Furniture Company, Los Angeles, California, 21/12/1985 Música: "Ghost Bitch" (2º disco, "Bad Moon Rising", 1985)

Steve Shelley: Este show foi realizado num armazém no centro de Los Angeles e você sabe, o centro da cidade ainda não havia ressurgido naquele momento e era um lugar onde ninguém se importava, onde você poderia tocar música num volume incrivelmente alto a noite toda. A banda THE SWANS tocava tão alto que aquela neve fina caía das vigas do teto daquele enorme armazém. Era a poeira de décadas que estava lá em cima e o lugar não sentia uma vibração como da banda THE SWANS há vários anos (risos). Também é uma noite triste porque foi a noite em que D. Boon sofreu o acidente e morreu (vocalista/guitarrista do MINUTEMEN). Ainda não sabíamos que tinha acontecido, mas estranhamente estávamos usando um de seus amplificadores de guitarra naquela noite, então, é uma noite triste e estranha...


Shelley: Mas o evento em si foi incrível. Na verdade, estamos procurando a fita-cassete deste show completo, então, se alguém tiver por aí...

Shelley: Em 2018, eu vi o documentário chamado "Desolation Center", que foi uma explosão pra mim porque era como a trilha sonora da minha vida antes de entrar no SONIC YOUTH. Tem o MEAT PUPPETS, MINUTEMEN, SAVAGE REPUBLIC e tudo mais. Eu lembro de ter entrado no SONIC YOUTH bem na época que estava curtindo essas bandas e achava tudo incrível o que estava passando na minha vida real. Ver esse documentário foi simplesmente fantástico.


Local: Town and Country, Londres, Inglaterra, 04/06/1987

Música: "Kotton Krown" (4º disco, "Sister", 1987)

Shelley: Este é o show infame em que Iggy Pop apareceu e se juntou a nós para cantar a canção “I Wanna Be Your Dog”, então, isto sempre será memorável e aconteceu que tínhamos uma equipe com multi-câmeras lá naquela noite e estávamos gravando tudo. Todo este show ainda não foi lançado, mas deveria e precisava ser. Na versão que tocamos da música “Kotton Krown”, Thurston Moore (vocalista/guitarrista) - durante a seção no meio da canção - de alguma forma cortou a mão ou os dedos, não sei, e você consegue ouvi-lo berrar no final da música. Ele se cortou e com o seu sangue deu um curto-circuito na guitarra.


Shelley: Na verdade, chegamos a mixar este show com John Loder no Southern Studios e é uma daquelas gravações em que fizemos o tipo de coisa dos anos 70, em que adicionamos overdubs mais tarde nas gravações. Sério mesmo, com Thurston substituindo parte de sua guitarra tocando no estúdio e acho que ele também dobrou alguns vocais.

Shelley: Originalmente saiu como um single para um fã-clube que tínhamos nos dias pré-internet, sob o nome de SONIC DEATH. Adorávamos fazer coisas assim porque éramos todos colecionadores. Naquela época, enquanto você estava em turnê, você chegava à próxima cidade e seu dia começava na loja de discos, na livraria ou no sebo da cidade. Foi assim que viajávamos pelo país. Estávamos procurando raridades de Neil Young e coisas assim, coisas que você não encontraria em nenhum outro lugar. Uma vez encontramos os discos de Lee Hazlewood na lixeira de uma loja, você sabe, era nisso que todo o nosso tempo era ocupado.


Local: CBGB, New York, 23/06/1988

Música: "Non-Metal Dude Wearing Metal Tee" (5º disco, "Daydream Nation", 1988)

Shelley: Antes ainda de irmos ao estúdio para iniciarmos as gravações do álbum "Daydream Nation", passamos alguns fins de semana em que íamos a lugares diferentes e tentávamos tocar as músicas que seriam lançadas nesse disco. Tocamos em Boston, nos clubes CBGB e Maxwell's em New York, e provavelmente em alguns outros lugares. Durante estes shows, as pessoas ainda estavam juntando as letras das músicas, as partes musicais, querendo entender e você sabe, ainda estávamos pegando o jeito e pulando certos arranjos. Foi quando: “Aqui está uma grande mudança!” Então, esta foi uma versão inicial da canção “Eliminator Jr." que mais tarde foi lançada num vinil de 7' polegadas sob o nome "Non-Metal Dude Wearing Metal Tee".

Shelley: Acho que isso foi na época do programa da MTV chamado 120 Minutes, quando alguém da banda tinha visto a apresentação do CONCRETE BLONDE e acho que um dos membros do grupo estava usando uma camisa muito metal, mas o cara não era nem um pouco metal... Alguém do SONIC YOUTH ficou perplexo com isso e foi daí que veio esse estranho título inicial para essa música.


Banda: WYLDE RATTTZ (Mark Arm, Ron Asheton, Thurston Moore, Mike Watt e Steve Shelley)

Música: "She’s Like Poison" (1998)

Shelley: Na verdade, aqui foi quando nos reunimos para gravar algumas músicas para a trilha sonora do filme "Velvet Goldmine", do diretor Todd Haynes. Foi uma banda com uma grande presença de personagens. Ron Asheton (guitarrista do THE STOOGES) tinha ido a um show do SONIC YOUTH antes disso e depois da nossa apresentação, ele foi até ao nosso camarim, se sentou conosco e conversamos. Até aquele ponto, havia sido o momento mais próximo que tínhamos passado com ele. THE STOOGES ainda não havia se reformulado, então, foi uma espécie de precursor para eles voltarem a ficarem juntos. Iggy Pop ficou sabendo de Ron e Scott Asheton (baterista do THE STOOGES) tocando junto com J. Mascis (vocalista/guitarrista do DINOSAUR JR) e Mike Watt (baixista do MINUTEMEN), e acho que tudo levou a essa reunião alguns anos depois... Se não houver nenhum problema, gostaria de receber um pouco de crédito nessa história (risos).

Shelley: Era uma banda tão divertida e essa música é uma das que Thurston Moore cantou. É uma das canções mais melódicas do nosso lote e é uma das minhas favoritas desse grupo, mas eles usaram apenas 01 música para o filme e na verdade mesmo, nós gravamos foram muitos covers do THE STOOGES e que não lançamos. Sério mesmo, há algumas versões que ficaram realmente matadoras e teríamos que lança-las em algum dia, mas é claro, primeiro gostaríamos de verificar este assunto com Iggy Pop antes de mais nada.


Local: All Tomorrow’s Parties Festival, East Sussex, Reino Unido, 08/04/2000

Música: "Free City Rhymes" (11º disco, "NYC Ghosts & Flowers", 2000)

Shelley: Fomos convidados para participar do festival All Tomorrow's Parties e estávamos na época compondo e escrevendo as músicas para o álbum "NYC Ghosts & Flowers". Eu não diria que as músicas estavam pela metade, mas você sabe, elas ainda não haviam sido realmente testadas num show. Nós pensamos que poderia ser um conjunto especial e único de músicas para apresentar neste show e ficamos realmente impressionados com a imprensa musical na época, onde a capa de uma revista de música dizia sobre o SONIC YOUTH: “Adeus século 20, adeus talento” (risos) - em referência ao disco de covers que a banda havia lançado na época, "Goodbye 20th Century" (1999). Nós pensamos que essa merda era hilária e apenas falamos: “Isso faz parte do processo e quer dizer que estamos tentando chegar a algum lugar. Que estamos fazendo algo diferente”. Sabe, isso não nos incomodou.

Shelley: Sempre adorei essa performance pré-vocal na música “Free City Rhymes”, uma das minhas canções favoritas desse disco. Tínhamos mixado este show para uma coletânea ao vivo que nunca viu a luz do dia.


Local: The Olympia, Paris, França, 07/06/2001

Música: "Cornelius Cardew’s Treatise" (Álbum de covers, "Goodbye 20th Century", 1999)

Shelley: Nesse ponto em nossa carreira, as pessoas nos deixavam fazer qualquer coisa com o nosso som e as músicas. Aqui na França, as pessoas foram tão receptivas ao SONIC YOUTH e a qualquer estranheza que trazíamos conosco. Foi um ótimo lugar para fazer estes shows.


Shelley: O percussionista, William Winant, juntou-se a nós nessa turnê e ele foi a razão pela qual entramos nessa nova fase. Antes dessa turnê, começamos a fazer algumas gravações no estúdio junto com William, que na ocasião ele estava pela cidade. William chegou até nós e disse: “Tive uma ideia. Eu gostaria de juntar 05 ou 06 composições de música clássica que vocês possam tocar juntos”. Sabe, ele conhecia as nossas limitações quanto à leitura de partituras e ele reuniu as partituras mais abstratas que existem. A peça Cardew é muito abstrata, sabe? É como se você enxergasse todas essas formas geométricas, rabiscos e outras coisas que você conhece musicalmente, mas cabe a você interpretar o que William estava tentando alcançar.

Shelley: Não tenho muito conhecimento sobre esse mundo, apenas pensei em como muito disso era punk rock. É realmente nadar contra a maré... É apenas um longo crescendo para todo o grupo e então você recua e desce novamente. É como um jato decolando e indo embora.


Local: The Orange Peel, Asheville, North Carolina, 11/08/2004

Música: "Skip Tracer" (9º disco, "Washing Machine", 1995)

Shelley: Adoramos o Orange Peel e começamos a nos apresentar naquele lugar somente mais tarde em nossa carreira, mas de qualquer forma continuamos voltando ao pico depois. Um quartinho ali, no topo de uma colina na cidade de Asheville... Realmente um lugar agradável e confortável para fazer as suas coisas.

Shelley: Esta é uma música do álbum "Washing Machine" e há um esboço realmente incrível para um box de relançamento para esse disco e espero que possamos seguir adiante em algum momento. Aquele ciclo de turnê em 1995 foi muito longo e muitas coisas estranhas aconteceram. Depois, fomos para Memphis e gravamos esse álbum lá - há gravações iniciais das fitas demo de tudo o que fizemos no estúdio. Antes mesmo do álbum ser lançado, abrimos os shows do R.E.M. Depois, participamos da turnê do Lollapalooza e o disco ainda não tinha sido lançado.

Shelley: Quando o álbum foi finalmente lançado, fomos fazer as nossas próprias turnês nos EUA e Europa e depois voamos para a Oceania e Japão junto com o BEASTIE BOYS e o FOO FIGHTERS. Fizemos muitas coisas boas nessa turnê, como aquele show no Rockpalast Festival na Alemanha que tem uma das melhores e mais loucas versões da música “Diamond Sea”.


Local: ABC1, Glasgow, Escócia, 22/08/2007

Música: "Total Trash" (5º disco, "Daydream Nation", 1988)

Shelley: O pessoal de uma rádio da Escócia começou com um programa chamado Don't Look Back, onde as bandas tocavam álbuns clássicos ao vivo na íntegra. Eles nos perguntaram se a gente queria tocar o disco "Daydream Nation" e a resposta sempre foi: “Não, obrigado” (risos), mas eles continuaram insistindo e um dia finalmente dissemos: “Ok, vamos fazer”, o que significava que tínhamos que voltar ao estúdio e reaprender muitas músicas.


Shelley: A mixagem desse álbum é uma mistura tão grande de coisas que tivemos que remixá-lo e colocar a guitarra de Thurston no lado esquerdo da caixa de som e a guitarra de Lee Ranaldo no lado direito da caixa, para que eles pudessem aprender as suas partes distintas de guitarra. Nós realmente tivemos que voltar e descobrir exatamente o que tínhamos feito... É estranho, mas gostei muito deste processo. Acho que o resto da banda não gostou tanto quanto eu, mas é algo que fizemos e felizmente esta apresentação foi filmada e temos um ótimo documento disso.

Shelley: Foi quando eu percebi como ficou limitada a gravação da bateria em algumas músicas lançadas no disco "Daydream Nation", em comparação com a nossa apresentação nessa rádio em 2007.


Local: Gossip Girl (Série da TV), apresentação acústica, 2009

Música: "Starpower" (3º disco, "Evol", 1986)

Shelley: Eu gosto muito mais da gravação de como ficou essa música na TV, do que a nossa aparição na TV (risos). Nós gravamos em Portland enquanto estávamos em turnê do nosso último álbum, "The Eternal" (16º disco, 2009). Foi uma explosão voltar a essa música porque quando a gravamos em 1986, não estávamos realmente preparados para levá-la aos shows. Só a tocamos algumas vezes ao vivo naquela época e agora, foi bom estar um pouco mais velho e maduro para dar algo a mais para essa música e amei o que fizemos aqui.

Jornalista: Não há muita coisa acústica do SONIC YOUTH por aí, mas eu revisitei um tempo atrás a apresentação infame de vocês no Bridge School Benefit em 1991, o concerto de caridade anual e acústico de Neil Young.

Shelley: (risos) O público foi respeitoso até certo ponto, mas foi engraçado, porque para ser vaiado em um show beneficente, você realmente precisa ser péssimo! Recentemente, a equipe de gerenciamento de Neil Young nos perguntou se eles poderiam transmitir esta nossa apresentação em seu site de arquivos. Eles nos disseram: "Bom, talvez vocês queiram editá-la um pouco?" Mas pensamos sobre isso e falamos: "Não precisa editar, deve apresentar mesmo as verrugas e tudo mais", e foi o que aconteceu.


Jornalista: Vocês voltaram e tocaram em outro evento do Bridge School Benefit, certo?

Shelley: Sim e posso dizer com felicidade que foi um dos shows mais incríveis de todos que já fizemos. O evento havia se expandido para duas noites naquele momento e desta vez os artistas foram convidados a passarem a noite no rancho de Neil Young. Então, nós fomos para um churrasco no rancho dele na noite anterior e você conseguia conversar com todo mundo e conhecer todos os artistas que iriam se apresentar. Tínhamos acabado de fazer um show na Cidade do México, então, o nosso equipamento não iria chegar a tempo, mas nessa época tínhamos um membro de nossa equipe de roadies que também trabalhava para a CRAZY HORSE, a banda de apoio de Neil Young. Foi quando fomos autorizados a usar os equipamentos que a CRAZY HORSE usava. Eu usei o velho kit Ludwig de bateria que Ralph Molina tocou para a gravação do álbum "Everybody Knows This is Nowhere" de Neil Young (2º disco, 1969), tipo, era o mesmo kit de bateria que ele tocou para a música “Cinnamon Girl”. O nosso guitarrista, Lee Ranaldo, tocou o órgão de pedais que Neil Young estava usando e Jim O'Rourke, que estava conosco na época se revezando na 3ª guitarra, baixo e sintetizador, tocou no mesmo piano que foi gravada a canção "After The Gold Rush". Cara, foi muito divertido...


Local: Williamsburg Waterfront, Brooklyn, New York, 12/08/2011

Música: "Inhuman" (1º disco, "Confusion is Sex", 1983)

Shelley: Este show fui eu que montei o setlist. Eu não esperava que todas aquelas músicas fossem aprovadas por todos da banda, mas por algum motivo elas passaram pelos ensaios e foi um show realmente especial. Fizemos um monte de coisas que não tocávamos há algum tempo. Muitas são as minhas músicas favoritas da banda. Além disso, por causa da internet e das pessoas tendo conhecimento dos seus setlists que você vem apresentando toda noite, eu me senti como se estivesse contra a parede e pensei: "Como faço isso ser diferente?" Acho que não sabíamos que aquele seria o nosso último show nos EUA... E acabou sendo mesmo e não foi uma merda.

















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