• by Brunelson

Sonic Youth: resenha do álbum "Murray Street"


Álbum: "Murray Street" (12º disco, 2002)


Depois que o álbum antecessor, "NYC Ghosts & Flowers" (11º disco, 2000), levou o SONIC YOUTH ao seu extremo mais experimental, a banda deu uma guinada e se tornou um grupo mais limpo e focado na leveza da cirurgia mais do que nunca.

O álbum "Murray Street" (nome da rua onde o estúdio Echo Canyon da banda estava localizado) foi saudado como um "retorno à forma sólida" por muitos após o seu lançamento, e assim como os discos clássicos do SONIC YOUTH, oferece uma fusão completa de composições estruturadas, acessíveis e noises crescentes em camadas de marshmallows.

O álbum possui elementos familiares, mas parecia algo totalmente novo para a discografia do SONIC YOUTH. Era o disco que soava mais limpo até aquele momento e continuou sendo até o fim da banda em 2011, mesmo que não flertasse com o mainstream da forma que era nos anos 90.

Às vezes quer lembrar das nuances mais calmas que tínhamos visto no álbum "Experimental Jet Set, Trash and No Star" (8º disco, 1994), mas não é gravado aparentando a mesma baixa produção de forma proposital como se a banda estivesse tocando numa garagem, mostrando na verdade músicas longas que atingem as marcas de 09 e 11 minutos.

É como se a expansividade do álbum "Daydream Nation" (5º disco, 1988), a acessibilidade do álbum "Goo" (6º disco, 1990) e o estilo independente do álbum "Experimental Jet Set, Trash and No Star", se misturassem - mesmo assim, essa descrição não faz justiça ao quão um passo à frente esse disco foi para o SONIC YOUTH.

Isso os posicionou como estadistas mais velhos e sábios que vieram daquela cena do rock alternativo e independente de New York dos anos 80, onde estavam começando a explodir em nível internacional pelo underground e soava nada menos do que algo refrescante e relevante na cultura do rock.

O disco "Murray Street" começa com 02 das melhores canções cantadas pelo vocalista/guitarrista, Thurston Moore - a contar deste século: "The Empty Page" e "Disconnection Notice", ambas as quais realmente mostram o amadurecimento que esse álbum representou e estão entre as músicas mais ouvidas do SONIC YOUTH.


E conforme o álbum "Murray Street" avança, começa a mostrar gradualmente o seu lado mais bizarro com 03 das melhores músicas imersivas, barulhentas e jam session da banda: "Rain on Tin", "Karen Revisited" e "Sympathy For The Strawberry". Mesmo com 03 delas em um único disco, o mesmo se apresenta de forma compacta.

Foi talvez o álbum mais conciso e ao mesmo tempo sem preenchimento que a banda lançou desde o disco "Goo", concedendo o tom para o que acabaria sendo o resto da carreira do SONIC YOUTH e continua sendo um dos seus melhores álbuns.


Somente como observação, as 02 meninas da capa são as filhas de Thurston Moore e Kim Gordon (vocalista/baixista), então casados na época.


Track-list:


1. The Empty Page

2. Disconnection Notice

3. Karen Revisited

4. Rain on Tin

5. Radical Adults Lick Godhead Style

6. Plastic Sun

7. Sympathy For The Strawberry


"Radical Adults Lick Godhead Style"


* Sonic Youth: resenha do álbum "Confusion is Sex" (1º disco, 1983)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Bad Moon Rising" (2º disco, 1985)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Evol" (3º disco, 1986)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Sister" (4º disco, 1987)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Daydream Nation" (5º disco, 1988)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Goo" (6º disco, 1990)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Dirty" (7º disco, 1992)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Experimental Jet Set, Trash and No Star" (8º disco, 1994)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Washing Machine" (9º disco, 1995)


* Sonic Youth: resenha do álbum "A Thousand Leaves" (10º disco, 1998)


* Sonic Youth: resenha do álbum "NYC Ghosts & Flowers (11º disco, 2000)

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