• by Brunelson

Sonic Youth: resenha do álbum "Dirty"


Álbum: "Dirty" (7º disco, 1992)


O material clássico dos anos 80 do SONIC YOUTH ajudou a influenciar o movimento do rock alternativo e o álbum lançado em 1990, "Goo" (6º disco), ajudou a avançar esse movimento de bandas que iriam futuramente mergulhar no mainstream.


Mas foi com o sucesso do álbum "Nevermind" do NIRVANA em 1991 quando o movimento realmente explodiu - o ano sarcasticamente referido como "The Year Punk Broke" no clássico documentário sobre a turnê europeia do SONIC YOUTH, onde o NIRVANA os acompanhou em festivais e abrindo os shows próprios. E assim que o fez, SONIC YOUTH estava lá com um dos seus melhores álbuns de toda a discografia, "Dirty", o disco mais amigável em sua totalidade ao grunge que o SONIC YOUTH já lançou na carreira. Foi produzido por Butch Vig e mixado por Andy Wallace, os mesmos que trabalharam no disco "Nevermind". Butch Vig havia dito numa entrevista sobre a gravação do álbum "Dirty": "Eu queria que soasse como o SONIC YOUTH, mas queria torná-lo um pouco mais 'amarrado' ao som... Eu estava tentando fazer isso para que algumas músicas ficassem um pouco mais concisas, mas não estava tentando fazê-los compor canções pop de 03 minutos, certo?" Esse compromisso é ouvido em todo o disco "Dirty". Não é um álbum com aquele som esgotado do SONIC YOUTH, mas ainda é estranho, barulhento e abrasivo, especialmente para os padrões das grandes gravadoras da época. As músicas são de fato mais concisas, os "noises" são atenuados e os ganchos são mais apropriados às rádios do que jamais havia acontecido até então na carreira do SONIC YOUTH. Especialmente nos singles lançados, que foram as canções "Drunken Butterfly", "Sugar Kane" e "100%", sendo esta última o mais próximo que o SONIC YOUTH possa ter chegado ao grunge. Talvez tenha sido uma jogada inteligente para conquistar a nova grande base de fãs de um gênero que eles próprios ajudaram a criar, mas esse tipo de cinismo é uma injustiça em como essas músicas são fantásticas por si mesmas. Todas as três estão entre as inúmeras melhores canções na história do SONIC YOUTH. Também é impressionante que a banda pudesse escrever estas canções para a rádio sem perder a identidade distinta que os separava de todas as outras bandas do rock alternativo. Além de tudo, as músicas que não foram singles do álbum "Dirty" também tinham potencial para as rádios, como o rock relaxado de "Chapel Hill" e a acelerada meio THE STOOGES, "Purr", são tão acessíveis quanto as músicas mais conhecidas do álbum, mas o disco "Dirty" também tinha mais a oferecer... Músicas como "Theresa's Sound World" (cara, como essa canção ainda abre um gibi na minha mente toda vez que a escuto desde o seu lançamento em 1992) e "Orange Rolls, Angel's Spit", traziam mais explosões de improvisação do que a narrativa "amigável para a rádio" faria você acreditar. Esse álbum está mais sintonizado com as raízes punk rock do SONIC YOUTH do que a banda tinha sido desde o álbum "Sister" (4º disco, 1987). "Swimsuit Issue" e "Youth Against Fascism" (essa última apresenta Ian MacKaye do FUGAZI na guitarra e que também foi lançada como single) estão entre as músicas punk políticas mais poderosas que o SONIC YOUTH já lançou em sua discografia, sendo assustadoras e tristes o quanto elas ainda ressoam com a realidade nos dias de hoje. Como por exemplo na canção "Youth Against Fascism" - com os seus gritos xingando o presidente americano da época - que faz referências aos dias modernos da KKK e de nazistas, criticando todo o sistema que ainda estamos levando às ruas para protestar quase 30 anos depois. SONIC YOUTH também abriu a cena hardcore dos anos 80 que eles tanto amavam... Como adolescente, conheci o SONIC YOUTH com o álbum "Dirty" escutando em fita-cassete no walkman na época do seu lançamento e quando ouvi a música "100%" pela primeira vez e que foi no fone de ouvido, me lembro que parei de andar na calçada e tentava entender o que nunca havia escutado antes numa banda de rock, de que também era possível fazer música não necessariamente tocando sempre notas "bonitinhas" na guitarra.

Com esse disco, SONIC YOUTH abriu uma cortina em minha mente que não fazia ideia de que algo assim era possível e que existia. Essa banda é uma da trinca de bandas que sempre fizeram parte dos alicerces principais da minha estrutura musical.


Track-list:


1. 100%

2. Swimsuit Issue

3. Theresa's Sound World

4. Drunken Butterfly

5. Shoot

6. Wish Fulfillment

7. Sugar Kane

8. Orange Rolls, Angel's Spit

9. Youth Against Fascism

10. Nic Fit

11. On The Strip

12. Chapel Hill

13. JC

14. Purr

15. Crème Brûlée


"100%"


* Sonic Youth: resenha do álbum "Confusion is Sex" (1º disco, 1983)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Bad Moon Rising" (2º disco, 1985)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Evol" (3º disco, 1986)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Sister" (4º disco, 1987)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Daydream Nation" (5º disco, 1988)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Goo" (6º disco, 1990)

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