• by Brunelson

Sonic Youth: resenha do álbum "Sister"


Álbum: "Sister" (4º disco, 1987)


Por mais perfeito que seja o álbum divisor de águas do SONIC YOUTH, "Daydream Nation" (5º disco, 1988), às vezes você quer algo mais rápido e cru, e para isso existe o álbum "Sister".

É menor em escopo e um pouco mais fino do que o seu sucessor extremamente amado, mas à sua maneira é tão bom quanto. A química do baterista Steve Shelley com os 03 membros originais é ainda maior nesse disco do que na sua estreia no grupo no álbum antecessor, "Evol" (3º disco, 1986), com o baterista tocando ainda mais rápido aqui no álbum "Sister".

Mais do que qualquer outro, o disco "Sister" (também lançado pela SST Records) é o álbum "punk rock" do SONIC YOUTH. Músicas como "Catholic Block", "Stereo Sanctity" e o cover do single "Hot Wire My Heart" da banda punk rock de San Francisco de 1976, CRIME, estão entre as canções mais violentas do SONIC YOUTH já gravadas.

Até mesmo as músicas mais lentas do álbum são as mesmas inquietas energias que conhecemos da banda. Está lá no sussurro de Kim Gordon (vocalista/baixista), principalmente em canções como "Beauty Lies in The Eye".

No disco "Evol" você pode ouvir o SONIC YOUTH descobrindo maneiras de combinar ruídos estridentes a canções de hinos, mas no álbum "Sister" essa combinação sai deles de uma forma que soa como se fosse uma 2ª natureza.

A clássica música da banda e que abre o disco, "Schizophrenia", é uma canção de rock direto até que de repente se torna numa jam dissonante. Ela não se constrói para isso, simplesmente acontece e parece incrivelmente natural.

Na canção "Catholic Block" é toda a intensidade incandescente até que tudo desaparece, exceto o ruído de estática e então, antes que você perceba, é uma música novamente. "Tuff Gnarl" e "Pacific Coast Highway" realizam feitos semelhantes, são canções irmãs do noise rock, onde tanto o ruído quanto o rock estão presentes em igual medida.

O guitarrista Lee Ranaldo também canta a sua música no álbum "Sister". Assim como ele havia levado os vocais na canção "In the Kingdom # 19" no disco "Evol", é na canção "Pipeline / Kill Time" no disco "Sister" que ele oficialmente prova ser um vocalista que iria "rivalizar" com Kim Gordon e Thurston Moore (vocalista/guitarrista) no decorrer da carreira, trazendo um novo lado para o som do SONIC YOUTH com a sua voz radiofônica.

A experiência de Lee Ranaldo no rock psicodélico informa a sua atitude zombeteira e hipnótica, e "Pipeline / Kill Time" é a primeira de muitas viradas vocais que Lee traria para a banda cantando as suas músicas.


E então, há "Kotton Krown", um raro exemplo de Thurston e Kim se harmonizando para a totalidade de uma canção. Ela encontra o SONIC YOUTH quase no território dos sonhos melódicos e é tão natural para eles que é uma pena que a banda não tocava mais essa músicas nos shows...


Track-list:


1. Schizophrenia

2. Catholic Block

3. Beauty Lies in The Eye

4. Stereo Sanctity

5. Pipeline / Kill Time

6. Tuff Gnarl

7. Pacific Coast Highway

8. Hot Wire My Heart

9. Kotton Krown

10. White Kross

11. Master Dik


"Schizophrenia"


* Sonic Youth: resenha do álbum "Confusion is Sex" (1º disco, 1983)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Bad Moon Rising" (2º disco, 1985)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Evol" (3º disco, 1986)

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