• by Brunelson

Sonic Youth: resenha do álbum "Goo"


Álbum: "Goo" (6º disco, 1990)


O álbum anterior, "Daydream Nation" (5º disco, 1988), é uma das obras-primas da banda, mas não é necessariamente o melhor ponto de partida para quem quer conhecer o SONIC YOUTH.


Você pode querer se aquecer para conhecer a banda com o álbum "Sister" (4º disco, 1987) ou primeiro com o álbum "Evol" (3º disco, 1986) - como os fãs do SONIC YOUTH faziam em tempo real na década de 80 - ou você pode querer ouvir o álbum que apresentou muito do SONIC YOUTH ao mundo mainstream, "Goo".

Após o sucesso do disco "Daydream Nation", a banda fechou um contrato com uma grande e apropriada gravadora, a Geffen Records (a mesma que iria contratar o NIRVANA), e a estreia da banda em um novo contrato foi o álbum "Goo". Aparentemente, custou 05 vezes mais caro para gravar do que foi com o disco "Daydream Nation" e eles acabaram chamando o veterano produtor Ron Saint Germain, que havia produzido o BAD BRAINS e outras bandas conhecidas.

Então, não é surpresa que o álbum "Goo" seja muito mais polido e acessível do que o seu disco anterior, mas considerando tudo, "Goo" ainda é um álbum experimental barulhento e abrasivo. Ele meio que engarrafa os ingredientes do disco "Daydream Nation" e os cospe de volta de uma forma mais compacta e de fácil digestão, mesmo sendo os mesmos ingredientes.

A música que abre o disco e cantada pelo vocalista/guitarrista Thurston Moore, "Dirty Boots", é incrível e clássica da banda, tão boa quanto qualquer coisa que o grupo lançou nos anos 80 e que lançaria no decorrer dos anos 90. Esta canção se encaixa um pouco mais com o movimento grunge que logo explodiria na cena e que o próprio SONIC YOUTH ajudou a influenciar. A música ainda encontra tempo para os intrincados padrões de guitarra e acúmulos de ruídos explosivos os quais a banda já era conhecida.

A canção "Dirty Boots" é uma espécie de hino para os fãs, assim como a música "Teenage Riot" (lançada no 5º disco), mas o grande single que caiu nas massas do álbum "Goo" foi a canção "Kool Thing", uma das melhores músicas até hoje da banda e da vocalista/baixista, Kim Gordon.


Em um cenário que quase se qualifica como dançante, Kim Gordon faz referências sarcásticas a uma entrevista que ela mesma havia conduzida com o rapper LL Cool J para a revista Spin em 1989, onde ela lança um dos melhores hinos feministas do rock'n roll, com letras: "Eu só quero saber / O que você vai fazer por mim?" ela zombeteiramente pergunta na ponte realizada com Chuck D, vocalista do PUBLIC ENEMY: "Quero dizer / Você vai nos libertar, meninas / Da opressão masculina, branca e corporativa?"

A entrega de Kim Gordon é quase no território da palavra falada, mas a música consegue ser incrivelmente melódica com letras inspiradas por Karen Carpenter, morrendo de anorexia e cheias de referências à cultura pop.

A baixista também oferece a divertida pepita, a música "My Friend Goo", e a canção punk barulhenta, "Cinderella's Big Score", um ótimo lado-b profundamente esquecido.

Novamente, o guitarrista Lee Ranaldo concede a sua contribuição vocal na música "Mote" em mais de 07 minutos de duração, que o mostra evoluindo a partir da entrega sarcástica de suas canções lançadas nos discos "Sister" e "Daydream Nation". Aqui, em contraste com a música, Ranaldo desenvolve um estilo de canto mais doce, melódico e que foi a base para a sua linha vocal até hoje.

Thurston Moore ainda oferece a canção punk "Mary Christ", também uma parte mais obscura e psicodélica para a música "Disappearer" e a barulheira gritada na canção "Mildred Pierce".

Lançar essa música, "Mildred Pierce", junto com outra canção chamada "Scooter and Jinx", provou que o SONIC YOUTH não iria ceder em nada só porque havia assinado com uma grande gravadora.

Com o benefício do retrospecto, "Goo" foi um álbum decisivo para o SONIC YOUTH, porque veio no início de uma nova década e marcou o início de sua era das grandes gravadoras - parece mais o início de um novo capítulo.

Mas se você pegar as músicas como elas são e ignorar todas as outras coisas, soa mais como o final do 1º ciclo do SONIC YOUTH que começou em seu disco de estreia, "Confusion is Sex" (1983).


O álbum "Goo" é o som do SONIC YOUTH dos anos 80 em sua forma mais simplificada e recebendo gotas dos anos 90 que estavam batendo na porta, o qual rivaliza com os álbuns inovadores que a banda lançou nos anos 80.

É para onde o SONIC YOUTH iria a partir daqui e que começaria a marcar uma nova era para a banda e na história do rock'n roll...


Track-list:


1. Dirty Boots

2. Tunic

3. Mary Christ

4. Kool Thing

5. Mote

6. My Friend Goo

7. Disappearer

8. Mildred Pierce

9. Cinderella's Big Score

10. Scooter and Jinx

11. Titanium Expose


"Kool Thing"


* Sonic Youth: resenha do álbum "Confusion is Sex" (1º disco, 1983)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Bad Moon Rising" (2º disco, 1985)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Evol" (3º disco, 1986)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Sister" (4º disco, 1987)


* Sonic Youth: resenha do álbum "Daydream Nation" (5º disco, 1988)


* Sonic Youth: as mensagens na capa e verso do álbum "Goo"


* Sonic Youth: resenha do disco "Goo" pelos próprios membros da banda

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