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Fugazi: guia para iniciantes; um lampejo de todos os álbuns de estúdio

  • by Brunelson
  • há 5 minutos
  • 8 min de leitura

Assim como o FUGAZI, o grupo MINOR THREAT era mais do que uma banda. 


Eles eram, sem dúvida, a melhor e mais celebrada banda hardcore de sua era. Considerando que essa é uma era que inclui grupos pioneiros do punk hardcore como BLACK FLAG, DEAD KENNEDYS e BAD BRAINS, o que diz muito.


E eles fizeram algo que poucas bandas fazem: nomear uma subcultura inteira, se não, inventá-la de uma vez. 


Esta subcultura se chamava "straight edge", que o MINOR THREAT tirou esse nome de uma música deles mesmos de 1981 - o que por si só fala da influência da banda. Uma influência que, quando o grupo se separou em 1983, significava que, o que seu frontman fosse fazer em seguida, também se tornaria em algo muito importante.


A maioria dos músicos nunca seria capaz de viver de acordo com uma banda como o MINOR THREAT, mas seu vocalista, Ian Mackaye, e proprietário da maior gravadora independente do planeta, a Dischord Records, fez isso 02 vezes no verdadeiro estilo Mackaye de ser. 


Porque agora, ele estava formando uma das melhores bandas de rock de sua geração em 1986, o FUGAZI.








Como todo punk convicto, Mackaye estava seriamente "cansado" de alguma coisa, mas no caso dele, ele estava "cansado" do próprio punk rock e dos punks em geral. Com esse novo projeto, ele queria se ramificar e fazer música que não se limitasse a uma estrutura de música de 01 minuto e meio.


Em uma entrevista de 2011 com o escritor musical Paul Brannigan, Mackaye disse que a ideia original do FUGAZI era fazer música que fosse como o "MC5 misturado com reggae". E durante seu período de atividade, eles desenvolveriam isso para se tornarem em uma das bandas mais influentes do rock e lançando 07 álbuns de estúdio absolutamente estelares, até se separarem em 2003.


Sim, são 07 discos. Qualquer um que tenha passado um tempinho com o FUGAZI vai se perguntar onde está esse 7º álbum? Acontece que resolvemos incluir o disco, "13 Songs" (1989), que na verdade são os 02 primeiros EP's combinados no mesmo álbum e que você só vai encontrar essas músicas nesse disco específico (ou em cada um desses 02 EP's separados). E foi também a introdução da maioria das pessoas à banda como um todo. 


E para muitos, o disco "13 Songs" é considerado o melhor de toda a sua discografia.


Com isso resolvido, vamos mergulhar de forma sintetizada e cronológica em cada álbum lançado pelo FUGAZI, banda essa que recebeu e ainda recebe elogios de músicos consagrados e de veículos de comunicação, entre alguns citados, Eddie Vedder (vocalista do PEARL JAM), Dave Grohl (baterista do NIRVANA e frontman do FOO FIGHTERS) e Kurt Cobain (frontman do NIRVANA) - além de uma legião inteira de skatistas que andavam de skate na rua escutando FUGAZI no walkman em fitas cassete piratas no começo dos anos 90.




Álbum: "13 Songs" (coletânea dos 02 primeiros EP's, 1989)


É aqui onde realmente vemos o nascimento do FUGAZI, apresentando em 01 pacote só todas as suas músicas que foram lançadas no 02 primeiros EP's da banda.


Como uma verdadeira declaração de intenções, o grupo soa de uma forma artística de uma perspectiva genuína e tangível.


É a nova banda do ex-vocalista do MINOR THREAT mostrando para que veio. Ainda levando os vocais, mas agora empunhando uma guitarra, Mackaye - junto com seus 03 colegas de banda (baterista, baixista e guitarrista que também levava os vocais em algumas músicas) - fez o FUGAZI turbinar ainda mais o movimento punk hardcore da capital Washington e que rendeu inúmeras bandas clássicas dos anos 80.


"Waiting Room"


Álbum: "Repeater" (1º disco, 1990)


As comparações que esse álbum tem com o disco "Revolver" dos BEATLES não são acidentais. 


Das capas pretas e brancas aos títulos, que Mackaye já admitiu serem baseados no mesmo trocadilho: "Um disco gira e também se repete. E um revólver também é uma arma, assim como um repetidor".


Acima de tudo, ambos são expansões totais do que as bandas de guitarra poderiam fazer em seu gênero. Exceto que os BEATLES fizeram isso em seu 7º álbum de estúdio, enquanto que o FUGAZI fez isso logo no seu 1º álbum de estúdio.


Até hoje, "Repeater" ainda é um dos discos de rock mais emocionantes já feitos. As músicas "Merchandise", "Blueprint" e "Repeater", são um embaraço de riquezas. Uma dessas riquezas é apontar o FUGAZI como uma razão para o rock alternativo ter se tornado popular no início dos anos 90 através das bandas grunge, assim como o SONIC YOUTH e R.E.M. ajudaram a fazer também. 


Talvez, porque eles soubessem que somente a música (e nada mais) era o suficiente. Afinal, eles fizeram tudo do seu jeito no modo punk característico "do it yourself" e ainda assim se tornaram uma influência para todos, de RAGE AGAINST THE MACHINE, passando pelo PARAMORE e indo além com o TURNSTILE.


"Sieve Fisted Find"


Álbum: "Steady Diet of Nothing" (2º disco, 1991)


O álbum "Steady Diet of Nothing" é o som de uma banda que se desenvolveu bem e verdadeiramente. 


Junto com a alegria do disco "13 Songs", é a pura emoção de segurar firme e descobrir para onde tudo vai depois, onde você tem o prazer de ouvir uma banda completamente confiante em seu som e habilidades.


Alguém que sabe a hora de fazer as rondas na hora certa, como nas canções "Stacks" e "Long Division", e a hora certa de atacar, como na música "Runaway Return" e na canção de abertura "Exit Only", essa confiança explica o verdadeiro valor desse álbum - apesar de não ter tido muita relevância pela crítica na época do seu lançamento.


No entanto, essa falta de relevância por parte dos veículos de comunicação parece mais ter sido uma escolha propositalmente artística da banda do que uma falta de ideias.



"Runaway Return"


Álbum: "In on The Kill Taker" (3º disco, 1993)


Um álbum como "In on The Kill Taker" chegou ao nº 3 do ranking da Billboard.


Um disco que ameaçou fazer do FUGAZI um nome conhecido ao público mainstream e que fez o próprio Ahmet Ertegün (lendário executivo das gravadoras) encontrá-los pessoalmente para oferecer U$ 10 milhões de dólares para eles assinarem com a super gravadora, a Atlantic Records. 


Um álbum que gerou fãs de destaque como Eddie Vedder, Michael Stipe (vocalista do R.E.M) e Kurt Cobain, e que vale absolutamente toda essa atenção e muito mais, onde você se vê convencido de que pode estar ouvindo o melhor álbum de rock alternativo já feito.




As músicas, "Facet Squared" e "Public Witness Program", estão entre os melhores golpes de abertura de um disco na história do rock alternativo, e considerando que é uma linhagem que vem das clássicas canções da banda, "Waiting Room", "Bulldog Front" e "Bad Mouth" (todas do álbum "13 Songs"), isso diz muito. 


Além do mais, o disco "In on The Kill Taker" mantém esse mesmo ímpeto, sendo que as músicas "Sweet and Low" e "Walken’s Syndrome" mostram os extremos do que eles são capazes de fazer.


Para qualquer outra banda, esse álbum seria o tipo de ponto alto que muitos se esforçariam para alcançar, mas não tanto para o que o FUGAZI era sagaz em alcançar.


"Public Witness Program"


Álbum: "Red Medicine" (4º disco, 1995)


Agora, vamos deixar uma coisa bem clara. 


De jeito nenhum FUGAZI lançou um álbum ruim em sua discografia. Seus discos simplesmente variam de ótimos a geracionais, então, quando você começa a compará-los, dizer coisas idiotas para se arrepender depois como: "O álbum 'Red Medicine' é o pior álbum deles" pode ser inevitável. 


Porém e no mínimo, o disco "Red Medicine" detona! 


É o momento em que a banda começou a experimentar o que eles podiam fazer no estúdio, e na humilde opinião de quem vos fala, essa experimentação deles atrapalhou um pouco suas estruturas musicais, que antes sempre vinham de formas afiadas como navalhas. 


Mas não adianta querer enfatizar muito, porque um álbum como esse não inspira canções como "Bed For The Scraping", "Target" e a instrumental "Combination Lock" à toa.


"Do You Like Me"


Álbum: "End Hits" (5º disco, 1998)


Esse álbum foi o mais próximo que a banda teve de um disco mal recebido pela crítica após o lançamento - e não como muitos dizem sobre o álbum "Steady Diet of Nothing". 


Em contrapartida, é mais uma prova do nível absoluto de respeito que o FUGAZI conquistou aos seus fãs e seguidores do que qualquer outra coisa, porque o álbum "End Hits" pode ser o trabalho mais dinâmico da banda em toda sua discografia. A sensação experimental que começou com o disco antecessor floresceu em um álbum que é simultaneamente mais ousado e menos intenso do que qualquer coisa que eles fizeram anteriormente.


Músicas como "No Surprise" mostraram como a pura telepatia que eles compartilhavam como uma banda agora poderia ser colocada em músicas graciosas e expansivas. Outras como "Foreman’s Dog" mostram um lado mais terno da banda sem sacrificar sua intensidade de marca registrada. 


Para um álbum que na época foi especulado para ser o último da banda, há muita vida aqui.


"No Surprise"


Álbum: "The Argument" (6º disco, 2001)


Sendo o último álbum da banda, aqui eles realmente saíram por cima. 


Como convém a uma banda honesta e com seus integrantes oriundos do punk hardcore de raiz que recusou o convite para ser headliner do Lollapalooza Festival porque os ingressos eram muito caros, o FUGAZI registrou uma forma de arte a partir da integridade. 


A maior prova de todas? Que eles resolveram encerrar as atividades depois que lançaram essa obra-prima e se mantiveram firmes na amizade. Nem mesmo por razões interpessoais, o grupo é um conjunto de amigos que dura até hoje, sendo que eles ainda se encontram para alguns ensaios e se apresentam de vez em quando em pequenos clubes noturnos, tudo fora da máquina da indústria musical e de executivos e empresários - a volta às origens do método "do it yourself".


FUGAZI simplesmente tinha lançado um dos álbuns mais influentes da história do rock alternativo e depois decidiram que queriam fazer outras coisas como reis absolutos da sua área. Um disco que foi imediatamente aclamado como um esforço lá em cima junto com o álbum "Daydream Nation" do SONIC YOUTH como uma pedra angular do rock independente americano. 


E depois de quase 25 anos, o disco "The Argument" se mantém como o próprio Atlas e é uma razão fundamental pela qual, depois de todo esse tempo, os fãs de rock de toda e qualquer geração ainda estão cruzando os dedos torcendo por uma volta em definitiva da banda aos circuitos - apenas um sonho que nunca irá se realizar, mas bem que eu queria também.


"Full Disclosure"








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