Billy Corgan: “eu vejo esse álbum como algo muito ligado à perspectiva de uma criança que cresce sozinha em casa depois de chegar da escola", disse o frontman do Smashing Pumpkins
by Brunelson
há 29 minutos
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Celebrando 03 décadas do lançamento do álbum histórico de 1995 do SMASHING PUMPKINS, "Mellon Collie and The Infinite Sadness" (3º disco), o frontman da banda, Billy Corgan, refletiu sobre o álbum em uma nova entrevista para o jornal The Los Angeles Times.
Durante a conversa, Corgan foi questionado sobre os temas da música de sucesso do SMASHING PUMPKINS e que foi o single desse disco, "Bullet with Butterfly Wings", especificamente sobre a pressão que os artistas sentem para dar uma boa performance, mesmo quando não estão com vontade – como sugerido pelo verso: "Você consegue fingir por mais um show?"
Ao ser questionado se essas letras ainda o tocam hoje em dia, o vocalista admitiu que ainda experimenta momentos de dúvida e inquietação.
“Ah, sim, sim. Porque você se esforça tanto para estar naquele palco e então, como Roger Waters descreve tão bem no álbum ‘The Wall’ do PINK FLOYD, você se vê tendo uma experiência surrealista naquele mesmo palco. Você se submete ao inferno para chegar lá e então, um dia, você está lá e pensa: 'O que estou fazendo aqui?'", explicou Corgan.
Ele prosseguiu, observando que a fama muitas vezes não é tão glamorosa quanto as pessoas pensam, e pode, de muitas maneiras, tornar a vida mais complicada: “Já vivi momentos parecidos, em que estou no palco e me sinto como se estivesse sob efeito de drogas, mas estou completamente sóbrio. Porque aquilo que você ama, se inverte. Quando eu era criança, achava que aparecer na TV era o auge, mas aí eu estava lá, prestes a me apresentar na TV, e todas essas coisas aconteciam, do tipo, de como estar cansado, ou estar sendo processado, ou meu colega de banda não gostar da bandeja de frios servida no camarim e eu só pensava: 'O que estou fazendo aqui?'".
“Isso deveria ser divertido. Deveria ser glamoroso. Deveria ser mil outras coisas que você coloca na lista de desejos de uma estrela do rock, e você se pega dizendo às vezes: ‘Eu não quero estar aqui'. Se você se virar para seus amigos ou familiares e disser: ‘Estou com muita dificuldade para processar as informações que estou recebendo aqui em cima na minha carreira’, eles vão lhe dizer que você é ingrato, que está louco ou que precisa rever seu ego”, acrescentou Corgan.
"Cheguei a um ponto em que pensei: 'Não, eu não tenho as habilidades necessárias para suportar o castigo que minha mente, meu corpo e meu espírito me impõem 05 ou 06 noites por semana, na frente de estranhos cantando músicas muito pessoais para mim'. Eu ouço os aplausos e vejo os flashes das câmeras, mas estou tão anestesiado que não consigo sentir nada do que está acontecendo, então, de muitas maneiras, essa música, 'Bullet with Butterfly Wings' e os temas do álbum 'Mellon Collie and The Infinite Sadness' ainda são reais pra mim".
Em outubro de 2025, completaram-se 30 anos desde o lançamento desse icônico disco do SMASHING PUMPKINS, o álbum duplo que mais vendeu cópias na história. Apesar de ter 03 décadas, o mesmo continua tão impactante quanto sempre foi.
Corgan refletiu sobre por que o álbum continua a repercutir não apenas na Geração X, mas também entre os jovens ouvintes que estão descobrindo o disco agora: “Eu vejo esse álbum em particular como algo muito ligado à perspectiva de uma criança que cresce sozinha em casa depois de chegar da escola. É um termo muito da Geração X, sabe? Crianças que ficavam sozinhas em casa depois da escola eram aquelas cujos pais trabalhavam muito ou não eram presentes em casa, então, elas cresciam em grande parte sem supervisão. O que uma criança que cresce sem supervisão faz? Ela assistia muita televisão, consumia muito açúcar e se envolvia em muitas travessuras”.
“Acho que esse álbum é muito representativo dessa experiência e acho que o motivo pelo qual ele continua a ressoar nas gerações seguintes é que ele é muito dissociativo. Na década de 90, a cultura dominante, incluindo os jornais The Los Angeles Times e o The New York Times, realmente se perguntava: ‘De onde tudo isso está vindo?’ Agora você vive em um mundo que é constantemente dissociativo graças às redes sociais”.
“O que me surpreende, e digo isso com base em conversas pessoais que tive com inúmeros músicos ao longo dos anos, é que o nosso álbum deu a alguns deles a permissão para buscar uma visão artística mais ampla. Porque o disco ‘Mellon Collie and The Infinite Sadness’ é muito abrangente e possui muita amplitude, então, o que ouvi de outros artistas foi: ‘Nossa, quando ouvi esse álbum pela 1ª vez, pensei: Eu também consigo fazer isso, mas do meu jeito’, e isso pra mim é como um elogio enorme vindo de outro músico, sabe? É realmente gratificante”.
Corgan finalizou: “A maior emoção agora é ver que os jovens de hoje em dia realmente se conectam com esse disco e eles se conectam com músicas diferentes das gerações anteriores, o que é ainda mais legal. Eles parecem gostar mais das coisas estranhas do que, digamos, do rock alternativo clássico”.
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