Red Hot Chili Peppers: por que o guitarrista John Frusciante saiu da banda duas vezes?
by Brunelson
há 23 horas
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Quando seu baixista anda pelado por aí e seu vocalista vive chapado com todas as drogas possíveis, é preciso um certo nível predefinido de não sei o quê para tocar guitarra no RED HOT CHILI PEPPERS.
Eles eram como uma bola de demolição sonora nos anos 90, tanto no estúdio quanto nos palcos, e quem estivesse manejando a guitarra tinha que manejá-la com extrema força e carisma.
John Frusciante tinha todo o entusiasmo necessário para ser o guitarrista desde sempre do RED HOT CHILI PEPPERS. Na verdade, ele foi indiscutivelmente o principal pilar sobre o qual a banda construiu seu farol para que fosse visto pelo público mainstream no começo dos anos 90.
No 5º álbum de estúdio de 1991, "Blood Sugar Sex Magik" (o 2º com Frusciante), sua influência foi estampada na roupagem da banda e ajudando a lança-la sonoramente em um caminho próprio e sofisticado, onde nenhum dos outros 02 guitarristas antes dele tinham conseguido.
Músicas lançadas nesse clássico disco, como "Give it Away" e "Under The Bridge", foram representações musicais da importância de Frusciante para o grupo. Ele permitiu que a banda transitasse entre seu funk rock característico junto com a entrada sonora da nova década, permitindo que canções com refrões cativantes se interligassem em pontes melódicas intrincadas conduzidas por suas linhas de guitarra.
Mas havia algo no sol californiano que induziu o grupo a se aproximar demais dos excessos. Desde seu início no começo dos anos 80 até os anos 90, a banda vinha flertando constantemente com o perigo, tentando canalizar sua grandeza criativa através do uso constante de drogas.
E para Frusciante a situação ficou difícil demais...
Em 1992, Frusciante, então com apenas 22 anos de idade, teve a coragem de perceber que seu próprio caminho de autodestruição, alimentado por um grave vício em heroína, foi acelerado devido ao sucesso global da banda. Ele explicou que, durante a preparação para a turnê do álbum "Blood Sugar Sex Magik", ele ouviu vozes em sua cabeça dizendo: "Você não vai conseguir fazer a turnê e você tem que ir embora agora".
Mais tarde, em uma entrevista de 2007, ele explicou como essa atitude geral era simplesmente influenciada por uma aversão inconsciente ao comportamento hedonista geral que existia dentro do RED HOT CHILI PEPPERS naquela época: "Aos 20 anos de idade, comecei a fazer direito meu ofício e a encarar isso como uma expressão artística, em vez de uma forma de festejar e só querer transar com um monte de garotas. Para equilibrar, eu tinha que ser extremamente humilde e extremamente anti-rock star".
E assim, após sua saída em 1992, a banda ficou um tanto quanto abandonada criativamente por mais 07 anos, enquanto o guitarrista do JANE'S ADDICTION, Dave Navarro, o substituía. O abismo entre eles era evidente (somente a abordagem era diferente, não que fosse pior ou melhor), e a influência do estilo de Frusciante na identidade musical do RED HOT CHILI PEPPERS se tornava cada vez mais clara. As linhas de baixo de Flea tornaram-se um elemento muito importante dos arranjos, mas havia um limite para o que um baixo poderia fazer, pois aquela linha melódica e simples que tornava a banda tão atraente em 1º lugar através da guitarra de Frusciante, estava prestes a se perder.
Então, quando o grupo estava à beira da inexistência após a demissão de Navarro em 1998, Flea disse ao vocalista Anthony Kiedis: "A única maneira que eu poderia imaginar de continuar com isso, seria se John voltasse para a banda". Mas em 1998, Frusciante havia cumprido seu destino e desfrutado de um estilo de vida mais holístico. Livre de drogas e com boa saúde física, ele recebeu a visita de Flea, que o convidou para voltar. A história conta que Frusciante respondeu soluçando: "Nada me faria mais feliz no mundo".
A reunião confirmou o segredo mais mal guardado da música: o RED HOT CHILI PEPPERS é apenas metade da banda sem Frusciante na guitarra. Em 1999, um guitarrista com inclinações holísticas demonstrou seu brilhantismo, trazendo uma delicadeza melódica e paciente para seu álbum de retorno e mais um clássico em sua discografia, "Californication" (7º disco, 1999). Mais 02 álbuns que definiram o legado da banda logo se seguiram, "By The Way" (8º disco, 2002) e "Stadium Arcadium" (9º disco, 2006), com esse último celebrando um dos seus melhores solos de guitarra na canção "Dani California".
Mas, mais uma vez, o estilo de vida de um astro do rock pesou sobre os ombros do grande guitarrista, que novamente detectou os sinais de perigo para evitar uma queda livre completa. Frusciante deixou relatado sobre sua 2ª saída do grupo em 2009, conforme biografia da banda: "Fiquei bastante desequilibrado mentalmente nos últimos 02 anos em que estivemos em turnê".
Kiedis lembrou que: “John foi muito categórico sobre não querer mais fazer aquilo, então, quando ele contou para mim e para Flea que queria sair novamente da banda, não houve nenhum momento em que pensamos: ‘Vamos lá, cara, nós podemos resolver isso’. Nós apenas pensamos: ‘Entendemos e é óbvio que não é onde você quer estar’. Eu diria que ‘alívio’ foi provavelmente a palavra mais descritiva para todos, incluindo John”.
Em 2019, os fãs do RED HOT CHILI PEPPERS tiveram suas preces atendidas quando Frusciante retornou para que a reunião da formação clássica estivesse ativa novamente, agora para lançar 02 álbuns em 2022, "Unlimited Love" (12º disco) e "Return of The Dream Canteen" (13º disco). Esses álbuns mostraram vislumbres dos sons da banda dos anos 90 e 2000, especialmente na canção "Black Summer", que abre o 12º disco e ostenta um solo com a marca clássica de John Frusciante.
Sendo assim e com os dedos cruzados, Frusciante continua como membro da banda até hoje em sua 3ª passagem pelo grupo e esperamos que o sol da California não volte a castigar seus pensamentos.
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