Chris Cornell: quando citou os 04 álbuns que foram seus alicerces musicais desde a infância
by Brunelson
há 15 minutos
3 min de leitura
Durante toda sua vida como vocalista do SOUNDGARDEN, TEMPLE OF THE DOG, AUDIOSLAVE e em carreira solo, Chris Cornell se sentiu atraído por aqueles que também não tinham medo de correr riscos artísticos, mesmo que isto significasse ostraciza-lo ao longo do caminho.
Em seu mundo, não havia muito sentido em mergulhar na corrente musical se você pretendia ficar parado fazendo sempre a mesma coisa, o que provavelmente também explica por que sua experiência seminal de se apaixonar pela música, foi quando descobriu toda a discografia dos BEATLES, sendo o tipo de iluminação inteiramente educativa e uma mentalidade que Cornell absorveu como nenhuma outra.
Em entrevista para a rádio britânica da BBC em 2005, Cornell explicou, quando perguntado sobre os discos que mais lhe marcaram na infância: "Acho que, quando eu tinha 08 anos de idade, já tinha o catálogo inteiro dos BEATLES na minha casa e foi aí que eu realmente me interessei por música, com ela se tornando importante para mim. Virei meio que um nerd musical, sentado no meu quarto ouvindo discos sozinho por horas a fio, tipo, era uma atividade para mim... Gostei muito do álbum 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band' (8º disco, 1967), mas sem saber que era um álbum importante para alguém. E depois, me lembro de ouvir o álbum 'Abbey Road' (11º disco, 1969) com fones de ouvido pela 1ª vez".
Outra descoberta aparentemente acidental foi o álbum de estreia do PINK FLOYD de 1967, "The Piper at The Gates of Dawn", que ele encontrou sem querer após vasculhar a coleção de discos de um antigo senhorio. A beleza do PINK FLOYD, disse Cornell, era a jornada que você faria depois de descobrir os discos mais populares da banda e como cada um deles parecia tão inesperado quanto mais você escutasse.
"Esse 1º disco do PINK FLOYD se conecta comigo de uma forma que simplesmente não consigo descrever, criando uma atmosfera muito especial que nenhum outro álbum consegue me alcançar. É mais capaz de te transportar de onde quer que você esteja quando o ouve do que qualquer outro disco que eu conheça, sabe?" Em outras palavras, é totalmente inesperado, uma característica que sabemos que Cornell prezava muito.
No que diz respeito a estreias notáveis, outra que chamou a atenção de Cornell imediatamente foi a de Bob Dylan. Dessa vez, o foco não era tanto a perfeição de uma visão completa, mas sim, as falhas na interpretação de Dylan com seu disco homônimo de 1962, provando que a ausência de regras não significa música ruim - muito pelo contrário, na verdade.
"Há muitos erros no 1º disco de Bob Dylan. Ele erra algumas letras e alguns acordes, e não é uma produção exagerada com um produtor caro, com um músico de estúdio virtuoso, uma equipe de mixagem cara e toda essa porcaria que as pessoas acham que precisam para tornar um álbum bom ou comercialmente viável ou algo assim".
Explicando como isso impactou sua própria abordagem, Cornell concluiu: “Adoro me lembrar de que, como compositor, tudo é possível. Uma das coisas que costumo fazer é pensar que as músicas podem incluir algumas coisas e não necessariamente precisam incluir outras. Tipo, você pode fazer qualquer coisa e não há regras sobre nada disso, sejam com as letras, a produção ou os arranjos das músicas em si”.
Olhando para esses 04 discos, fica claro que trilhar o caminho menos percorrido se manifestou de maneiras diferentes para Cornell, e na maioria das vezes, significou apenas descobrir maneiras novas ou diferentes de ser real e autêntico.
Bob Dylan tinha isso desde o início, porque ainda não havia descoberto nada. PINK FLOYD sabia exatamente como explorar a expansividade da música como forma de arte para fazer você sentir que estava entrando em um mundo completamente diferente - e o que dizer dos BEATLES, que foi o protótipo para todos os nossos grandes heróis musicais.
Subverter de qualquer forma, desde que parecesse honesto, sempre preencheu os requisitos do saudoso Chris Cornell.
Comentários