• by Brunelson

R.E.M: o momento em que eles sabiam que deveriam se separar


Se separar (de algo ou alguém) é uma coisa difícil de fazer e no ramo musical uma rápida pesquisa ao longo do tempo mostrará algumas evidências surpreendentes.

Paul McCartney entrou num estupor quase bêbado quando John Lennon abandonou a parceria nos BEATLES; o guitarrista Brian May escreveu um álbum detalhando a perda do QUEEN com a morte de Freddie Mercury; e o guitarrista Jimmy Page lutou para pegar uma guitarra nos meses seguintes à morte do baterista John Bonham do LED ZEPPELIN.

E depois há o R.E.M, a banda independente que prevaleceu de uma década para outra e que encerrou as atividades no auge em 2011 com 15 álbuns de estúdio. O que tornou a separação ainda mais difícil foram os obstáculos que eles superaram, principalmente quando Bill Berry (baterista original) se aposentou da banda no final dos anos 90.

Respondendo à decisão de continuar com o grupo na época, o vocalista Michael Stipe falou: “Acho que um cachorro de 03 patas ainda é um cachorro. Ele só tem que aprender a correr de forma diferente”.

E eles seguiram em frente por mais de 01 década, conquistando festivais de música e pregando verdades para os seguidores da banda que vinham em seu rastro, assim como foi para o vocalista do RADIOHEAD, Thom Yorke, que chegou a recorrer a Stipe em busca de conselhos, sendo que os dois desfrutam de uma amizade duradoura.


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R.E.M. foi uma banda que só melhorava com o passar do tempo, com álbuns que marcaram os anos 80, 90 e além, e como desejavam respeitar a integridade do navio que construíram juntos, ao contrário dos BEATLES, não pareceu que a banda saiu com nada além de um tremendo respeito um pelo outro.

“Tecnicamente, a banda se separou”, disse certa vez o guitarrista Peter Buck. “Mas realmente, nós não. Apenas não estamos fazendo discos ou turnês. Nós possuímos uma editora. Nós possuímos as gravações masters dos nossos discos pela Warner Bros. Nós possuímos escritórios e um armazém com rolos de fitas e coisas que eu nunca vi... Por que ir a um armazém?”

Ao fazer uma pergunta semelhante em 2017, o baixista Mike Mills respondeu: “Acho que todos chegamos a uma conclusão semelhante durante a turnê de 2008”. Sentado em frente a Mills estava Michael Stipe, que pôde ser visto acenando com aprovação. “Lembro que o último show foi na Cidade do México e de subir no palco sozinho depois que tudo acabou, pensando: ‘Provavelmente nunca mais farei isso’”, disse o baixista.

Aprofundando a analogia, Mills destacou como todos eles estavam unidos por trás da decisão. Uma das razões para se apresentar na Cidade do México era que isso os empolgava como banda, dando a sensação de que o R.E.M se via como uma irmandade.

“Nós somos os donos dos triunfos e dos fracassos desastrosos de nossos 32 anos juntos”, rebateu Stipe, que como todo processo de rompimento gera, teve um sabor agridoce.

Mas felizmente, o trio ainda gosta da companhia um do outro e podem desfrutar de entrevistas juntos. Mills ressaltou que a banda se separou para continuarem amigos e se isso é o que é preciso para manter uma amizade, sempre iremos desejar tudo de bom para eles.


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