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Creedence: a trágica história do guitarrista Tom Fogerty

  • by Brunelson
  • há 5 minutos
  • 3 min de leitura

CREEDENCE personifica o espírito do rock pantanoso sulista dos EUA, embora tivesse sido formado nos céus brilhantes da Califórnia. 


A banda, que era composta pelos irmãos John (vocalista/guitarrista) e Tom Fogerty (guitarrista), Stu Cook (baixista) e Doug Clifford (baterista), tocavam juntos desde as primeiras formações do grupo em 1959 e acabariam adotando o nome CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL em 1967.


A banda estourou com seu disco homônimo de estreia em 1968 e posteriormente foi convidada para se apresentar no aclamado Woodstock Festival em 1969. Vários álbuns excelentes se seguiram, como "Bayou Country" (2º disco) e "Green River" (3º disco), ambos lançados em 1969.


Sendo membro do Rock and Roll Hall of Fame desde 1993, a entidade afirmou que: "CREEDENCE era progressista e anacrônico ao mesmo tempo. Com um retorno sem remorso à era de ouro do rock and roll, eles romperam com seus contemporâneos da cena progressiva e psicodélica da cidade de San Francisco", o que fica realmente difícil discordarmos disso.


No entanto, apesar do sucesso, a banda se separou em 1972, tendo lançado 07 álbuns de estúdio, além de coletâneas e discos ao vivo. Tom Fogerty já havia deixado o grupo 01 ano antes, enquanto seu irmão, John, aparentemente estava em desacordo com os outros companheiros de banda. O controle artístico e financeiro sobre as músicas havia causado um acirramento de suas divergências, e ao longo dos anos, vários processos judiciais surgiram de todas as direções dentro do CREEDENCE.


Porém, a verdadeira tragédia no CREEDENCE reside na triste morte de Tom Fogerty. Na década de 80, ele se mudou para Scottsdale, Estado do Arizona, e após um período de saúde precária, procurou uma cirurgia para curar dos seus problemas nas costas. Fogerty passaria por uma transfusão de sangue não rastreada, o que lhe levou tragicamente a ser infectado pelo HIV.


Tom e John não se falavam naquela época, dada a separação amarga da banda, e sua reconciliação nunca aconteceria. No dia 06 de setembro de 1990, Tom Fogerty faleceria com apenas 46 anos de idade. No funeral de Tom, John leu o elogio fúnebre e disse: "Queríamos crescer e ser músicos. Acho que alcançamos metade disso. Nos tornamos estrelas do rock 'n' roll, mas não necessariamente crescemos".


Anos depois, John escreveu em seu livro biográfico: “Fiquei triste por a vida ter sido tirada de Tom. Essa tristeza se misturava a outras emoções... Mas eu perdoei Tom. Não estou mais com raiva. Amo meu irmão. Além disso, eu realmente amava os velhos tempos em família e o jeito que éramos quando crianças. Agora está tudo resolvido e de alguma forma Tom sabe que está tudo bem, onde quer que ele esteja”.


Apesar de toda a amargura que se acumulou entre eles, nunca houve uma explosão definitiva em público, nenhuma briga digna de tabloide ou desentendimentos dramáticos em entrevistas - e é isso que torna tudo mais difícil de digerir. 


O rompimento entre John e Tom não foi uma grande explosão - foi silencioso e prolongado, estendido por contratos, mágoas e uma teimosa recusa em ceder um centímetro. Eles ficavam lado a lado no palco, cantando músicas sobre suas origens e causas políticas, mas nos bastidores, mal conseguiam dividir um quarto de hotel.


Não era ódio entre eles, era algo enraizado mais no âmbito familiar.


Quando John se levantou para fazer seu discurso no funeral de Tom, as palavras onde ele disse: "Nós não necessariamente crescemos", vieram com um peso que ele não conseguiu disfarçar. Uma frase como essa não vem de um comunicado à imprensa ou de um redator de discursos, mas soando com o tipo de honestidade que só surge quando é tarde demais. O público presente pode tê-la ouvida como um lamento pela juventude perdida ou pelas oportunidades perdidas dentro de uma banda de rock, mas para seus familiares e aqueles que realmente os conheciam desde a infância, ouviram algo diferente: o eco doloroso de tudo o que não foi dito em vida ao seu irmão.


Tom mudou-se para o Arizona em busca de paz, mas as velhas feridas o perseguiram. John ficou na Califórnia, ainda gravando e lutando com seu próprio passado. Estavam em costas diferentes do país, mas o silêncio entre eles era mais alto do que nunca. As pessoas ao redor diziam: "Eventualmente, eles vão se entender...", mas a morte veio e ele se foi.


Essa é a parte que permanece. Não a separação da banda, os royalties ou os processos judiciais. É o fato de que 02 irmãos, que outrora faziam música tão profundamente enraizados no parentesco, nunca conseguiram consertar o que se rompeu entre eles. Tom Fogerty morreu com o nome da banda ainda pesando sobre ele, mas a família que a construiu nunca realmente saiu da névoa.


Evidentemente, John se arrependeu de não ter reatado o relacionamento com o irmão e de ter permitido que a indústria musical atrapalhasse um dos relacionamentos mais significativos que ele formaria: um irmão e um companheiro de uma banda de rock famosa.

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