The Cult: "essa música fala sobre o poder de encontrar solidão nos braços de uma mulher“
by Brunelson
17 de dez. de 2025
3 min de leitura
Atualizado: 20 de dez. de 2025
Existem algumas bandas que criam uma música e sabem instantaneamente que estão tocando uma música vencedora.
Seja na sala de um estúdio, na garagem ou no seu quarto, o local se enche com uma atmosfera inegável e impossível de ignorar, enquanto todos se olham em reconhecimento (ou começam a rir sem parar de tão legal que está) a um som que levará sua banda ou aquele período do dia a um nível jamais visto e sentido na sua vida antes - quem é músico, sabe do que estamos falando, em ter a permissão de receber essa benção de sentimento em nossas vidas.
LED ZEPPELIN foi um desses que teve esse momento na 1ª vez em que todos tocaram juntos, quando Robert Plant (vocalista), Jimmy Page (guitarrista), John Bonham (baterista) e John Paul Jones (baixista) perceberam que haviam tropeçado em algo especial.
“Eu me lembro daquele pequeno quarto e tudo o que me lembro é que era quente e o som era bom, muito emocionante e desafiador”, disse Plant na biografia da banda ao falar sobre a 1ª vez que o LED ZEPPELIN se reuniu para tocar junto. “Porque eu sentia que algo estava acontecendo comigo e com todos os outros na sala. Parecia que tínhamos encontrado algo com o qual precisávamos ter muito cuidado, pois poderíamos perdê-lo”.
É verdade que eles estavam mergulhando em algo especial e era um som que viria a inspirar bandas de rock nas décadas seguintes e até hoje.
E uma dessas bandas foi o THE CULT, um grupo britânico formado em 1983 que carregava consigo a influência do LED ZEPPELIN, quando se apresentou ao mundo no programa de auditório da TV americana em 21 de dezembro de 1985, Saturday Night Live. Eles irradiaram uma energia que evocava memórias do LED ZEPPELIN, tanto no visual quanto sonoramente falando, além de apresentar um vocalista que poderia ter saído do mesmo laboratório de onde Jim Morrison foi criado (vocalista do THE DOORS).
THE CULT é um grupo dos anos 80 que foi o único que ficou em uma linha tênue, quase invisível, entre o glam metal e o rock alternativo. Eles se tornariam em uma das maiores bandas na história do rock'n roll, ganhando reconhecimento até da turma do grunge (guitarrista Mike McCready do PEARL JAM, por exemplo), onde mais tarde iria lançar (dentre várias) uma clássica música que seria descrita como uma das canções mais importantes dos anos 80.
A música, "She Sells Sanctuary", já estava fazendo sucesso no Reino Unido e após sua apresentação no Saturday Night Live, a música alcançou novos patamares nos EUA. A banda sempre gostou desta canção, mas não era uma música que eles imaginassem que alcançaria o status de hit devido à sua simplicidade.
Como muitas grandes canções de rock, a mesma é simples com apenas 03 acordes iniciais. Também é escrita no comum compasso 4/4, e o que a destacou, apesar da sua simplicidade, como sempre é a melodia vocal com sabedoria que se coloca nas músicas, além da estranha combinação de efeitos usado pelo guitarrista Billy Duffy em seus pedais de distorção.
“Eu estava apenas brincando com meus amplificadores e descobri que o Roland JC-120, em conjunto com um amplificador valvulado, produzia um som que me dava o que eu exatamente ouvia na minha cabeça”, disse Duffy uma vez em entrevista.
"Adicionei um pouco dos pedais de guitarra, o delay e o chorus, quero dizer, nunca tinha usado antes um pedal chorus com ele no chão para manusea-lo. O único chorus que tinha usado era direto no amplificador JC-120. Foi basicamente isso e eu só estava experimentando diferentes amplificadores para combinar com o JC-120. Acabei comprando um Ampeg VT22, que era meio estranho e raro, e depois acabei comprando um amplificador da Marshall".
Liricamente, a música fala de solidão em algum nível (algo totalmente distante do glam metal e mostrando a neblina que viria com o grunge), o que parecia ressoar com as pessoas. Se trata de um elemento de solidão na canção que era amenizado por um relacionamento ou por algo mais espiritual.
“A música, ‘She Sells Sanctuary’, provavelmente se refere ao poder de encontrar solidão nos braços de uma mulher”, concluiu o vocalista Ian Astbury. “E também a energia matriarcal, seja ela uma pessoa física ou no sentido espiritual. A maior matriarca e a ideia do cosmos como uma energia feminina em vez da masculina. Estas são coisas arquetípicas que eu estava absorvendo ao descobrir pessoas como Joseph Campbell (escritor americano) e Buffy Sainte-Marie (cantora canadense) ou mesmo Jim Morrison”.
THE CULT continua em atividade até hoje, com o vocalista e guitarrista como únicos membros originais. O grupo já lançou 11 álbuns de estúdio, sendo o último lançado em 2022, "Under The Midnight Sun".
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