Queens of The Stone Age: "o disco 'Era Vulgaris' foi uma chance para mostrar às pessoas o que o baterista Joey Castillo era capaz de fazer"
by Brunelson
há 6 minutos
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Para qualquer um que já curtia rock no início dos anos 2000, o álbum "Songs For The Deaf" do QUEENS OF THE STONE AGE (3º disco, 2002), sempre será uma lembrança gravada na consciência das pessoas - sendo fã da banda ou não.
Lançado durante um momento de grave insegurança no mundo do rock, quando a bufonaria descarada do new metal fervilhava 24 horas por dia, trocando espaço com a música eletrônica e boys/girls bands para serem saboreados pelo mainstream, eis que surgia o videoclipe da música "No One Knows" do QUEENS OF THE STONE AGE passando no que ainda sobrava da MTV, com seu estilo agressivo e um gancho feroz como se fosse uma banda de garagem, exalando uma dose pura e muito necessária de rock 'n' roll para a época.
Muitos (fora do eixo EUA e Europa) conheceram a banda através desse clipe, mas que na verdade já se tratava do 3º álbum do grupo. Enquanto eles estavam se tornando conhecidos já com o álbum anterior, "Rated R" (2º disco, 2000), o vocalista/guitarrista, Josh Homme, desfrutava de um status cult como guitarrista da banda KYUSS no começo dos anos 90 e brevemente sendo o 2º guitarrista da banda grunge, SCREAMING TREES, em meados dos anos 90.
Mas foi com o disco "Songs For The Deaf" que empurrou o QUEENS OF THE STONE AGE para a realeza do rock que eles desfrutam desde então. Para muitos, a formação da banda nessa época é épica e difícil de bater. O quinteto era formado por Homme, o baixista e membro fundador, Nick Oliveri, o guitarrista Troy Van Leeuwen (na banda até hoje), o baterista Dave Grohl (NIRVANA), e o vocalista Mark Lanegan (SCREAMING TREES) levando os vocais em algumas músicas.
Grohl gravou a bateria nesse disco e saiu com a banda em turnê, mas essa participação ilustre todos sabiam que era temporário, pois ele teria que retornar ao seu papel de frontman no FOO FIGHTERS. Em seu lugar, Joey Castillo foi chamado (ex-DANZING).
Dotado de uma volatilidade poderosa e um timing preciso como se fosse um discípulo de Dave Grohl, Castillo tornou-se essencial à identidade sonora do QUEENS OF THE STONE AGE, onde ele entraria no grupo no meio da turnê do 3º disco e ainda gravaria os 02 próximos álbuns junto com a banda, "Lullabies to Paralyze" (4º disco, 2005) e "Era Vulgaris" (5º disco, 2007).
Porém, no meio das gravações do 6º álbum do QUEENS OF THE STONE AGE, "Like Clockwork" (2013) - onde o grupo apresentou uma sonoridade inédita até então, saindo da sua fórmula convencional na criação das canções - Castillo não se adaptou ao novo estilo de som do grupo, e assim, ele seria dispensado da banda. Ele até gravou algumas músicas que acabaram sendo lançadas nesse disco, mas novamente Dave Grohl seria chamado para finalizar as outras canções.
Voltando um pouco no tempo em 2007, na véspera do lançamento do álbum "Era Vulgaris", Homme havia dito em uma entrevista para o site Alternative Press: "O disco 'Era Vulgaris' é realmente moldado por Troy Van Leeuwen, Joey Castillo e eu. Acho que essa é uma chance para mostrar às pessoas o que Troy e Joey são capazes de fazer, e acho que a bateria está simplesmente fora de controle aqui. Ela é muito específica, coisa dele próprio, porque no último disco, 'Lullabies to Paralyze', a ideia foi pedir para Joey se conter e se endireitar, porque estávamos vindo do álbum 'Songs For The Deaf' onde a bateria de Dave Grohl foi simplesmente incrível".
Seguir o exemplo de Grohl não é tarefa fácil, mas Castillo provou ser um baterista habilidoso, capaz de ancorar as características sonoras em 02 discos do QUEENS OF THE STONE AGE e sendo a pessoa que simplesmente lhe foram passadas as baquetas pelo baterista do NIRVANA.
Castillo era perfeito para ser o substituto quebraceira na bateria para o QUEENS OF THE STONE AGE, mas com as novas ideias que Josh Homme estava tendo para a sua banda, o leque de opções na bateria teria que se alargar para que pudesse acompanhar a evolução criativa do mentor do grupo.
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