Pink Floyd: "nenhum de nós teve coragem de convidar Jeff Beck para entrar na banda"
by Brunelson
há 6 minutos
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Dê uma olhada no mundo do rock e você se verá cercado de ícones. Sejam com guitarras, baixos, microfones ou baquetas nas mãos, essas pessoas se destacam em todo o gênero.
PINK FLOYD, BEATLES, ROLLING STONES, THE WHO, THE KINKS e outras bandas seminais moldaram o cenário sonoro como o conhecemos, e com um mínimo de pesquisa, você poderá notar que a maioria desses monólitos da música foi fundada na década de 60.
Essa década foi muito significativa, caracterizada por esperança, hedonismo e avanços inovadores na moda e na música. E em ambos os lados do Oceano Atlântico, os anos 60 caracterizaram-se por nada menos que uma mudança tectônica na sociedade. Essa jovem geração esperançosa que liderou essa onda foi impulsionada por avanços tecnológicos que permitiram que suas ideias se concretizassem plenamente.
E claro, se você voltar no tempo e selecionar os principais momentos e ícones dos anos 60, verá que essa época está repleta de momentos e figuras históricas cruciais, com o 1º homem pisando na Lua (será?), a Beatlemania junto com a "Invasão Britânica", o Woodstock Festival de 1969, os assassinatos de JFK e Martin Luther King, e tudo isso enquanto os espectros da Guerra do Vietnã e da Guerra Fria pairavam sobre tudo.
A música embalava os eventos, assim como os eventos informavam a música. Os BEATLES personificaram o ethos da sua geração e Jimi Hendrix foi pioneiro na guitarra nos mostrando o quê se poderia fazer com o instrumento. No entanto, como a década foi marcada por diversos graus de luta, havia um lado sombrio em algumas partes e do qual a música não conseguia escapar.
Após uma década expandindo os limites de coisas cujos limites ainda não haviam sido descobertos, principalmente com o abuso de drogas, os anos 60 abriram caminho para tudo o que se seguiu, tanto musicalmente quanto em outros aspectos. A música e a cultura popular foram de fato levadas a uma odisseia inovadora por todos esses artistas citados, mas com muitas baixas pagando o preço.
Uma dessas baixas foi o vocalista/guitarrista/compositor original do PINK FLOYD, Syd Barrett. O gênio de cabelos desgrenhados ainda se veria no lado mais sinistro da década com sua alma atormentada e cujos experimentos com ácido LSD são amplamente apontados como tendo levado sua frágil ideação ao limite mental.
Barrett era um amante devoto da liberdade e isso ajudou sua criatividade, mas que não duraria muito tempo. Sua saúde mental seria abalada pelos excessos e tendo gravado somente os 02 primeiros álbuns de estúdio com o PINK FLOYD, ele acabaria sendo dispensado pelos seus colegas de grupo por estar comprometendo os shows e agendas da banda.
Sendo assim, quando seus companheiros perceberam que sua saída era iminente, eles viram a necessidade de incluir um novo membro no grupo para que aos poucos fosse pegando o lugar de Barrett.
Representando um alerta precoce sobre os perigos do abuso generalizado de drogas e a necessidade de apoio para problemas de saúde mental, a dispensa de Syd Barrett do PINK FLOYD em 1968 é considerada um ponto significativo na longa carreira da banda. Com isso, a sucessão do guitarrista e posteriormente vocalista, David Gilmour, desde dezembro de 1967 na banda, levaria o PINK FLOYD a patamares sem precedentes, tanto comercialmente quanto artisticamente falando.
No entanto, como esse período foi de constantes trocas de farpas para que o grupo se tornasse temporariamente um quinteto - até que o novo membro se solidificasse e posteriormente estivesse pronto para substituir Barrett - houve outro músico icônico que foi apontado na época pelo PINK FLOYD como o sucessor natural de Barrett.
Em 2005, o baterista Nick Mason revelou tudo em sua autobiografia, "Inside Out: A Personal History of Pink Floyd". O maestro rítmico lembrou que a banda queria que o guitarrista Jeff Beck substituísse Barrett na guitarra: "Mas nenhum de nós teve coragem de convidá-lo".
A ideia do virtuoso Beck no PINK FLOYD é estonteante. Como um dos guitarristas mais icônicos da época, essa teria sido uma combinação brilhante e emocionante, no entanto, como Beck sempre seguiu seu próprio caminho, dúvidas surgiram sobre o sucesso dessa combinação, até porque, o casamento do PINK FLOYD com seu amigo da época da escola, David Gilmour, é algo que não pode ser subestimado.
De fato, em uma conversa com o cantor Alice Cooper em 2010, Beck comentou sobre esta situação. Na conversa, Cooper disse a Beck que o PINK FLOYD estava com muito medo de convidá-lo para se juntar a eles, ao que Beck respondeu: "Que incrível! Nunca pensei que eles me dariam a luz do dia. Que estranho..."
Embora a ideia de Beck no PINK FLOYD possa nos animar, esse é apenas um dos muitos exemplos das portas giratórias que aconteciam na música naquela época.
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